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China avalia flexibilizar restrições à Covid; mercado reage com otimismo

As mudanças na política de controle de casos no país asiático animaram os mercados pelo mundo; preços das commodities também estão em alta

A China avalia mudanças na política de controle dos casos de Covid-19 – conhecida como ‘Covid-Zero’. A informação é do ex-epidemiologista-chefe do Centro Chinês de Controle e Prevenção de Doenças, Zeng Guang. Ele falou durante uma conferência organizada pelo Citigroup, segundo a agência de notícias Reuters.

O regime de tolerância zero contra a Covid foi adotado desde o início da pandemia pelo presidente da China, Xi Jinping. Quando novos casos da doença surgiram, partes das cidades chinesas eram isoladas e ficavam semanas em quarentena. A medida trouxe danos profundos à economia e para os mais de 1,4 bilhão de habitantes, como explica o sócio e head de Renda Variável da Monte Bravo Investimentos, Bruno Madruga.

“Essa política de covid-zero diminuiu bastante o crescimento chinês. A expectativa que temos é de crescimento do PIB para 2022 na ordem 3%, 3,5%. Esse percentual é muito parecido com o crescimento do Brasil – coisa que a gente não imaginaria nos últimos períodos para o país asiático”.

A China também elabora planos para acabar com o sistema que penaliza as companhias aéreas por trazer casos de vírus para o país, de acordo com a Bloomberg. O mecanismo suspende as companhias aéreas de rotas específicas por uma ou duas semanas.

A mesma medida foi adotada em Hong Kong, mas acabou interrompida em julho. O objetivo é aumentar os voos até um retorno completo do tráfego aéreo.

China anima mercados

A possibilidade de menos restrições animou o mercado financeiro em todo o mundo, já que a China é um importante exportador de commodities.

Às 15h20, a bolsa operava em alta de 1,40% aos 118.527 pontos – puxada pelas principais empresas brasileiras ligadas a commodities metálicas, com seus produtos se valorizando no exterior. Na máxima do dia, o Ibovespa bateu os 120.039 pontos. A alta é puxada pelas ações ordinárias da Vale (VALE3) que operam em alta de 7,74%, a R$ 72,35.

“É importante dizer que essa política de covid-zero foi muito agressiva. Então quando a China retoma a atividade, ela melhora muito o cenário para as commodities brasileiras. Na cabeça dos investidores, é importante dizer, que o Brasil teve uma ótima semana, especialmente se comparada a semana difícil lá nos Estados Unidos”, afirma Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

Commodities em alta

A expectativa cada vez maior de que a China flexibilize a política de covid zero impulsionou a cotação das commodities. O minério de ferro subiu 5,1% no mercado à vista, para US$ 88,05 a tonelada, segundo o índice da S&P Global Commodity Insights.

O barril de petróleo Brent – referência internacional – sobe 3,90%, a US$ 98,36 dólares o barril. O WTI – referência americana – avança mais 4,54%, a US$ 92,17 dólares o barril.

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“Com uma reabertura chinesa, haveria um consumo maior de commodities de todos os níveis. Não à toa, a gente está vendo não só o preço do petróleo e o preço do minério subirem, mas também cobre, prata, zinco, algodão, gás natural e grãos”, afirma o sócio e head de Renda Variável da Monte Bravo Investimentos.

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Para Bruno Madruga, esse movimento pode ser uma oportunidade para a economia brasileira. “Uma simples reabertura da China já traria um crescimento bastante importante para o país asiático. Aliás, uma grande oportunidade para o Brasil, já que a China é o nosso principal parceiro econômico”.

Economia Chinesa

O presidente chinês, Xi Jinping, disse hoje na abertura da Exposição Internacional de Importação da China, que o país vai compartilhar as oportunidades do grande mercado chinês com o mundo. Afirmou ainda que modernizar o comércio de mercadorias é acelerar a construção de um mercado interno forte, na “direção correta da globalização econômica”.

“O mundo está passando por mudanças rápidas e a economia mundial está insuficiente para a recuperação”, disse o líder chinês.