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O que pode influenciar no preço das commodities? Veja diversos fatores

Definido pela lei de oferta e demanda, o valor de uma commodity pode ser influenciado por diversos fatores

Caminhão descarregando material em indústria brasileira que manipula cana de açúcar
Negociadas no mundo todo, as commodities têm preços dependentes das cadeias de produção e consumo globais.

As commodities estão base da economia brasileira e mundial. Servem para consumo direto e também como matérias-primas na produção de outros produtos. No Brasil, são ainda mais importantes, já que são responsáveis por mais da metade da receita com exportação.

Negociadas no mundo todo, as commodities têm preços dependentes das cadeias de produção e consumo globais. São fenômenos complexos, que escapam ao controle dos consumidores, produtores e países. Aqui, vamos mostrar fatores que podem influenciar nas cotações.

Para lembrar:

As commodities podem ser classificadas de acordo com sua origem:

  • Agrícolas: essencialmente matérias-primas do agronegócio como soja, milho, trigo, algodão, café, carne e açúcar;
  • Minerais: como o próprio nome sugere, entram neste grupo minérios, minerais, metais e recursos ligados à energia. Entre as mais conhecidas estão: ferro, minério de ferro, ouro, petróleo e gás natural;
  • Ambientais: recursos naturais que produzem outros bens e são importantes para a indústria como água e madeira;
  • Financeiras: moedas e títulos públicos também podem ser considerados commodities, como o dólar, o euro, o próprio real e até títulos do Tesouro Direto.

A regra geral para a formação de preços das commodities é a relação entre oferta e demanda. É preciso estudar os fatores que interferem na produção e na disponibilidade de determinada commodity, como reservas, questões climáticas, logísticas, questões sanitárias etc. Assim como fatores que interferem no consumo e na utilização da commodity, como crescimento ou contração econômica, abertura de novos mercados, novas aplicações etc.

Exemplo do que pode influenciar em commodities

Agrícolas: quantidade de área plantada, clima e fatores fitossanitários como pragas;

Minerais: tecnologia, logística, possíveis novos usos;

Ambientais: emissões, neutralizações, risco climático;

Financeiras: oferta monetária e taxas de juros centrais;

O superintendente de commodities da B3, Louis Gourbin, ressalta que a logística é um fator inerente às commodities, principalmente em seu transporte, seja ele rodoviário, ferroviário ou hidroviário. Se a logística for dificultada ou encarecida, com aumento dos preços de combustíveis, por exemplo, pode influenciar nos preços das commodities, sejam elas exportadas ou consumidas domesticamente.

Gourbin também ressalta que, muitas vezes, entre as commodities agrícolas, a produção é cíclica, às vezes anual, e, se ocorre algum problema nos períodos de plantio ou colheita como climas extremos ou pragas, a oferta fica prejudicada. “Temos que lembrar que alguns bens têm uma safra única e a produção agropecuária é cíclica e não tem grande armazenamento”, diz Gourbin. É bastante comum que os preços caiam no início de uma boa safra e subam ao fim de uma safra menor, por exemplo.

As principais commodities em negociação na Bolsa Brasileira

As commodities agropecuárias, são as principais em negociação na bolsa brasileira. Produtos como café, milho, carne, etanol e soja estão entre os contratos de commodities negociados na B3. A principal referência da bolsa para formulação dos preços é a bolsa de Chicago, nos Estados Unidos. Lá se concentra o mais alto grau de negociação de compra e venda de produtos agrícolas dos outros países produtores e exportadores.

Outro fator que às vezes pode ser excluído da formulação de preço, mas é importante na influência sobre a oferta e a demanda, são os fatores sociopolíticos. São conhecidos como fatores externos, como quando um país para de exportar para outro ou importar dele por questões diplomáticas. É o que está acontecendo, por exemplo, na guerra da Ucrânia. Em retaliação à ação militar russa, os países ocidentais vêm tentando reduzir a importação de gás da Rússia. Logo, com a redução, a oferta é menor, aumentando o preço já que a demanda continua a mesma.

Como investir em commodities?

Não é possível comprar uma arroba de boi gordo via B3, mas é possível negociar contratos dessa commodity no Mercado Futuro.

O Mercado Futuro é um ambiente que ajuda a proteger produtores e compradores contra as oscilações de preço – em operações conhecidas como hedge. Em uma explicação simples, o que ele faz é bloquear, no momento da assinatura do contrato, o valor (cotação) de uma certa quantidade de commodity.

Pelas características do Mercado Futuro – volatilidade e dificuldade de previsibilidade –, o investimento direto em commodities não é indicado a todo tipo de investidor. Por isso, é importante entender o seu perfil de investimento e as suas estratégias para, assim, buscar uma corretora e verificar as opções.

Também é interessante lembrar de que algumas das commodities brasileiras são cotadas em dólar, como o petróleo.

Atualmente, há 10 tipos de commodities com contratos disponíveis para negociação na B3: café arábica 4/5 e 6/7, etanol hidratado, açúcar cristal, etanol anidro, boi gordo, petróleo, milho, soja e ouro.

Essas são as opções de investimento direto em commodities, mas também há opções de investimento indireto por meio de ações de empresas produtoras, que lidam com os impactos diretos das matérias-primas em suas cotações; fundos de investimento multimercado com exposição às commodities ou fundos de índice (ETFs, na sigla em inglês) atrelados a índices acionários que acompanhem um ou mais desses produtos.

Venha aprender mais sobre commodities e como investir nelas!

Para saber ainda mais sobre investimentos e educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

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