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Como a tokenização pode evoluir e melhorar o mercado de capitais

Especialistas discutem os benefícios que o blockchain pode trazer aos investidores no Brasil

Foto: Divulgação Grupo GCB. 7º painel GCB 'Tokenização, Regulação e o Mercado Financeiro'

Por João Paulo dos Santos

A tokenização é um processo que transforma um bem ou direito em uma representação digital. Chamada de token digital, ela é registrada na rede blockchain, uma tecnologia que permite armazenar dados em uma rede distribuída. Essa rede valida as informações, e registra qualquer alteração realizada.

Tokenização: o que é, como funciona e quais os seus benefícios

“O blockchain é um grande cartório digital que se consegue transacionar a um custo baixo e numa velocidade maior. Quando se fala em tokenização, se fala em fracionar e representar os ativos digitalmente, para que as transações não sejam fraudadas”, explica Gustavo Blasco, CEO do Grupo GCB.

Essas características de facilidade e menor custo são os principais pontos que podem levar a tokenização a um desenvolvimento do mercado de capitais. Segundo Blasco, um dos fatoeres que mais tem o potencial de movimentar a economia é a facilidade de transacionar ativos. “Quanto mais rápido flui, mais a economia fica dinâmica e mais gera valor”.

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O presidente da ABCripto, Bernardo Srur, afirma que essa possibilidade diminui a necessidade de intermediários, que adicionam custos às transações e acabam por corroer os rendimentos dos ativos financeiros.

“A tokenização possibilita que as pessoas tenham mais acesso. Na outra ponta, significa um crédito mais barato. Assim, não deixa que a rentabilidade se perca nos intermediários, chegando maior no investidor final”.

Regulação da tokenização

A falta de regulação para a tokenização e para as negociações em blockchain no Brasil e no mundo é a principal pedra no caminho do conceito. Contudo, essa discussão tem evoluído, puxada principalmente pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Erik Oioli, sócio diretor do VBSO Advogados, aponta que as bases regulatórias que temos no mercado de capitais atualmente são de algumas décadas atrás. “O regulador sempre tem o desafio de acompanhar os novos mercados, pois a inovação está sempre à frente das leis”.

Oioli ainda destaca que como a tokenização é bastante recente, a legislação não foi pensada para essa realidade. Por isso, algumas exigências que foram feitas para proteger o investidor não comportam as novas tecnologias.

Contudo, de acordo com ele, a CVM já entendeu que essa tecnologia é o futuro do mercado, por isso vem criando medidas para entender essa realidade e implementar soluções de forma segura.

“O passo futuro, certamente, vai ser atualizar as regras que são pré-blockchain para o blockchain. Esse é um caminho sem volta, e esse momento está cada vez mais próximo”, diz o sócio diretor do VBSO Advogados.

Apesar do potencial da tecnologia, Srur alerta que o processo é lento e o caminho é longo. “Em um jogo de 90 minutos, só corremos 2. Mas, o regulador está aberto a novas regras, a discuti-las”.

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