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Copom mantém Selic a 13,75% pela sétima vez

Decisão confirmou expectativas de economistas. Tom mais duro do que o esperado do comunicado, contudo, não deixa claro quando deve acontecer início dos cortes

Copom. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
O livro de registros do Copom, o Comitê de Política Monetária. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por Guilherme Naldis

A reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 21/06, decidiu manter a taxa básica de juros do país, a Selic, em 13,75%, de forma unânime. É a sétima vez que o colegiado opta pela manutenção do patamar como estratégia de contenção da inflação. 

Contudo, no comunicado, o Banco Central destacou que os números mais recentes de inflação abaixo das expectativas podem indicar a proximidade de um ciclo de cortes de juros em breve. A mensagem coincidiu com o estipulado pelos economistas ouvidos pelo Boletim Focus. Para a próxima reunião, a pesquisa projeta um corte de 0,25% nos juros terminais.

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Na última edição do Focus, os agentes do mercado reduziram a expectativa para Selic, ao final de 2023, de 12,50% para 12,25%. Para o fim de 2024, a estimativa caiu de 10% para 9,5% ao ano; enquanto para 2025 foi mantida em 9%.

Ambiente externo e inflação persistente

O conjunto dos indicadores mais recentes de atividade econômica segue consistente com um cenário de desaceleração da economia nos próximos trimestres. Contudo, o comunicado pontua que os resultados positivos do IPCA convivem com uma expectativa de aumento da inflação no próximo semestre.

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A decisão apontou também que o ambiente externo se mantém adverso, ainda que a situação dos bancos nos EUA e na Europa tenha se atenuado. A nota também mencionou a política monetária das principais economias, que seguem apertando juros para conter a inflação.

Tom mais duro que o esperado

Para Alexandre Espírito Santo, economista-chefe da Órama, o comunicado não teve uma linguagem explicitamente mais suave, como esperado. “A não ser pela retirada do temido alerta ‘não hesitará em retomar o ciclo de ajuste’, que vinha encerrando os comunicados anteriores”, disse.

Segundo o head de renda fixa da Suno Research, Vinicius Romano, o Banco Central demonstra preocupação com “incertezas remanescentes” sobre o ambiente fiscal e deu sinalização de que “os cortes nos juros só acontecerão quando a autoridade assegurar o cumprimento de seus objetivos”.

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É provável que o Banco Central reduza as taxas de juros em breve, porém não ficou claro se será já em agosto, diz Jayme Carvalho, economista e sócio da SuperRico.

Para Laíz Carvalho, economista para Brasil do BNP Paribas, as reduções devem acontecer na reunião marcada para setembro. Antes da decisão da Selic, era quase consensual de que a Selic poderia começar a cair na próxima reunião, em agosto.

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