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Dia dos Namorados: por que está mais caro presentear neste ano?

Roupas e acessórios foram os itens que mais subiram. Jantar fora também está mais caro. Flores e eletrônicos ficaram mais em conta. Expectativa do varejo é de queda nas vendas

Casal de namorados; Foto: Crew/ Unsplash
Como corretoras não oferecem a possibilidade de uma conta conjunta, o jeito é tomar alguns cuidados enquanto o namoro não evolui para uma união estável ou casamento com um regime de bens adequado. Foto: Crew/ Unsplash

Por Redação B3 Bora Investir

Os casais apaixonados vão precisar gastar mais este ano com os produtos e serviços mais consumidos no Dia dos Namorados, comemorado na próxima segunda-feira, 12/06. O aumento médio dos itens para a data foi de 8,64% nos últimos 12 meses terminados em maio. O resultado ficou bem acima da inflação no período de 3,94%. Dos 23 itens pesquisados, apenas cinco ficaram abaixo dos preços médios e só três tiveram deflação.

Os dados são de um levantamento feito pelo B3 Bora Investir, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A vilã da inflação do amor foram as roupas que ficaram, em média, 11,1% mais caras. Os itens do vestuário masculino subiram 12,4%, acima dos 11,1% das roupas femininas. No entanto, os agasalhos para as mulheres foram os que mais avançaram de preço: 18,3%. No guarda roupa dos homens, aumento nos valores de agasalhos (16,2%) e sapatos (17,9%). Os destaques das altas também passam pelos sapatos femininos (13,1%), bijuterias (11,9%) e vestidos (11,5%).

O professor da economia da Universidade Mackenzie e pesquisador do Centro de Liberdade Econômica, Ulisses Ruiz de Gamboa, afirma que apesar da inflação geral estar em tendência de queda, a escalada nos preços de vestuário e calçados ainda é reflexo da alta na procura por esses itens.

“Ficou uma certa demanda reprimida nessa parte de roupa, calçados e acessórios durante a pandemia. Portanto, esse avanço nos preços acontece por conta do aumento da procura. Outro ponto é que a inflação mais baixa em 12 meses está mais ligada a desoneração dos combustíveis no ano passado. Se você olhar o núcleo da inflação [medida que capta a tendência dos preços e exclui choques temporários] ele ainda está elevado”.

Para os casais que vão unir os orçamentos e aproveitar um belo jantar à luz de velas, a notícia também não é animadora. A alimentação fora do domicílio subiu 8% nos últimos 12 meses. Se for pedir um vinho para acompanhar, mais inflação. Os preços da bebida avançaram 6,1% em um ano. Chocolate de sobremesa? Só se for o que vem junto com o cafezinho antes de pagar a conta. Os bombons e a barra estão 11% mais salgados.

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Segundo o economista, para muitos casais a solução para economizar tem sido as cestas de café da manhã – que estão em alta na temporada dos namorados deste ano. Afinal comer em casa subiu menos, 4,66%. Para decorar e presentear, foco nas flores que tiveram deflação de 0,5% em 12 meses. Para esses casais que preferirem comemorar em casa, investir em uma televisão para ‘maratonar’ uma série pode ser uma boa pedida. Os televisores estão 12,4% mais baratos, assim como os videogames que tiveram deflação de 6,4%. Mas atenção: se não for pagar à vista, é preciso ficar de olho no valor da parcela.

“Caso a pessoa opte em comprar de forma parcelada um item mais caro, é preciso prestar atenção no quanto você está pagando de juros. Mesmo assumindo que o Banco Central vai iniciar a rodada de redução dos juros em setembro, hoje a Selic está em 13,75%, a perspectiva é terminar o ano na casa de 12%. Então essa compra parcelada, ela fica proibitiva”, explica o professor.

Além dessa dica de ficar de olho na taxa de juros embutida no parcelamento, Ulisses Ruiz de Gamboa dá mais duas para os enamorados economizarem no presente neste ano. “É fundamental a pesquisa de preços, seja nas lojas ou pela internet, que é uma ferramenta muito poderosa para fazer comparações. Além de negociar principalmente se for uma loja física”, conclui.

Expectativa é de recuo nas vendas

O comércio varejista brasileiro não está muito animado com o Dia dos Namorados. Segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio (CNC), o volume de vendas deve totalizar R$ 2,54 bilhões, recuo de 2,2% em relação a 2022, descontada a inflação. Esta é a sexta data comemorativa mais importante do comércio em termos de movimentação financeira.

Se confirmado, esse resultado será semelhante ao patamar de 2019. No primeiro ano da pandemia, em 2020, o setor registrou queda histórica de 18,9%. A recuperação só veio no ano passado, com avanço de 28,4% nas vendas.

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O responsável pela pesquisa da CNC, Fabio Bentes, explica que a previsão de queda nas vendas acontece em meio aos juros altos, o endividamento das famílias e a inflação ainda em patamares elevados.    

“Apesar da desaceleração da inflação ao longo dos últimos meses, os juros estão no maior percentual dos últimos cinco anos. Tem ainda 29,7% dos rendimentos das famílias comprometidos com o pagamento de dívidas”.

De acordo com a CNC, os presentes preferidos para o Dia dos Namorados são calçados e acessórios; utilidades domésticas e eletroeletrônicos; e itens de farmácia, perfumaria e cosméticos.

Veja a variação dos presentes mais procurados para o Dia dos Namorados em 12 meses:

INFLAÇÃO – DIA DOS NAMORADOS8,64%
IPCA (12 MESES)3,94%
PRODUTOS
Agasalho Feminino18,30%
Sapato Masculino17,90%
Agasalho Masculino16,24%
Camisa/camiseta masculina13,96%
Sapato Feminino13,14%
Calça feminina12,96%
ROUPA MASCULINA12,41%
Bijuteria11,98%
Vestido11,55%
Blusa11,26%
Vestuário11,11%
ROUPA FEMININA11,10%
Chocolate em barra e bombom11,04%
Bermuda Feminina10,96%
Bermuda Masculina9,54%
ALIMENTAÇÃO FORA DO DOMICÍLIO8,01%
Vinhos6,14%
ALIMENTAÇÃO NO DOMICÍLIO4,66%
Joia3,59%
Eletrodomésticos2,37%
Flores-0,50%
Videogame-6,45%
TV-12,45%

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