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Martelo B3: a história e as curiosidades do objeto usado em leilões na Bolsa

O martelo da B3 é produzido como uma verdadeira peça de arte; conheça sua história

Martelo de madeira de ipê roxo e bronze deitado em seu púlpito, feito dos mesmos materiais, na sede da Bolsa de Valores do Brasil, a B3
Símbolo de poder e de decisões, o martelo é batido nos leilões desde o império Romano para simbolizar a venda de uma mercadoria.

Por Guilherme Naldis

O martelo usado nos leilões da Bolsa de Valores do Brasil, a B3, é uma obra de arte feita à mão, com materiais selecionados e uma técnica refinada ao longo dos anos.

“As batidas de martelo servem para concretizar o fim das transações. Tradicionalmente, são dadas três batidas pelos participantes dos certames após a realização de seus discursos, em uma referência direta à contagem que encerra todas as modalidades de leilão, o famoso, ‘dou-lhe uma, dou-lhe duas, dou-lhe três'”, diz Guilherme Peixoto, super intendente de Processos Licitatórios da Bolsa.

Antes, a ferramenta marcava o início e o final de todos os pregões da bolsa, na época em que as sessões eram analógicas. Com a digitalização das negociações, o martelo passou a ser um elemento cerimonial dos leilões e licitações, marcando simbolicamente a compra e a venda de grandes concessões públicas.

O artista por trás da peça é o escultor Osni Branco, de 75 anos. Ele está prestes a completar 50 anos de carreira – dos quais 38 são dedicados à Bolsa do Brasil. Veja as curiosidades do martelo dos leilões da B3:

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A arte e o artista  

O martelo da B3 é feito com a madeira do ipê roxo, uma árvore típica  da América do Sul que você já deve ter visto por aí. “Por isso ele não quebra”, explica o artesão, em entrevista ao Bora Investir. A parte metálica é feita de bronze e o processo de feitura é de cerca de 90 dias. “Quando o martelo quebra, a B3 me liga e eles pedem pra eu fazer um novo com urgência, porque no dia seguinte já terá outro leilão”, conta Osni.

Em 2021, Osni recebeu o pedido para reforçar as peças dos próximos. “Agora, eu já deixo as partes de metal e de madeira pré-esculpidas para quando precisar fazer um novo, só montar e fazer os ajustes”.

Histórico e simbólico

Os martelos são símbolos de poder e de decisão, explica o escultor. Usados como ferramenta simbólica há, ao menos, dois mil anos, seu significado mudou com o tempo. A origem do símbolo, provavelmente, vem da mitologia nórdica. O deus Thor, que governa as tempestades e guerras com seu martelo, era uma das principais divindades do panteão.

Já os leilões são feitos desde o século 5 a.C., sendo os registros mais antigos obtidos, até hoje, provenientes da Mesopotâmia, no Império da Babilônia. A prática de leiloar itens se prolongou através da história e se disseminou pelo mundo. 

Especula-se que o símbolo do martelo tenha adentrado as vendas – e se consolidado no cerimonial – durante o período de expansão do Império Romano. Àquela época, Roma adotava uma política de sincretismo cultural com os povos que dominava, o que permitiu que o martelo dos germânicos se tornasse um elemento do imaginário europeu.

Daí vem a expressão popular “bater o martelo”, que significa oficializar uma decisão. Para além dos leilões, o martelo também é um símbolo nos tribunais, onde juízes e desembargadores decretam sentenças e absolvições. Em parlamentos pelo mundo, martelos são usados pelos líderes das Casas Legislativas para chamar atenção e estabelecer a ordem quando deputados e senadores se excedem.

Os leilões da B3

Aqui no Brasil, a B3 é a responsável por realizar os leilões de obras públicas e concessões quando a realização é solicitada pelos governos no nível municipal, estadual e federal. 

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Os primeiros leilões da B3 remontam o início da década de 1990, quando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu início ao processo de desestatização. Desde as primeiras privatizações, da CSN e da Usiminas, a B3 vem oferecendo infraestrutura para a realização de licitações públicas, privadas e alienações. Os serviços inclusos vão desde a estruturação da operação, organização física, checagem de documentação, até a condução da disputa entre os interessados.

Na história da B3, os martelos que definem os leilões de privatizações são entregues aos acionistas majoritários que arrematarem a empreitada como souvenir – uma lembrança de que cada conquista carrega em si, também, a responsabilidade de honrar compromissos assumidos.

Essas e outras curiosidades sobre a bolsa brasileira você confere, pessoalmente, no Museu da Bolsa do Brasil, o MUB3, em São Paulo.

Para saber mais sobre a história da Bolsa de Valores do Brasil e curiosidades do mercado, acesse o Hub de Educação Financeira da B3

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