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Endividamento das famílias tem primeira queda em 7 meses

Apesar de estar no menor nível desde janeiro, 78,1% das famílias no país ainda têm dívidas em atraso. Programa Desenrola ajudou na desaceleração do endividamento

Mulher olhando assustada para uma folha contas e endividamento. Foto: Adobe Stock
O endividamento é um problemas cônicos decorrentes das taxas de juros elevadas. Foto: Adobe Stock

Por Redação B3 Bora Investir

A parcela das famílias brasileiras com contas a vencer registrou uma leve desaceleração em julho. Agora 78,1% dos consumidores enfrentam o endividamento, ante os 78,5% no mês anterior.

Essa é a primeira queda desde novembro de 2022 e o menor nível em sete meses. É o que revela a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC) publicada nesta terça-feira, 08/08.

O número de brasileiros que se consideram muito endividados ficou em 18,2%, primeira queda desde dezembro do ano passado.

A economista da CNC responsável pela Peic, Izis Ferreira, explica que esse início de segundo semestre tem sido marcado pela melhora nas condições de renda das famílias.

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“Com a inflação caindo de forma sustentada e o mercado de trabalho absorvendo mais pessoas, o consumidor fica mais seguro no emprego”.

A primeira fase do Desenrola, que renegocia dívidas bancárias para pessoas com renda de até R$ 20 mil, também ajudou na diminuição do endividamento, principalmente para a classe média.

O presidente da CNC, José Roberto Tadros, afirmou que além do programa governamental, o início de queda da taxa básica de juros, a Selic, ajudará as famílias.

“É esperado um movimento de melhora das condições de compra do brasileiro, o que é positivo para a economia como um todo”, explica.

Classe média puxa queda do endividamento

A classe média brasileira, com renda de 3 a 10 salários mínimos, puxou a queda do endividamento em julho.

Para a faixa que vai de 3 a 5 salários mínimos, o volume de consumidores que relataram ter dívidas a vencer caiu de 79,3% em junho para 78,6% em julho, o menor desde junho de 2022. Para a população que ganha até 10 salários mínimos, foi de 78,1% para 77,4%, nível mais baixo desde janeiro deste ano.

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O percentual de inadimplentes, ou seja, que não pagaram as suas dívidas, caiu 1,7% na faixa de renda entre 5 e 10 salários mínimos.

“Tivemos também uma primeira redução nas famílias que se consideram muito endividadas. Ou seja, estamos tendo uma queda tanto no endividamento, principalmente para a classe média, como também na inadimplência para essas faixas de renda”, explica Izis.

Mais pobres sofrem com o endividamento

Para os consumidores de baixa renda, que recebem até 3 salários mínimos, a proporção de endividados avançou em julho, para 79,4%.

O volume de inadimplentes também subiu e atingiu 37,3%. Assim como os brasileiros que afirmaram não ter condições de pagar dívidas atrasadas (16,6%).

A economista da CNC ressalta que esse público ainda não foi contemplado pelo Desenrola. Para esse grupo, o programa de renegociação de dívidas começa em setembro.

“Talvez o último trimestre do ano será o momento em que a gente poderá observar uma redução mais significativa no volume de endividados e inadimplentes de pessoas de baixa renda”, afirma.

Cartão de crédito segue como vilão

O cartão de crédito ainda segue como o principal vilão do endividamento no país. Isso apesar da desaceleração de 87% em junho para 85,9% no mês passado na quantidade de consumidores com contas a vencer nessa modalidade.

Também é possível observar uma leve redução (0,1%) do volume de endividados no cheque especial (4,1%) e no consignado (5,1%).

“O crédito rotativo no cartão é a dívida mais cara do Brasil. Então uma redução no volume de endividados no cartão é um aspecto muito positivo”, conclui Izis Ferreira.

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