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Foco no cenário externo e dúvida sobre taxa terminal: saiba a reação do mercado ao Copom

Agentes do mercado consideraram comunicado sem grandes surpresas, mas com pistas para cenário da taxa Selic no futuro

Copom. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil
O livro de registros do Copom, o Comitê de Política Monetária. Foto Marcelo Camargo/Agência Brasil

Por João Paulo dos Santos

A decisão do Copom de cortar os juros em 0,5 ponto porcentual não surpreendeu o mercado, mas gestores e economistas buscam no comunicado sinais sobre a condução da política econômica daqui para frente. A atenção se voltou para o tom do comunicado, que foi considerado sem surpresas.

“Em relação ao comunicado, tivemos apenas algumas atualizações sobre o cenário internacional, que piorou desde o último encontro, e ajustes modestos nas projeções de inflação”, afirma Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg.

Jayme Carvalho, economista-chefe da SuperRico, plataforma de saúde financeira, também destacou a maior ênfase no cenário externo, “seja por conta do processo de alta de taxa de juros globais, seja por conta dos efeitos que essa taxa de juros pode ter. Há riscos para os dois lados”.

Ritmo de cortes e taxa terminal

Os agentes do mercado também estavam atentos ao texto para saber se o Comitê manteria a indicação de novos cortes da mesma magnitude, o que aconteceu.

“As questões-chave foram mantidas, como o uso do plural na frase sobre passos futuros. A primeira pergunta era se o Banco Central manteria a sinalização de cortes nas próximas reuniões, e, sim, a frase permaneceu inalterada no comunicado”, aponta Débora Nogueira, economista-chefe da Tenax Capital.

“Não vejo [o Copom] mudando essa trajetória nas próximas reuniões, mas caso o cenário seja permissivo em relação à situação global e local, pode-se até ter uma eventual aceleração de cortes em 2024”, afirma Matheus Spiess, analista da Empiricus Research.

Para o economista do BTG Pactual, Álvaro Frasson, o comunicado indica que o BC pretende reduzir a taxa Selic mais duas vezes em 50 p.p., mas deixa em aberto o ritmo de cortes nas reuniões seguintes, que vai depender principalmente da evolução das taxas de juros externas.

“Nas entrelinhas, ele está dizendo que não tem como levar a taxa Selic a 9% se o juro americano não se alterar, ou se alterar muito pouco no ano que vem”, afirma Frasson.

Rodolfo Margato, economista da XP, também vê a probabilidade de uma taxa terminal mais elevada. “As sinalizações recentes, as alterações no cenário internacional e também as incertezas fiscais domésticas, na nossa leitura, acabam aumentando a probabilidade do nosso cenário base de 10% de Selic terminal”, afirma.

Para o estrategista-chefe da BGC Liquidez, Daniel Cunha, o aumento das projeções de inflação da autoridade monetária para 2024 (3,5% para 3,6%) e 2025 (3,1% para 3,2%) foi um ponto de atenção. Ele destaca que, embora o BC tenha mantido a sinalização de que o ritmo de cortes de 0,5 ponto porcentual é apropriado “nas próximas reuniões”, no plural, o orçamento total de corte dos juros tem se tornado mais incerto.

“Parece, na nossa interpretação, que a extensão total do ciclo perdeu um pouco de confiança sobre qual vai ser o tamanho total”, diz o estrategista, que prevê Selic em 9,75% no fim do ciclo, mas reconhece riscos para cima. “Não vemos necessidade, hoje, de revisar juros, mas o risco desse 9,75% é para cima, para ao redor de 10,5%.”

O economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani, manteve suas expectativas em relação a uma taxa de juro encerrando este ano em 11,75% e em 9% em 2024. Na avaliação do economista, o BC só continuará a cortar sua taxa de juro porque a Selic está muito alta e, mesmo com as preocupações, há espaço para as reduções da taxa sem que ela deixe o terreno contracionista.

Meta fiscal preocupa

Ainda que o BC tenha optado por praticamente repetir o trecho usado no comunicado anterior sobre a importância de se perseguir a meta fiscal, esse é um ponto de atenção.

“Há o risco da desaceleração da economia americana não vir, de as taxas de juros continuarem pressionando, ou de termos problemas no controle da inflação local, que tem convergido. Ou pior, uma piora do fiscal brasileiro, que é o nosso ‘calcanhar de Aquiles’. Esses fatores podem trazer um risco de desaceleração do corte”, completa Spiess.

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