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Entenda por que dados mais fracos de emprego nos EUA animaram o mercado

Número de vagas disponíveis caiu ao menor nível em dois anos. Mercado de trabalho menos aquecido modera o crescimento salarial e a inflação, o que ajuda a segurar novos aumentos de juros

Novos dados podem indicar os passos a serem tomados pelo Fed, o Banco Central americano.

Por Redação B3 Bora Investir

A abertura de postos de trabalho nos Estados Unidos (EUA) desacelerou em julho ao menor nível em dois anos. O resultado aponta para um reequilíbrio do mercado de trabalho americano, que tem pressionado a inflação e o aperto monetário no país.

As vagas disponíveis caíram para 8,83 milhões no mês passado, ante 9,17 milhões em junho, segundo o relatório Jolts, publicado nesta terça-feira, 29/08, pelo Departamento do Trabalho do país. Esse é o sexto declínio nos últimos sete meses.

O número ficou abaixo da expectativa dos analistas, de 9,5 milhões de vagas, o que levou a taxa de abertura de postos de trabalho recuar de 5,5% para 5,3%. A queda foi puxada pelos serviços profissionais e empresariais, cuidados de saúde e no governo.

Impacto positivo para a inflação

O menor número de vagas, aliado ao aumento da participação na força de trabalho, deu um maior equilíbrio ao mercado de trabalho americano. Essa combinação, ajudou a moderar o crescimento dos salários, que tem impacto direto na demanda e na inflação.

Essa tendência aumenta as expectativas dos analistas de que o consumo mais baixo, traz um impacto positivo na inflação.

Segundo o economista-chefe do banco Master, Paulo Gala, com um mercado de trabalho mais desaquecido, menos o Federal Reserve (Fed), o banco central americano, precisa subir juros.

“A atividade manufatureira industrial também está contraindo nos EUA. Isso é mais uma indicação de que a economia está perdendo força, o que também deve contribuir para que o ciclo de juros termine”, acrescenta.

Nesta sexta-feira, 01/09, será divulgado o payroll de agosto, que vai trazer novos dados do mercado de trabalho nos EUA. É esperada uma desaceleração nas contratações em relação a julho, de 187 mil para 170 mil.

Recados do BC americano

Na semana passada, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que o afrouxamento do mercado de trabalho pode levar a uma trajetória descendente para a inflação.

No entanto, Powell deixou claro que pretende manter altos os custos dos empréstimos, até que a inflação esteja em direção à meta de 2%.

“Embora a inflação tenha descido do seu pico, uma desaceleração bem-vinda, ela continua demasiadamente elevada. Pretendemos manter a política num nível restritivo [juros altos] até estarmos confiantes de que a inflação está caminhado de forma sustentável em direção ao nosso objetivo”, afirmou o presidente do Fed.

“O mercado praticamente não vê mais alta de juros pelo Fed em setembro. Então, se houver mais alguma alta, talvez fique para a reunião de novembro”, conclui Gala.

Economia dos EUA

A inflação americana nos últimos 12 meses tem desacelerado, mas ainda está em 3,2%, acima da meta de 2%.

Diante dessa pressão, em junho o BC americano elevou a taxa básica de juros para o maior patamar em 22 anos, no intervalo de 5,25% a 5,5% ao ano.

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