ESG

Como as empresas podem ajudar a incluir mulheres negras no mercado de trabalho

Apesar dos avanços, 10% das mulheres negras estão entre as mais pobres, 50% estão em posições funcionais ou no subemprego e menos de 1% estão em posições de liderança

Ring the Bell for Gender Equality, evento da B3. Foto: Cauê Diniz/B3
Ring the Bell for Gender Equality, evento da B3. Foto: Cauê Diniz/B3

Por Marília Almeida

É nítido o avanço das mulheres no mercado de trabalho. Segundo pesquisa da FGV, nos últimos 11 anos o gap salarial entre homens e mulheres caiu cerca de dez pontos percentuais — era 33,4% no quarto trimestre de 2012 e fechou em 23,4% no quarto trimestre de 2022.

No entanto, as mudanças são lentas e há ainda um longo caminho a percorrer, especialmente quando se trata de mulheres negras. De acordo com Nalva Moura, gerente de Relações Institucionais no Pacto pela Equidade Racial, 10% das mulheres negras estão entre as mais pobres, 50% estão em posições funcionais e no subemprego e menos de 1% estão em posições de liderança.

O dado é baseado no Índice Mulher, criado pela associação para auxiliar empresas a mensurarem desigualdades. “Nossa garra é reconhecida, mas não no trabalho formal. É necessário que as empresas reconheçam essa pluralidade”, diz Moura.

A executiva participou do painel Mulheres Negras – barreiras do recorte racial para a equidade de gênero, que aconteceu durante evento de Toque de Sino pela Equidade Racial organizado pela bolsa brasileira, a B3, na manhã deste Dia Internacional da Mulher.

O debate foi moderado por Carolina Bandeira, advogada e líder do núcleo Black da B3, e também contou com a participação de Ana Carolina Querino, representante adjunta da ONU Mulheres Brasil; Fernanda Ribeiro, presidente da AfroBusiness e cofundadora e COO da Conta Black.

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Metas, métricas e iniciativas

Para Ribeiro, empresas que desejam incluir mulheres negras em seus quadros de funcionários e ajudarem a diminuir a desigualdade racial precisam de métricas, metas e orçamento para promover iniciativas.

“Buscar resolver o problema a toque de caixa não é o caminho. É necessário pensar em estruturas. Em como incluir, por exemplos, empreendedoras no comércio eletrônico. Elas podem até ter smartphones, mas têm pacote de internet básico e precisam de ferramentas para que essa inclusão de fato ocorra”.

Para ajudar a mudar esse cenário, a B3 criou um programa de mentoria para mulheres, nos quais 50% das vagas são destinadas a mulheres negras. Também realizou um programa de equidade racial em conselhos de administração em parceria com o IBGC, no qual formou 33 executivos negros, metade deles mulheres.

“As mulheres negras seguem sub-representadas no mercado de trabalho e na sociedade: recebem salários menores e estão mais distantes de posição de liderança. Apesar de ter havido avanços ainda há um trabalho a ser percorrido e queremos percorrê-lo”, disse Gilson Finkelsztain, CEO da B3, durante o evento.

Toque de sino pela Equidade Racial

A B3 realiza o toque de campainha pela equidade racial no Dia das Mulheres pelo sétimo ano consecutivo. “É um tema relevante, conectado ao nosso papel de adoção, promoção e indução de melhores práticas ESG“, disse Finkelsztain durante a abertura do evento.

O toque de campainha acontece simultaneamente em mais de 100 bolsas pelo mundo. A iniciativa é da Sustainable Stock Exchanges (SSE), e tem como parceiro a Federação Mundial de Bolsas (WFE), o Pacto Global da ONU e a ONU Mulheres.

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