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Fed sobe juros e mercado brasileiro abre a quinta-feira em baixa

Investidores analisam a decisão do banco central americano de elevar pela sexta vez seguida os juros. As taxas agora estão entre 3,75% e 4%

Jerome Powell, presidente do Fed, discursa em púlpito em frente à bandeira dos Estado Unidos
O presidente do Fed, Jerome Powell, anuncia alta de juros nos Estados Unidos. Foto: Divulgação

Os investidores começam a digerir nesta quinta-feira, 3/11, a decisão do Federal Reserve (Fed) – o banco central americano – que elevou ontem, pela quarta vez seguida, em 0,75 pontos percentual os juros. Com a decisão, as taxas estão agora no intervalo de 3,75% a 4% – o mais alto desde o início de 2008. O Fed subiu os juros nas últimas seis reuniões desde março.

Apesar do movimento ter vindo em linha com o esperado pelos investidores, os comentários do presidente do Fed, Jerome Powell, surpreenderam ao indicar um aperto monetário mais prolongado, apesar de uma redução no ritmo nas próximas reuniões.

“Foi muito importante se mover rapidamente até aqui. Está chegando o tempo do ritmo moderado de aumentos. A decisão pode ser numa próxima reunião ou em uma depois. Mas é prematuro discutir uma pausa [nas altas de juros]”, disse Powell em uma entrevista à imprensa após a decisão.

“Ele tirou um pouco das esperanças que o mercado tinha de que o Fed poderia pivotar, de que daqui para frente ele pode começar até altas de juros menores e em algum momento, começar a cortar juros. Então ele deixou muito claro que ainda tem mais altas por vir”, analisa a estrategista de ações da XP, Jennie Li.

Mercado hoje

Diante da escalada dos juros nos Estados Unidos, a Bolsa Brasileira (B3) abriu no negativo nesta quinta-feira. Por volta das 11h30, o Ibovespa operava em queda de 0,78% aos 116.016 pontos. O dólar comercial avança 1% cotado a R$ 5,16.

Para Jennie Li, o mercado brasileiro opera no negativo por conta do Fed, mas ainda há uma repercussão política das eleições pesando para os investidores. “A gente tirou uma dúvida que foram as eleições e o segundo turno, mas o mercado local ainda tem várias dúvidas como: quem vai fazer parte da equipe econômica? como vai ficar a questão fiscal? Essa [questão fiscal] é a principal discussão que a gente deve ter para o ano que vem”.

Cautela para o investidor

A estrategista de ações da XP alerta que, diante desse quadro, ainda é o momento do investidor ter bastante cautela.

“Ainda tem muito risco com outros bancos centrais subindo juros e de uma recessão acontecendo nas principais economias. Por aqui [Brasil] o risco político e fiscal ainda fica no radar de investidores. É hora de olhar com um certo cuidado”.

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Inflação nos Estados Unidos

O banco central americano segue no combate a maior inflação dos últimos 40 anos. Os preços à medida que a economia passou a se recuperar dos efeitos da pandemia de covid-19.

Com o aumento do consumo e os gargalos nas cadeiras de abastecimento, houve a subida de preços. A guerra na Ucrânia também ajudou a elevar os índices. No comunicado ontem, o Fed disse que as autoridades permanecem “altamente atentas aos riscos inflacionários”.

Impactos para o Brasil

O avanço dos juros nos Estados Unidos afeta o Brasil de várias maneiras. Do lado monetário, há uma valorização do dólar frente ao real o que pressiona ainda mais a inflação brasileira. Se os preços sobem, o banco central precisa subir juros, o que impacta a recuperação da economia e a geração de empregos.

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Próximos passos do FED

“Para a reunião de dezembro, acreditamos que o Fed irá desacelerar o ritmo de elevação para 0,50 pontos percentuais. Olhando adiante, a necessidade de aumentos adicionais dependerá dos dados de inflação e do mercado de trabalho. Se os números de outubro e novembro mostrarem arrefecimento, o Fed poderá fazer uma pausa após a decisão de dezembro”, afirmam os analistas da XP no Morning Call de hoje.

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