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Equilibro fiscal e empregos de qualidade são grandes desafios de Lula na economia

Principal foco do novo governo na economia passa pela melhora do emprego e equilíbrio fiscal

Balança de ferro refletindo nota de cinquenta reais, com moedas de um real fazendo pesa
Toda empresa listada na B3 é obrigada por lei a divulgar suas Demonstrações Financeiras (DFs) a cada trimestre. Foto: Adobe Stock

Oficialmente empossado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem na economia o principal desafio do seu governo. O combate ao desemprego – que atinge 9,5 milhões de brasileiros – o equilíbrio das contas públicas e a reindustrialização estão entre as prioridades apontadas por analistas.   

 “A gente tem um desafio conjuntural e o outro estrutural, de longo prazo. No Fiscal, o novo governo vai ter que enfrentar em 2023 esse monte de despesas e desonerações que foram feitas. No conjuntural é qual a regra fiscal, dado que o teto de gastos não tem sido respeitado e não se revelou uma boa estratégia” explica Paulo Gala, economista-chefe do Banco Master.

Dentre as principais desonerações feitas pelo governo – e que chamam a atenção pelos seus efeitos nos cofres públicos – estão a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias ou Serviços (ICMS) nos combustíveis e conta de luz. Sinal de alerta também para a eventual decisão de manter, em 2023, o Auxílio Brasil com parcelas mensais de R$ 600 – medida prometida pelo presidente eleito. 

Ontem, durante a cerimônia de posse, o presidente Lula assinou uma MP que viabiliza o pagamento dos R$ 600. O prazo para esse valor só ia até 31 de dezembro de 2022.

“O medo principal é que se tenha uma política fiscal muito expansionista que acabe aumentando a inflação. Não acho que esse seria o caso, mas esse é o grande temor, política de gasto público muito exagerada. Tecla que o mercado tem batido”, explica Gala.

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Precarização do mercado de trabalho

No terceiro trimestre, a taxa de desemprego medida pelo IBGE caiu ao menor patamar em sete anos: 8,7%. Em contrapartida, o número de empregados sem carteira assinada no setor privado atingiu 13,2 milhões de brasileiros – maior da série histórica, iniciada em 2012. Essa precarização do mercado de trabalho é mais um entrave que o novo governo precisa enfrentar.

Ontem durante a cerimônia de posse, no discurso realizado no parlatório do Palácio do Planalto, Lula chorou ao citar os desempregados que pedem ajuda nos semáforos de grandes cidades brasileiras.

“A desigualdade e a extrema pobreza voltaram a crescer. A fome está de volta, e não por força do destino, não por obra da natureza, nem por vontade divina. A volta da fome é um crime, o mais grave de todos, cometido contra o povo brasileiro”, disse um trecho do discurso.

O economista-chefe do Banco Master conclui que “a gente tem conseguido reduzir o desemprego, mas as vagas criadas são de baixa remuneração e qualidade. Então esse é um grande desafio – que entra um pouco na conta de industrialização ou sofisticação produtiva. O desafio tecnológico que é a reindustrialização também passa por domínio tecnológico. Sem isso a gente não consegue voltar a gerar empregos de qualidade”.

Apesar dos desafios apontados, Paulo Gala acredita que a conjuntura para o ano que vem é favorável diante da expectativa de um corte de juros. Hoje a Selic está em 13,75% ao ano maior valor desde novembro de 2016.

“A gente vai entrar num ciclo de corte de juros no ano que vem, a atividade tende a continuar se expandindo e eu acho que isso favorece o Lula”.

De acordo com os últimos boletins Focus, a mediana das estimativas estabeleceu a Selic em 11,75% no final do ano que vem.

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