Objetivos financeiros

Você sabia que o índice de desemprego afeta seus investimentos?

Perspectivas de emprego são importante fator macroeconômico na hora de avaliar como aplicar seus recursos

Taxa de desemprego
Com mais gente empregada e mais dinheiro circulando, alguns setores da economia tendem a se beneficiar.

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 9,3% no segundo trimestre de 2022. Isso significa, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que há 10,1 milhões de desempregados no país. Além deles, há 4,3 milhões de desalentados, como são chamadas as pessoas que até já desistiram de procurar um novo emprego.

Ficar de olho na taxa de ocupação da população brasileira, além de servir como um bom termômetro da economia como um todo – afinal, quanto mais gente trabalhando, mais chance de um país crescer –, também pode ajudar os investidores na hora de escolher uma dentre as diversas opções de produtos financeiros disponíveis no mercado.

Com mais gente empregada e mais dinheiro circulando, alguns setores da economia tendem a se beneficiar – ainda que a pressão inflacionária também possa crescer. Alguns investimentos tendem a ser mais beneficiados do que outros pela redução da taxa de desemprego no país.

Como os níveis de emprego afetam a inflação?

O economista neozelandês A.W. Phillips, que viveu entre 1914 e 1975, desenvolveu uma teoria, batizada de “Curva de Phillips”, que mostra uma relação inversamente proporcional entre o desemprego e a inflação.

Se mais pessoas ficam sem trabalho (ou seja, se a taxa de desemprego aumenta), os níveis de consumo caem, já que os recursos dessa parte da população ficam limitados. Com uma demanda muito menos aquecida do que a oferta, os preços passam a cair e isso reduz, também, a inflação.

O contrário também é correto: com mais gente empregada (e a taxa de desemprego diminuindo), a demanda por produtos e serviços aumenta e os preços sobem, elevando a pressão inflacionária.

Dessa forma, olhar para a taxa de desemprego pode ajudar o investidor a analisar as possibilidades de retorno com investimentos que são atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é o principal indicador da inflação no Brasil.

A pandemia e todas as suas consequências são um exemplo que mostram que nem sempre as tendências se concretizam, já que fatores externos e extraordinários podem mexer com a dinâmica socioeconômica.

Ainda assim, ao tirar tais situações atípicas de perspectiva, fica mais fácil entender a importância de olhar para as taxas de desemprego e outros indicadores macroeconômicos.

Em períodos em que o desemprego está em alta, os títulos de renda fixa e outros ativos que usam o IPCA como referência podem não ser opções tão interessantes, já que a inflação tende a cair, levando esses investimentos a entregarem uma rentabilidade menor.

Já quando o desemprego cai, essa é uma sinalização de que a inflação pode começar a subir e, por isso, os títulos atrelados ao IPCA tendem a oferecer um retorno mais expressivo. Se a pressão inflacionária se mantiver, o Banco Central tende a subir a taxa básica de juros (Selic) – o que significa que títulos atrelados a esse indicador tendem a ter uma maior rentabilidade.

Você sabe o que a taxa Selic tem a ver com a inflação? Confira um vídeo sobre o tema no hub de educação da B3!

Como os índices de emprego e desemprego afetam a Bolsa de Valores?

A bolsa de valores costuma ser menos afetada pelos índices de emprego e desemprego do que os títulos de renda fixa, muito ligados à economia real. Isso acontece porque a composição da bolsa brasileira é predominantemente feita por empresas exportadoras de commodities – como a Vale, de minério de ferro, a Petrobras, de petróleo, e a Klabin, de papel e celulose, por exemplo.

As commodities têm os seus preços determinados no mercado financeiro global e, por isso, não são impactadas pelo cenário macroeconômico brasileiro. As empresas exportadoras têm sua renda muito atrelada ao que acontece no exterior e a bolsa, pela sua composição, não sente se o emprego aumenta ou diminui.

No entanto, alguns setores mais específicos que estão diretamente ligados ao consumo doméstico, como o varejo e serviços, costumam ter bastante impacto com a oscilação da taxa de desemprego. Algumas das empresas famosas que têm sua renda atrelada ao consumo dentro do país são Magazine Luiza, CVC e Via, para citar algumas. Esses setores, diferentes dos exportadores, sentem quando o desemprego sobe, porque o consumo cai e suas receitas também são afetadas.

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Para saber se a ação de uma empresa pode ser uma boa opção ou não em momentos de alta no desemprego, é importante saber quanto da sua receita está atrelada ao consumo, para escolher as opções que tendem a se beneficiar do contexto socioeconômico do país. Em cenários de juros mais altos, por exemplo, bancos tendem a ter resultados melhores do que a média.

Avaliar bem o cenário econômico, o setor e a empresa antes de investir é uma regra de ouro. Mas os investidores nunca podem deixar de lado a avaliação de seu perfil, para adequar a composição da carteira à tolerância ao risco e aos prazos e objetivos.

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