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IPCA-15 cai 0,40% em agosto de 2026 e acentua trajetória de alívio na inflação

Deflação do IPCA-15 em agosto, puxada por energia e transportes, faz a inflação acumulada cair para 4,24%

O ritmo da inflação brasileira deu um sinal consistente de arrefecimento em meados deste terceiro trimestre de 2026. Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA-15 apresentou uma queda de 0,40% na leitura mensal de agosto. O resultado veio abaixo das projeções intermediárias do mercado financeiro e representou uma mudança de dinamismo em relação ao avanço de 0,06% apurado em julho.

No acumulado de janeiro a agosto de 2026, o indicador passou a somar uma variação positiva de 3,09%. Já na métrica anualizada de 12 meses, a taxa desacelerou de 4,52% para 4,24%. O patamar reposiciona o indicador oficial de prévia da inflação com folga abaixo do teto fixado para a meta contínua do Banco Central.

Vetores de alívio: o que puxou os preços para baixo

A deflação observada em agosto de 2026 foi disseminada entre grupos estratégicos de consumo da família brasileira, com destaque central para três categorias:

  • Habitação: a retração das tarifas de energia elétrica residencial operou como o principal vetor individual de contenção do índice, impulsionada pelo acionamento de bandeiras tarifárias mais favoráveis e reajustes operacionais das distribuidoras regionais.
  • Transportes: a queda no preço das passagens aéreas e a desaceleração nos preços dos combustíveis na bomba aliviaram sensivelmente o orçamento do setor de serviços e mobilidade.
  • Alimentação e Bebidas: o arrefecimento dos itens de alimentação no domicílio — favorecido pelo pico das safras e maior oferta de hortifrúti — contribuiu para devolver margem de poder de compra às famílias de menor renda.

Para a coleta do IPCA-15 de agosto, o IBGE mensurou as variações de preços entre os dias 16 de julho e 14 de agosto de 2026, tomando como base os patamares praticados entre 17 de junho e 15 de julho. O levantamento abrange famílias com rendimentos de 1 a 40 salários mínimos nas principais regiões metropolitanas do país.

Cenário macroeconômico e desdobramentos para a taxa Selic

A leitura negativa do IPCA-15 traz insumos cruciais para as próximas deliberações do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Embora a autoridade monetária mantenha uma postura vigilante em relação ao núcleo de serviços e às expectativas de longo prazo, a acomodação do índice cheio reduz a pressão de alta sobre as taxas futuras de juros na B3.

A sustentabilidade dessa trajetória de queda depende, contudo, de fatores exógenos, como a volatilidade do câmbio e os preços internacionais do petróleo, além do comportamento das contas públicas no encerramento do ano fiscal.

*Matéria publicada originalmente em IstoÉ Dinheiro, parceiro de B3 Bora Investir

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