JPMorgan mantém Brasil entre favoritos com lucro resiliente no país
Banco destaca resistência dos resultados brasileiros, apesar dos juros elevados e das incertezas macroeconômicas
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O JPMorgan mantém o Brasil entre seus mercados emergentes preferidos, apoiado pela resistência dos resultados corporativos. As empresas brasileiras que já divulgaram balanços do terceiro trimestre registraram crescimento médio de 7% no lucro líquido, com mais resultados acima das expectativas do que abaixo.
O desempenho ocorre em um ambiente doméstico mais desafiador. Para o banco, os juros elevados e as incertezas macroeconômicas limitam o espaço para uma valorização mais expressiva das ações no curto prazo.
No conjunto de companhias analisadas do MSCI Emerging Markets, o lucro líquido avançou 57% na comparação anual. A tecnologia asiática concentrou parte relevante desse crescimento.
Lucros sustentam avaliação sobre mercados emergentes
A temporada de balanços tem reforçado a perspectiva do JPMorgan para as bolsas emergentes, mesmo após a correção das ações relacionadas à inteligência artificial.
O banco considera que as avaliações permanecem historicamente descontadas e que a exposição dos investidores internacionais a esses mercados continua relativamente baixa. Na avaliação dos estrategistas, essa combinação oferece espaço para entrada de recursos.
A conclusão das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos pode reduzir parte da incerteza política global e funcionar como um catalisador para as bolsas, conforme o relatório.
PRIO e Vibra apoiam resultados no Brasil
O setor de energia tem sido o principal suporte à temporada de balanços brasileira. O JPMorgan destaca PRIO (PRIO3) e Vibra (VBBR3) entre os resultados positivos.
No segmento de materiais, a Vale (VALE3) continua pressionando o desempenho agregado. Ainda assim, a mineradora apresentou Ebitda ligeiramente superior às estimativas do banco e ao consenso do mercado, com destaque para a divisão de cobre.
Os setores industrial e financeiro registram crescimento anual dos lucros. Nos bancos, porém, os investidores acompanham a desaceleração do crédito e o risco de pressão sobre as margens financeiras diante de carteiras mais conservadoras.
Semicondutores mantêm fundamentos sólidos, diz JPMorgan
Apesar da queda recente das ações de IA, o JPMorgan considera que os fundamentos das principais fabricantes de semicondutores permanecem sólidos.
Samsung Electronics e SK Hynix apresentaram resultados superiores às expectativas. A TSMC também superou as projeções, e os balanços reforçaram perspectivas favoráveis para a demanda relacionada à inteligência artificial até pelo menos 2028.
A força desses resultados sustenta parte da avaliação positiva sobre os emergentes. O relatório identifica sinais de melhora em outros segmentos, reduzindo a dependência exclusiva da tecnologia para o avanço dos lucros.
México se destaca e revisões para 2027 seguem positivas
Na América Latina, as empresas mexicanas analisadas registraram alta de 28% no lucro líquido anual. A mineração e a petroquímica contribuíram para o resultado, acompanhadas pelo setor de construção.
Para 2027, as revisões das estimativas de lucro dos emergentes permanecem positivas, embora tenham perdido intensidade. A Índia apresenta melhora nas projeções, enquanto Coreia do Sul e Taiwan continuam liderando os aumentos esperados nos resultados.
Na estratégia global, o JPMorgan mantém exposição acima da média em Brasil, China, Coreia do Sul e Taiwan. A preferência se estende a África do Sul, Grécia, Peru e Malásia.
Para o mercado brasileiro, a tese combina preços descontados e crescimento dos lucros com potencial de entrada de capital estrangeiro. A trajetória dos juros e do crédito permanece entre os fatores que podem limitar esse movimento.
*Matéria originalmente publicada em IstoÉ Dinheiro, portal parceiro de Bora Investir