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Bancos vão investir R$ 3 bilhões em IA e dados neste ano e prometem ser mais agressivos em 2027

Cibersegurança também se destacou como um dos pilares de investimentos em tecnologia para os bancos

Os bancos brasileiros vão destinar aproximadamente R$ 3 bilhões em investimentos para inteligência artificial, analytics e big data em 2026. O montante é 8% maior se comparado com os R$ 2,76 bilhões no ano passado.

O valor faz parte dos R$ 50,4 bilhões que o setor projeta gastar em tecnologia neste ano, releva a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, feita pela consultoria Deloitte e apresentada na Febraban Tech 2026.

O crescimento de um dígito destoa da agenda tecnológica. Considerado modesto, foi um dos mais questionados pelo mercado. Observando a migração para a nuvem (cloud), por exemplo, o salto deve ser de 30% em um ano, chegando a R$ 3,9 bilhões em 2026.

Para Sergio Biagini, sócio-líder de Banking & Capital Markets da Deloitte, o crescimento de apenas 8% nestes investimentos não está fora do esperado. O motivo é que existem alguns fatores que devem ser equacionados antes de avançar na agenda de IA e principalmente IA generativa, segundo o executivo. “Para você processar IA precisa estar com uma infraestrutura redonda e uma arquitetura de dados muito bem calibrada”, pontua.

Mas para 2027, a visão é construtiva. Biagini acredita que os números serão agressivos.

O que pode impulsionar a expansão

Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, avalia que a inteligência artificial já passou da fase de experimentação. Para ele, estamos no caminho da consolidação.

“O primeiro momento foi quantitativo, colocamos muitos modelos na rua. Agora a gente começa a olhar quais destes fazem mais sentido, começa uma otimização”, comenta o executivo. Para Mulinari, existe uma preocupação com a questão financeira do uso desses tokens, para ver se a conta fecha ou se modelos abertos podem puxar o custo para baixo.

A pesquisa também reforçou o olhar de que o setor financeiro se prepara para uma escalada na inovação, por meio de profissionais mais qualificados. O investimento em capacitação de funcionários em IA generativa cresceu 31% em 2026, para R$ 29,4 milhões. A inteligência artificial é considerada habilidade prioritária nas estratégias de requalificação dos bancos, seguida pela cibersegurança.

Já entre os principais impactos do uso de IA, a pesquisa destacou a eficiência. Em 92% dos bancos, houve aumento de velocidade na execução de tarefas rotineiras, enquanto 52% apontaram redução de custos, melhorias na análise de dados e menor tempo de resposta ao cliente.

Ainda segundo o estudo, os agentes de IA já são usados por 52% das instituições financeiras, mas apenas 16% conseguem capturar valor real.

Cibersegurança nos conselhos de administração

Enquanto os investimentos em IA somam quase R$ 3 bilhões, a cibersegurança tem um peso maior no orçamento dos bancos. A Febraban estima que aproximadamente 10% do total investido em tecnologia em 2026, em torno de R$ 5 bilhões, é destinado a cibersegurança, que se tornou a prioridade principal para 100% dos bancos.

Na governança corporativa das empresas, a segurança digital também tem uma função importante. Segundo a pesquisa, 58% das instituições já contam com pelo menos um especialista em cibersegurança nos conselhos de administração.

“É difícil comparar com outros setores, mas pela experiência é o maior do mercado”, avalia Mulinari. Para ele, existe uma preocupação muito grande por parte dos bancos de ter pessoas estratégicas de cibersegurança nos conselhos.

De acordo com a pesquisa, a cibersegurança não é um pilar isolado e está integrada a outros fatores como prevenção de fraudes e lavagem de dinheiro, assim como atuação conjunta na resposta de incidentes (40%) e compartilhamento de informações entre equipes (36%).

“A cibersegurança é um eixo central e prioritário da agenda tecnológica dos bancos e avança de forma integrada às estratégias de prevenção a fraudes e proteção dos clientes”, afirma Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.

Principais desafios em cibersegurança para 2027

Questionados pelo Bora Investir sobre os desafios que devem marcar a agenda de cibersegurança em 2027, os executivos responsáveis pela pesquisa destacam o uso de IA pelos criminosos.

Para Mulinari, a inteligência artificial está sendo usada para os dois lados. “Você tem fraudadores utilizando IA para burlar o sistema bancário e instituições utilizando IA para prever, identificar e mitigar estas fraudes”, pontua.

Segundo o executivo, a tendência é um uso cada vez mais massificado da tecnologia em autenticação, biometria comportamental e análise preditiva das transações.

Ele exemplifica com uma transação para um destinatário nunca antes feita. O banco tenta identificar se é uma possível fraude, mesmo que o cliente não tenha noção deste processo.

Mulinari reforçou, contudo, que tecnologia não se resolve sozinha. “Por mais tecnologias que a gente use, se a gente não tiver o cliente consciente do seu uso, não adianta”, afirmou.

Segundo Eduarda Davidovic, diretora de Inovação e Tecnologia Bancária da Febraban, as principais prioridades de investimento em cibersegurança em 2027 devem incluir autentificação multifator, liderando com 88%, seguida por monitoramento preditivo de transações (76%), biometria comportamental (60%) e uso de IA e machine learning na detecção de fraudes (56%).

Computação quântica no radar

Ainda distante, mas já no radar dos bancos, está a computação quântica. A Febraban aponta que 71% das instituições financeiras considera esta tecnologia relevante, destes 29% já possuem computação quântica como um pilar atualmente, 14% projetam relevância em até dois anos e 28% possuem esta como um fator no médio e longo prazo. Entre os pontos de destaque estão a criptografia e segurança da informação pós-quântica.

Para Mulinari, a expectativa é que em 2029 surjam as primeiras aplicações voltadas inicialmente à segurança. Mas acadêmicos divergem e consideram que isso deve ocorrer apenas em 2035.

 “Olhando o segmento bancário, que possui mais investimentos em tecnologia, provavelmente será um dos primeiros ou o primeiro setor a utilizar computação quântica no Brasil”, destaca.

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