Cashback ou milhas: qual compensa mais na hora de usar o cartão de crédito?
Vantagens atreladas ao uso do cartão podem ser aliadas na hora de organizar as finanças
Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
Os benefícios oferecidos pelo cartão de crédito, como milhas e cashback, são modalidades que auxiliam o consumidor a manter uma boa gestão dos gastos mensais e a fazer do cartão um aliado para a manutenção da saúde financeira.
Antes de tudo, é preciso considerar algumas particularidades de cada um. As vantagens proporcionadas precisam se adequar ao padrão de consumo de cada um, a fim de gerar maior custo-benefício.
Como funciona cada benefício
O cashback possui a vantagem da praticidade. O mecanismo funciona como uma restituição de uma fração do valor de uma compra no cartão de crédito, atuando de forma automática, sem necessidade de maior planejamento de longo prazo ou acúmulo de pontos (o que pode variar a depender da modalidade do benefício e das condições do cartão).
As milhas, por sua vez, são geradas por meio de programas de fidelidade que permitem o acúmulo de pontos por meio do uso contínuo do cartão de crédito. Esse benefício é geralmente usado para angariar redução no preço de passagens aéreas, mas também pode ser convertido em descontos em outros produtos e serviços, como na compra de eletrodomésticos e outros utensílios, por exemplo.
Qual oferece melhor retorno
Com atuações e propostas distintas, o grau de efetividade desses dois benefícios poderá variar a depender do perfil de consumo do usuário.
Para alguém que viaja ou que concentra gastos maiores no cartão, os programas de fidelidade atrelados às milhas tendem a ser uma opção proveitosa, ao considerar que, após determinado período, haverá um montante acumulado de pontos que pode ser convertido em descontos na compra de bens e utilização de serviços.
Já o cashback oferece a conveniência de um retorno praticamente automático gerado sobre os gastos no cartão de crédito, o que possibilita uma maior previsibilidade e capacidade de agência no curto prazo em relação às finanças.
“O cálculo do cashback é bem direto: se você tem um cashback de 1% e gasta R$ 1.000,00, então você vai receber R$ 10 de volta na sua fatura, ou em algum fundo de investimento do banco emissor, prática conhecida como investback, a depender da política do cartão”, explica o planejador financeiro Kelvin Saegussa.
“A milha tem um caminho mais longo. Você pode receber pontos pelo seu cartão do banco e trocar por um liquidificador diretamente no programa de fidelidade do banco. Nesse caso, esse ponto vai ter um preço a depender da conversão daquele produto especificamente.”
Nesse aspecto, o planejador cita que uma comparação efetiva entre os dois deve ser feita com base na conversão do valor de uma unidade de milha, o que varia a depender do tipo de programa ou mesmo da instituição financeira/bandeira atrelada ao cartão.
Tomando o exemplo de um indivíduo com uma fatura que gira em torno de R$ 1.000,00, num programa que gera 2 pontos a cada dólar gastado (considerando o dólar num patamar de R$ 5). Isso geraria um total de 400 pontos por mês (1000/5 = US$ 200 x 2 pontos = 400).
Em uma situação hipotética, em um programa que gere um bônus de 100% na transferência para a companhia aérea, esses mesmos 400 pontos virariam 800 milhas. Se, para efeito de comparação, cada milheiro (o equivalente a mil milhas) tiver um valor de R$ 10, ao final, o resultado seria um retorno equivalente a R$ 8, inferior aos R$ 10 gerados pelo cashback em circunstância similar.
Isso, porém, não significa que o cashback é sempre a melhor opção. Saegussa ressalta que o uso de milhas demanda um planejamento maior por parte do investidor, e que, quando bem calculado, seus ganhos tendem a superar aqueles proporcionados pelo cashback.
Para o planejador, as milhas representam uma alternativa mais viável para aqueles que costumam concentrar gastos no cartão, o que possibilita acesso a melhores programas e vantagens.
“Para quem gasta pouco no cartão, a ponto de demorar anos para juntar o mínimo necessário para uma boa transferência, a previsibilidade do cashback compensa mais”, diz.
“Se existe um gasto mensal mais elevado, e se há disposição para acompanhar promoções de transferência, tabelas de bonificação e calcular o melhor resgate de passagem, as milhas podem render um retorno significativamente maior que o cashback. Mas é importante ter em mente que isso exige um esforço ativo”, acrescenta.
Como evitar armadilhas
A primeira noção a se ter em mente é que essas modalidades são atreladas especificamente ao uso do cartão de crédito. O consumidor deve ter cautela para usar o cartão com comedimento e evitar excessos somente para conquistar os benefícios, o que pode levar a um aumento de gastos para um nível além do permitido pelo orçamento, abrindo margem para o endividamento.
A anuidade também é uma questão. A depender do valor, os ganhos proporcionados pelo cashback, por exemplo, podem ficar bastante reduzidos ou praticamente anulados.
Em ambos os casos, a atenção aos prazos também é essencial. Algumas modalidades de cashback, assim como a transferência de milhas, exigem do consumidor um resgate do benefício dentro de um prazo estipulado.
No caso específico da transferência dos pontos para os programas de milhagem, é importante comparar os prazos para uso e resgate desses pontos, já que, em geral, as companhias aéreas tendem a ter uma validade menor para o uso das milhas.
“Os pontos acumulados nos bancos costumam ter uma validade de até 60 meses, superior aos prazos de 24 e 36 meses de algumas companhias aéreas. Ao fazer transferência só para não perder os pontos, você pode acabar trocando uma validade longa por uma mais curta. O ideal é converter em milhas quando houver uma passagem planejada para os próximos meses”, diz Saegussa.