Mercado

Chris Egan reforça conexão do Brasil com os mercados globais e destaca papel da B3 no desenvolvimento do ecossistema financeiro

CEO afirma que próxima etapa de desenvolvimento do mercado brasileiro passa por maior integração internacional, tecnologia, confiança e fortalecimento do ecossistema de capitais

A ampliação da conexão entre o Brasil e os mercados globais foi uma das principais mensagens da abertura da B3 Week 2026, principal encontro da B3 com investidores internacionais, provedores globais de liquidez, participantes de mercado, reguladores e especialistas da indústria financeira. Ao abrir o evento, o CEO da B3, Chris Egan, defendeu que a próxima etapa de desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro dependerá da combinação entre tecnologia, confiança, proximidade com os clientes e maior integração internacional.

A edição deste ano ocorre em um momento de transformações aceleradas na indústria financeira e reúne participantes locais e internacionais para discutir temas como tokenização de ativos, inteligência artificial, negociação 24×7, infraestrutura de mercado, dados, produtos de investimento e atração de capital para o Brasil.

Em seu discurso, Egan destacou que a missão da B3 vai além da operação dos mercados e passa por fortalecer a conexão entre o Brasil e os fluxos globais de capital. O CEO reafirmou seu otimismo com o país. “Nossa missão é conectar o Brasil ao mundo e o mundo ao Brasil. Nas duas direções e ao mesmo tempo. Estamos trabalhando para ampliar o acesso dos investidores globais às oportunidades do mercado brasileiro e, ao mesmo tempo, oferecer aos investidores brasileiros mais caminhos para acessar empresas, setores e mercados internacionais. Se o Brasil continuar crescendo, modernizando sua infraestrutura financeira e atraindo mais capital, a B3 terá um papel importante nesse processo”, afirmou.

Segundo o executivo, essa integração já acontece na prática. Atualmente, investidores não residentes respondem por quase metade do volume negociado no mercado de ações da B3, o que comprova a relevância crescente do mercado brasileiro para participantes globais. Ao mesmo tempo, investidores brasileiros têm acesso a uma oferta crescente de produtos internacionais por meio da bolsa brasileira, que conta hoje com mais de 800 BDRs e mais de 300 ETFs listados na B3, ampliando o acesso a empresas, setores, geografias e estratégias de investimento globais.

“Hoje, um investidor brasileiro pode acessar empresas, setores e mercados globais sem sair da B3. Ao mesmo tempo, estamos tornando cada vez mais simples para investidores internacionais participarem do mercado brasileiro”, afirmou Chris Egan.

Infraestrutura que sustenta o mercado brasileiro

Durante sua apresentação, Egan reforçou a relevância da B3 para o funcionamento da economia e do mercado financeiro brasileiro. “Hoje, cerca de 10 milhões de negócios passam diariamente pelos nossos mercados. Somos uma das cinco maiores bolsas de derivativos do mundo, registramos aproximadamente R$ 20 trilhões em instrumentos de balcão, administramos serviços de compensação, liquidação, depositária, registro e dados e contamos com mais de seis milhões de investidores no mercado de ações. Esses números refletem a relevância do mercado de capitais para o crescimento econômico do país e a responsabilidade que temos de continuar evoluindo”, afirmou Chris Egan.

O executivo ressaltou que o papel da companhia vai muito além dos ambientes de negociação. Há mais de 130 anos, a B3 atua como infraestrutura essencial para o funcionamento dos mercados, oferecendo serviços que sustentam a circulação de investimentos e o financiamento da economia.

“Somos uma das principais infraestruturas de mercado financeiro do mundo e temos a responsabilidade de continuar evoluindo para acompanhar as transformações da economia e das necessidades dos nossos clientes. A tecnologia mudou ao longo desse período. A nossa responsabilidade não. Temos o compromisso de continuar evoluindo para acompanhar as transformações da economia e as necessidades dos nossos clientes”, afirmou Egan.

O CEO também destacou que grande parte da atuação da companhia ocorre nos bastidores da economia, sem necessariamente ser percebida pelos usuários finais. Somente no primeiro semestre deste ano, por exemplo, cerca de quatro milhões de financiamentos de veículos foram registrados por meio da Trillia, negócio de dados e analytics da B3.

“Grande parte do que fazemos é invisível. E isso é exatamente o que se espera de uma boa infraestrutura de mercado. Quando uma operação é liquidada, um financiamento é registrado ou um investidor acessa o mercado com segurança, existe uma infraestrutura funcionando por trás. Nosso papel é fazer os mercados funcionarem de forma confiável, eficiente e em escala”, destacou.

Clientes, tecnologia, pessoas e confiança

Ao falar sobre o futuro da companhia, Egan resumiu sua visão estratégica em quatro prioridades: clientes, tecnologia, pessoas e confiança.

Segundo o executivo, a B3 pretende ampliar a proximidade com o mercado para compreender com mais profundidade as necessidades de investidores, instituições financeiras e participantes do ecossistema. A proposta é tornar produtos, processos e serviços cada vez mais simples, eficientes e úteis para os clientes.

A tecnologia também foi apontada como um dos principais vetores de transformação da indústria financeira. De acordo com Egan, a capacidade de desenvolver soluções de forma mais rápida, aumentar a eficiência operacional e criar novos mercados será determinante para a competitividade das infraestruturas financeiras nos próximos anos. Atualmente, a B3 conta com 35 LLMs (modelos de linguagem) em seu catálogo de inteligência artificial, aproximadamente 3 mil agentes e já reduziu em cerca de 40% o tempo de entrega de produtos.

“Tecnologia não é uma função de suporte para empresas como a B3. Ela influencia diretamente a velocidade com que inovamos, construímos soluções e criamos oportunidades para o mercado. Mais importante do que os números é o que conseguimos fazer com eles para melhorar a experiência dos clientes e acelerar a inovação”, afirmou.

Outro tema central do discurso foi a confiança, apontada por Egan como elemento essencial para o funcionamento dos mercados.

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