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Mercados financeiros hoje: PIB do Brasil baliza apostas para Selic

No exterior, investidores acompanham falas de dirigentes do Fed

Bolsa. Foto: Pixabay
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O mês de março inicia com a divulgação do PIB brasileiro do 4º trimestre e de 2023, além de índices de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial dos EUA, Europa, China e pesquisa sobre as expectativas de inflação americana. Discursos dos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) Christopher Waller (diretor), Raphael Bostic (regional de Atlanta), e Adriana Kugler (diretora) serão acompanhados em meio ao cenário de crescente aposta no início de corte de juros em junho no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa em Kingstown, São Vicente e Granadinas, de reuniões com os presidentes da Colômbia, Venezuela, Bolívia, com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, e irá à abertura da 8ª Cúpula de Chefes de Estado e Governo da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenos (Celac). Entre os eventos locais, o diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, faz palestra, enquanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, participa de reunião extraordinária virtual do CMN.

Bolsas sobem no exterior

As bolsas europeias sobem na maioria após dados de PMIs da Alemanha, Zona do Euro e do Reino Unido acima das previsões, embora orbitando ainda na zona de contração, enquanto a inflação ao consumidor anual na zona do euro em fevereiro veio levemente acima das projeções dos analistas e a taxa de desemprego caiu a 6,4% em janeiro, como o previsto. Em Nova York, os juros dos Treasuries passaram a cair, o dólar roda perto da estabilidade frente outros pares rivais e os índices futuros das bolsas perdem força, com realização de lucros após subirem ontem com balanços corporativos robustos do quarto trimestre, e fechando o mês de fevereiro com salto de 6% do Nasdaq, enquanto o S&P teve avanço de 5,17% em fevereiro e o Dow Jones, de 2,22%.

Investidores operam na expectativa pelos indicadores americano e falas de dirigentes do Fed. Ontem, a leitura do PCE dos EUA de janeiro dentro da previsão e discursos de dirigentes do banco central americano não alteraram a expectativa de que o Fed vai esperar até junho para começar a cortar os juros.

Na China, os índices acionários subiram diante de PMIs mistos, com o dado oficial em baixa em fevereiro e a leitura do setor privado em alta, e à espera de anúncio de novas medidas de estímulo durante as reuniões plenárias anuais do governo de Pequim, na próxima semana. O Commerzbank ressaltou em nota que os dados de manufatura chineses têm perfis diferentes e que a leitura oficial é mais abrangente. E para analistas do HSBC, autoridades em Pequim deverão assumir uma postura fiscal mais proativa, durante as chamadas sessões plenárias anuais, e oferecer um plano mais concreto para sustentar as bolsas chinesas, que enfrentaram turbulências recentes.

No Brasil, investidores de olho no PIB

Os mercados iniciam os negócios digerindo o resultado do PIB do País, que subiu 2,9% em 2023. No quarto trimestre, houve estabilidade na comparação com o trimestre imediatamente anterior. A queda dos futuros em NY pode afetar o Ibovespa, bem como o recuo de 1,75% do minério de ferro em Dalian na China, que também tende a pesar em Vale. Mas alta do petróleo pode apoiar ações da Petrobras, após perdas acumuladas em fevereiro.

Ainda, as teleconferências sobre os resultados trimestrais de Copel e MRV, divulgados ontem à noite, vão repercutir no pregão. O recuo dos rendimentos dos Treasuries pode trazer alívio à curva de juros e ao dólar bem como expectativas de potenciais estímulos da China na próxima semana, mas os ajustes podem depender ainda da reação ao PIB. Uma reunião do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, com representantes de bancos e da Febraban, às 10 horas, embora seja fechada à imprensa, ficará na mira dos investidores dadas as incertezas sobre o ciclo da política monetária do BC e dos EUA.

A possibilidade de o Federal Reserve começar a cortar os juros apenas em junho ou à frente tem aumentado a preocupação no setor sobre a Selic terminal em um quadro de inadimplência alta nas carteiras de crédito das instituições financeiras. Sobre a questão fiscal, o Movimento Desonera Brasil, que representa 17 entidades de setores econômicos, propõe ao Executivo que o tema da oneração da folha de pagamentos seja discutido no âmbito da reforma tributária, em contraproposta ao Projeto de Lei da Reoneração 493/2024, protocolado pelo Executivo na Câmara dos Deputados

*Agência Estado

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