Mercado

Zona do Euro segue EUA e eleva juros para 3,25% ao ano

Apesar de ser o menor aumento desde o início do ciclo de aperto monetário para conter a inflação persistente, autarquia sinaliza que provavelmente ainda há mais por vir

Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, uma mulher branca de cabelos brancos e óculos discursa em frente a um painel
A presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde: decisão vai ao encontro das expectativas do mercado e leva a taxa ao maior patamar desde 2008. Foto: Divulgação

Por Redação B3 Bora Investir

A semana, marcada por decisões de política monetária dos principais bancos centrais do mundo, termina com o Banco Central Europeu (BCE) elevando mais uma vez a sua taxa de juros. Apesar de ser o menor aumento desde o início da batalha da autarquia para conter a inflação persistente, o BCE sinalizou que provavelmente ainda há mais por vir.

Nesta quinta-feira, 04/05, a taxa de juros de referência (taxa de depósito) na zona do Euro avançou 0,25 ponto percentual, para 3,25%. A alta acontece após três movimentos consecutivos de 0,5 ponto percentual nas reuniões anteriores. A decisão vai ao encontro das expectativas do mercado e leva a taxa ao maior patamar desde 2008.

+ Queda da Selic à vista? É hora de investir no Tesouro Prefixado?

No comunicado, o Banco Central Europeu afirmou que essa e as próximas decisões têm por objetivo levar a meta de inflação para 2% no médio prazo. Também aponta que serão mantidas nesses níveis pelo tempo que for necessário. “O Conselho do BCE continuará a seguir uma abordagem dependente de dados para determinar o nível apropriado e a duração da restrição.”

O economista-chefe do banco Master, Paulo Gala, explica que o BCE está um pouco atrasado na elevação dos juros em relação aos Estados Unidos, pois começou o ciclo de ajustes mais tarde. No entanto, é importante notar que o discurso de dificuldades em levar a inflação para a meta é semelhante.

“O Banco Central Europeu deve levar essa taxa até 4%. Ainda há o discurso que a inflação está alta e o último dado mostra isso: o índice de preços em 7% aponta para uma inflação bastante salgada”.

Novas tensões bancárias e juros EUA

Ainda no noticiário internacional, a repercussão da decisão do Federal Reserve (Fed) de elevar a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual se soma a novas tensões no setor bancário. As ações do PacWest Bancorp, banco regional americano de médio porte, estão em queda livre desde uma reportagem da Bloomberg afirmar que a instituição estuda uma possível venda. O banco confirmou que foi procurado por potenciais investidores.

A angústia do mercado financeiro sobre a saúde dos bancos regionais americanos segue alta desde o início do ano. Nesta semana, o JP Morgan adquiriu a maior parte dos ativos e depósitos do First Republic Bank (FRB), após sua falência na última segunda-feira, 01/05. A quebra do FRB configura a segunda maior para um banco da história dos Estados Unidos e se soma à falência do Silicon Valley Bank (SVB), Signature Bank e Silvergate Bank. Importante notar que o FRB tem cerca de US$ 44 bilhões em ativos, ante mais de US$ 200 bilhões do SVB,

Os bancos americanos menores estão sob pressão após as constantes altas de juros promovidas pelo Fed, o que afetou o preço dos seus títulos e a rentabilidade dos investimentos privados. Em discurso após a decisão de apertar novamente a política monetária, o presidente do Fed, Jerome Powell, voltou a afirmar que o sistema bancário americano é sólido.

“A fala do Powell começa a ser questionável, ainda mais com dois novos bancos na linha de tiro para quebrar. Tem o PacWest, da Califórnia, e o First Horizon, que estava para ser comprado por um banco canadense, e cujas ações chegaram a cair 60%. Caso haja uma nova falência, seria o quinto banco a quebrar nesse choque de juros. É uma situação complicadíssima”, explica Paulo Gala.

Brasil: Selic permanece em 13,75% a.a.

No Brasil, como esperado pelos economistas, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros, Selic, em 13,75% ao ano.

O comunicado reforçou o pedido de “paciência e serenidade na condução da política monetária” para levar a inflação à meta. Em outro ponto, os membros do Banco Central fizeram acenos à equipe econômica do governo em relação aos progressos na política fiscal.

Para o economista-chefe da XP, Caio Megale, as falas do Copom mostram que o comitê deve manter o cenário de Selic estável para os próximos meses. “Em nossa visão, à medida que a inflação global desacelere e a demanda doméstica perca força, o Copom iniciará um ciclo de flexibilização gradual no segundo semestre. Antevemos um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de agosto, seguido de sucessivos cortes de 0,50 ponto percentual até a Selic atingir 11% no primeiro semestre de 2024”.

Para entender mais sobre investimentos macroeconomia, confira os conteúdos gratuitos do Hub de Educação Financeira da B3.

Sobre nós

O Bora Investir é um site de educação financeira idealizado pela B3, a Bolsa do Brasil. Além de notícias sobre o mercado financeiro, também traz conteúdos para quem deseja aprender como funcionam as diversas modalidades de investimentos disponíveis no mercado atualmente.

Feitas por uma redação composta por especialistas em finanças, as matérias do Bora Investir te conduzem a um aprendizado sólido e confiável. O site também conta com artigos feitos por parceiros experientes de outras instituições financeiras, com conteúdos que ampliam os conhecimentos e contribuem para a formação financeira de todos os brasileiros.

Últimas notícias