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O que é Investimento Estrangeiro Direto (IED) e o que ele revela sobre a economia do Brasil?

País foi o quinto maior destino de IED em 2025, com um total de US$ 77 bilhões, ante US$ 63 bilhões em 2024

Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
O Brasil foi, em 2025, o quinto maior destino de Investimento Estrangeiro Direto (IED), segundo dados compilados pela ONU Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD). Com um montante estimado em US$ 77 bilhões, o país desponta na liderança isolada dentro da região que engloba a América Latina e o Caribe, que recebeu um total de US$ 187,5 bilhões. 

Mas, na prática, o que esse número significa para a economia brasileira?

O IED representa o fluxo de capital estrangeiro investido dentro de um setor ou empresa específico em um país na intenção de gerar uma parceria de longo prazo.

Esse fluxo de capital possibilita, por exemplo, a modernização da base produtiva, além de transferência de tecnologia e fortalecimento da economia e do comércio exterior. O lado investidor, por sua vez, recebe o retorno em expansão de mercados, menor custo de mão de obra e lucros e dividendos oriundos do investimento.

E é justamente o mercado doméstico de grande escala, aliado a uma economia relativamente estável, que coloca o Brasil numa posição de vantagem perante seus pares latino-americanos, como México, Chile e Argentina. 

“Historicamente, o Brasil capta por volta de 50% do total do IED no mercado latino-americano, muito em função do volume da economia”, afirma Guilherme Skaf Amorim, Diretor de Corporate Venture Capital do Grupo Marista.

O mercado brasileiro apresenta também vantagens do ponto de vista regulatório. Skaf explica que o país apresenta uma regulamentação e uma legislação estruturadas, o que permite o fortalecimento institucional e gera credibilidade.

O elemento geopolítico também joga a favor do Brasil: por sua posição relativamente neutra no xadrez político global, o país se posiciona como um destino estável para o capital estrangeiro, sendo pouco suscetível a tensões comerciais e conflitos com outras nações, fatores apontados pela UNCTAD como alguns dos principais desafios para o investimento estrangeiro em 2026.

Principais efeitos no Brasil

No contexto brasileiro, Amorim ressalta que os resultados proporcionados pelo investimento tendem a fomentar diretamente a empregabilidade, ao estimular o mercado de trabalho e a criação de novas vagas. 

“A empregabilidade é diretamente proporcional ao aumento ou a diminuição do IED. Ele possibilita novas obras em infraestrutura, que movimentam toda uma cadeia de diferentes profissionais. O mesmo nos setores de tecnologia e energia.”

Ele também atua diretamente sobre o mercado de fusões e aquisições (M&A), ao criar um ambiente favorável para que agentes internacionais atuem em conjunto com players nacionais. 

A prática é particularmente favorecida pela taxa de câmbio, em que o real encontra-se numa posição de desvalorização perante moedas fortes como o dólar e o euro. Nas palavras do especialista, esse panorama faz com que os ativos brasileiros sejam “baratos” para o investidor estrangeiro, tornando-os mais atrativos para o setor.

“No mercado de tecnologia, que é a minha área, existem fundos de investimento internacionais que têm como tese específica investir em empresas latino-americanas, especialmente brasileiras. Isso faz com que você tenha dólares entrando no mercado nacional, um afrouxo da pressão de desvalorização cambial frente à moeda estrangeira e você tem empregabilidade. A espiral positiva que a gente tem na economia é direta.”

Para o investidor, as vantagens estão nas perspectivas de retorno possibilitadas pelo investimento. Esse resultado se dá por lucros e dividendos oriundos da expansão econômica no longo prazo proporcionada pelo IED, além das perspectivas oferecidas por setores considerados promissores.

IED como termômetro para os negócios

Afinal, o IED é uma consequência das políticas fiscais e econômicas de determinado país, ou ele é um fator catalisador para a criação de uma boa estrutura econômica e um ambiente de negócios favorável?

“Eu diria que ele é mais uma consequência do que uma causa. Pensando no tripé juros, balança comercial e inflação, que é o basilar da economia, mantendo essas variáveis estáveis, equilibradas, você tem como resultado uma economia saudável, e o reflexo dela acaba sendo um maior volume de investimento estrangeiro”, diz Amorim.

Essa avaliação de economia saudável não necessariamente diz respeito aos países desenvolvidos. 

Na visão do investidor, um país em desenvolvimento do Sul Global, com uma economia mediana, mas estabilizada, pode representar uma oportunidade para investimentos, com potencial de expansão econômica no longo prazo.

“É possível comparar com uma empresa. Uma grande corporação, com uma receita operacional bruta, faturamento enorme, mas altamente endividada, pode gerar um resultado negativo. Enquanto uma empresa pequena, com faturamento pequeno, mas equilibrada nas suas despesas, tende a ter um resultado superavitário. É algo que diz muito sobre gestão”, declara Amorim.

Nesses termos, o especialista cita que as perspectivas negativas para as notas de risco de crédito no Brasil, somadas ao rebaixamento da recomendação dos ativos brasileiros pelo J.P. Morgan e ao grau de incerteza típico de um ano eleitoral, podem criar um impacto nos resultados deste ano.

A UNCTAD chama atenção para os riscos envolvidos na concentração dos fluxos de IED nas 20 principais economias mundiais, que respondem por mais de 80% desse total, e menciona que o investimento deve atuar para diversificar as economias e proporcionar o crescimento de atividades e setores de alto valor agregado. No cenário latino-americano, isso significa acompanhar resultados, fortalecer a integração econômica regional e também evitar a dependência excessiva de investimentos ligados a commodities.

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