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FIIs em garantia e termo ampliam opções ao investidor

B3 disponibiliza 164 FIIs no mercado a termo e aceita cotas como garantia em operações

Com Clube FII

Clube FII é uma plataforma especializada em investimentos imobiliários, focada em análise, acompanhamento e organização do portfólio do investidor.

A aceitação de fundos imobiliários (FIIs) como garantia e a expansão das operações a termo ampliaram as possibilidades de negociação desses ativos na B3. A mudança permite que cotas de FIIs sejam utilizadas como garantia em determinadas operações e que investidores contratem compras para liquidação futura, mediante o cumprimento das exigências e dos custos previstos. O mercado a termo conta atualmente com 164 fundos imobiliários habilitados, após a inclusão de 99 novos ativos, conforme detalhado por Thalita Fornes, Head Sales Produtos Listados da B3, em entrevista ao Clube FII.

FIIs passam a ser aceitos como garantia

A aceitação dos fundos imobiliários como garantia pela B3 ampliou as possibilidades de uso das cotas em operações no mercado. Segundo Thalita Fornes, Head Sales Produtos Listados da B3, a mudança permite que o investidor utilize FIIs de sua carteira para cumprir exigências de garantia em determinadas operações, em vez de recorrer apenas a dinheiro ou ações. A medida atende também investidores com carteiras concentradas em fundos imobiliários, pois, com os FIIs aceitos como garantia, essas posições podem ser utilizadas para viabilizar outras operações, como compras de ativos e estratégias que envolvam alavancagem.

“É sim uma facilidade para o investidor, porque quando você consegue colocar o seu ativo em garantia, você libera as suas posições para que você consiga vender ativos, para que você consiga, eventualmente, uma alavancagem na compra de um outro produto. Então, sem dúvida, é um baita diferencial e é uma melhoria que retroalimenta a liquidez dos fundos imobiliários”, aponta a especialista.

A entrevista também aborda o mercado de empréstimo de cotas. Nele, investidores podem disponibilizar seus FIIs para empréstimo e receber uma remuneração pela operação. As cotas emprestadas podem ser utilizadas por outros participantes em estratégias que envolvam posições vendidas. Um dos exemplos citados é o long and short, em que o investidor mantém uma posição comprada em um ativo e uma posição vendida em outro, com expectativa de desempenho relativo entre os dois fundos, e não necessariamente à queda do ativo vendido.

Mercado a termo permite compra de FIIs a prazo

A ampliação do mercado a termo foi apresentada na entrevista como uma etapa posterior à aceitação dos FIIs em garantia e ao desenvolvimento do mercado de empréstimo. Inicialmente, poucos fundos estavam disponíveis para esse tipo de operação. Agora, outros 99 ativos foram adicionados, levando o total a 164 FIIs habilitados para operações a termo. “Toda vez que a gente fala que uma operação é a termo, você pode, com uma licença poética aqui, falar que é uma operação a prazo. Isso já facilita muito para o investidor”, destaca.

No mercado a termo, o investidor pode contratar hoje a compra de um fundo para liquidação em uma data futura. Para realizar a operação, precisa apresentar as garantias exigidas pela corretora e pela infraestrutura de mercado. O preço acordado no termo é definido no momento da contratação, incorpora uma taxa referente ao período da operação e, de acordo com a entrevistada, essa taxa tem relação com as condições de juros vigentes. Os prazos podem variar, e a entrevista cita operações com vencimento em 30, 60 ou 90 dias, entre outras possibilidades. A liquidação também pode ocorrer antes do vencimento, mas nesse caso, a taxa contratada permanece a mesma, sem desconto proporcional ao período antecipado, conforme ressaltado pela especialista da B3.

A principal característica da operação é o compromisso assumido pelo investidor. Se o FII se valorizar até o vencimento, o investidor poderá vender o ativo e utilizar os recursos para liquidar o termo. Mas, se a cota cair, o valor estabelecido no contrato continua sendo devido. No exemplo apresentado, uma compra contratada por R$ 105 mil continua tendo esse valor como referência para a liquidação, mesmo que as cotas estejam valendo R$ 95 mil no mercado na data do vencimento, sendo que a diferença representa um risco da operação. “O risco aqui é chegar no vencimento e o fundo imobiliário não ter se valorizado, ele ter caído, as cotas terem se depreciado”, alerta Fornes.

A expansão das operações a termo e a aceitação dos FIIs como garantia ampliam o conjunto de ferramentas disponíveis para o investidor, mas também envolvem compromissos financeiros e condições específicas. No mercado a termo, o investidor assume desde a contratação o valor que deverá ser pago no vencimento, independentemente da variação da cota no período, enquanto o uso dos FIIs como garantia permite utilizar posições já existentes para viabilizar outras operações. Nesse contexto, a escolha da modalidade depende da compreensão sobre prazo, taxa, garantias, liquidação e exposição ao ativo, pontos destacados por Thalita Fornes durante a entrevista ao Clube FII.

*Matéria publicada originalmente em ClubeFII, parceiro de B3 Bora Investir

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