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Gestores de fundos estrelados apontam onde estão (e não estão) investindo agora

Veja o que pensam sobre a economia e os investimentos Luiz Parreiras (Verde), André Jakurski (JGP), Carlos Woelz (Kapitalo), Felipe Guerra (Legacy) e Rodolfo Barreto (Ibiúna)

Painel Multimercados em Foco, na Expert 2023, com Roberto Barreto, da Ibiúna, e Luiz Parreiras, da Verde. Foto: XP/ Divulgação
Painel Multimercados em Foco, na Expert 2023, com Roberto Barreto, da Ibiúna, e Luiz Parreiras, da Verde. Foto: XP/ Divulgação

Por Marília Almeida

As gestoras independentes Verde, Kapitalo, Legacy, Ibiúna e JGP são conhecidas por oferecer fundos que registram desempenhos consistentemente acima de seus índices de referência. Como seus gestores não costumam dar entrevistas, centenas de investidores pararam para ouvir suas perspectivas sobre a economia e onde estão investindo durante a Expert 2023, evento promovido pelo banco de investimento XP.

O Bora Investir realizou a cobertura ao vivo do evento, que foi realizado de quinta-feira, 31/08, a sábado, 2/9, em São Paulo, e compilou o que Luiz Parreiras (Verde), André Jakurski (JGP), Carlos Woelz (Kapitalo), Felipe Guerra (Legacy) e Rodolfo Barreto (Ibiúna) pensam sobre o cenário econômico, além das apostas de seus fundos agora:

Posições atuais

Luiz Parreiras, gestor da Verde, aponta que a gestora tem atualmente posições na bolsa e no crédito high yield. “Gostamos também de nos posicionar nos juros americanos, que estão acima do neutro, mesmo que não haja recessão”.

Já Rodolfo Barreto, gestor da Ibiúna, aponta que os fundos multimercado da gestora têm aplicações em juros no Chile, México e na Coréia. “É nosso grande trade hoje”.

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Felipe Guerra, sócio-fundador e CIO da, da Legacy, diz estar “cinicamente otimista” com o Brasil. Ele acredita que, apesar do início do ciclo de queda da Selic, um eventual fim dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) e pontos inclusos na reforma tributária podem provocar volatilidade no mercado de ações, e tornar o stock picking mais difícil.

“Temos posição em ações que sofrem menos nesse ambiente de mudanças na tributação e outrao mais relevante em crédito privado e Tesouro IPCA+”.

Woelz, da Kapitalo, acredita que adquirir ações nos Estados Unidos no atual ciclo da economia americana é algo difícil de se fazer. “Os papéis estão com preço ruim, mas têm mantido fluxo. Acreditamos que possa ser algo interessante no médio prazo, mas que agora está com o preço inadequado”.

Visões sobre a economia americana

Para Guerra, da Legacy, o ciclo de alta dos juros nos Estados Unidos está no final. Sinais de que isso está acontecendo incluem pedidos de demissão, que diminuíram porque o mercado de trabalho está desacelerando e o nível de salários veio abaixo do esperado.

“Não conseguimos saber quando haverá recessão, mas provavelmente o Fed irá manter a alta dos juros em setembro, e a probabilidade de continuar subindo os juros depois diminuiu bastante. Existe uma chance de contração de vagas nos Estados Unidos no final do ano ou início de 2024”.

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André Jakurski, sócio-fundador da JGP, aponta que muito se fala sobre um pouso suave da economia americana. Porém, sua visão, assim como a de Guerra, é de que a economia dos Estados Unidos irá desacelerar e entrar em recessão ou não vai ter pouso. “Apenas é difícil prever o timing disso”.

Carlos Woelz, sócio-diretor da Kapitalo, afirma que se houver uma desaceleração maior do que a esperada da economia americana os juros nos EUA podem ser cortados de forma acelerada.

Já Parreiras declarou ter uma visão mais otimista do que seus pares sobre a economia americana. “Em 2023, o setor imobiliário está melhor, o de tecnologia entrou em recessão, mas está bombando de novo impulsionado pela inteligência artificial. Portanto, apenas o setor financeiro está meio fraco ainda”. Do lado do consumidor a demanda pode parecer fraca, mas do lado da indústria está melhor, completa. “Talvez o pouso suave seja viável por conta dessa dinâmica”.

Temor com o fiscal

Jakurski aponta que a característica do atual governo federal é ser “gastador”, Contudo, não vê que essa característica possa provocar problemas no curto prazo. “O maior problema é o nosso histórico de juros altos”.

Mas ele aponta que quando se analisa o déficit nominal, a tendência é que aumente ao longo do tempo. “Boa parte da arrecadação pretendida pelo governo até o ano que vem é casuística, não é uma receita recorrente, que vamos ter todo ano. No longo prazo, a conta não fecha, e isso preocupa”.

Para Parreiras, o cenário macroeconômico do pa´ís “parece bem alinhado”. Contudo, ressalta que “o preço da paz é a vigilância eterna”.

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