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Stock picking: 4 passos para escolher melhor suas ações

Stock Picking inclui analisar os fundamentos da empresa, verificar o preço-justo do papel e estudar o contexto macroeconômico

Ibovespa.
Antes de escolher uma ação, é importante definir quais são os objetivos: crescimento de capital, geração de renda ou uma carteira mista

Por Guilherme Naldis

Quando alguém decide investir em ações, a escolha dos papéis é uma decisão muito importante. Afinal, mais do que adquirir um novo investimento, comprar ações significa se tornar sócio de uma empresa. Por isso, o stock picking, ou a seleção de ações, em português, precisa ser feita com muita atenção.

Geralmente, a escolha é feita com uma abordagem que se expande do micro para o macro. Ou seja, primeiro é necessário analisar o negócio da empresa listada na bolsa, depois o setor na qual está inserida para, então, avaliar como o ambiente macroeconômico afeta a companhia e o segmento.

Gustavo Cerbasi, especialista em finanças e sócio da SuperRico, recomenda que os investidores evitem ficar caçando o investimento do momento e pingando de um investimento para outro. “Esse comportamento só aumenta a probabilidade de perdas, pois exige uma mudança constante de estratégia”, ressalta o especialista.

Leia também: Ações: 5 respostas às principais perguntas feitas ao Google.

O que é stock picking?

O processo de stock picking envolve pesquisar e avaliar empresas específicas, com o objetivo de identificar aquelas que apresentam um potencial de crescimento ou valorização no mercado de ações. Os investidores que adotam esta estratégia buscam encontrar papéis que estejam subvalorizados em relação ao seu verdadeiro valor, com base em uma análise fundamentalista das empresas.

Em vez de investir em um fundo de investimento ou em uma cateira lastreada em um índice de mercado, como o Ibovespa no Brasil ou o S&P 500 nos Estados Unidos, os adeptos do stock picking preferem escolher manualmente as ações. Essa estratégia se baseia na crença de que é possível superar o desempenho médio do mercado selecionando ações individuais que têm características específicas e uma perspectiva favorável.

A análise fundamentalista é uma das principais ferramentas utilizadas no stock picking. Ela envolve a avaliação dos fundamentos financeiros da empresa, como sua receita, lucro, fluxo de caixa, estrutura de capital, gestão e perspectivas futuras. Além disso, fatores macroeconômicos, setoriais e concorrenciais também são considerados na seleção de ações.

O objetivo final do stock picking é identificar empresas com sólidos fundamentos financeiros, boas perspectivas de crescimento e uma vantagem competitiva em seu setor.No entanto, é importante ressaltar que o stock picking envolve um maior nível de pesquisa e análise em comparação com outras estratégias de investimento, como a diversificação por meio de fundos de índice. Também é uma estratégia mais adequada para investidores com maior conhecimento e disposição para assumir riscos.

Como fazer stock picking?

A estratégia, que é recomendada para investidores mais experientes em com tempo disponível para gerir suas carteiras, tem alguns passos de execução. Veja!

  1. Definir objetivos

Antes de começar a escolher as ações, é importante definir quais são os objetivos com essa estratégia: crescimento de capital, geração de renda ou uma carteira mista, que envolva os dois.

  1. Fundamentos da empresa 

Analisar os fundamentos da empresa geralmente é uma atividade que requer a ajuda de um especialista ou conhecimento sobre mercado.

“Os fundamentos são indicadores da companhia que, se analisados, garantem certa segurança na hora de aplicar o seu dinheiro”, diz Victor Marques, planejador financeiro CFP pela Planejar.

Entre os fundamentos de uma empresa estão suas perspectivas financeiras, o modelo de negócio, a concorrência, a equipe de gestão, histórico e planos futuros.

  1. Preço-justo

Se a empresa avaliada possui bons fundamentos, é necessário estimar o preço da ação, pois a companhia pode ser muito boa, mas seu preço estar muito alto. “O ideal é identificar empresas com grande valor, mas com preços baratos”, recomenda Marques.

Para descobrir o preço-justo de uma ação é utilizada no mercado uma metodologia de cálculo que toma como base indicadores financeiros do negócio, chamada de valuation.

Leia também: É hora de começar a investir em ações?

  1. Contexto do setor e da economia

Depois disso, é preciso verificar o momento em que o setor da empresa está. Além disso, as variáveis macroeconômicas podem interferir no desempenho do papel, como indicadores das taxas de juros, inflação, câmbio, política fiscal, condições de mercado, desemprego, etc.

  1. Diversificação minimiza riscos

É importante lembrar que a combinação de ações com diferentes características ajuda na diversificação e mitigação dos riscos. “Por isso, é importante escolher empresas de diferentes setores, tamanhos e geografias”, afirma Marques.

O planejador financeiro destaca que também é importante monitorar e acompanhar o desempenho das ações na carteira, bem como as alternativas disponíveis. “É preciso verificar se as análises feitas se mantêm ao longo do tempo ou se é necessário fazer alterações de objetivos e estratégias”, conclui.

Stock picking: vantagens e desvantagens

É importante lembrar que diferentes estratégias de investimento funcionam melhor para diferentes pessoas. Algumas têm sucesso com o stock picking, enquanto outras preferem investir em fundos de índice ou outros veículos de investimento mais diversificados. A decisão precisa levar em consideração suas habilidades, conhecimentos e objetivos de investimento individuais.

Embora essa estratégia possa ter algumas vantagens, também apresenta desvantagens, como mencionamos a seguir:

Vantagens do stock picking:

  1. Potencial de retorno superior: há a possibilidade de identificar empresas com bom desempenho futuro, o que pode resultar em retornos superiores em comparação com os índices de mercado;
  2. Flexibilidade: liberdade de escolher empresas que se alinham com suas estratégias e objetivos de investimento específicos; e
  3. Diversificação seletiva: controle sobre a diversificação da sua carteira. Você pode selecionar empresas de diferentes setores ou geografias e, assim, reduzir o risco de investimento.

Desvantagens do stock picking:

  1. Risco de seleção errada: há sempre o risco de escolher ações que não apresentam um bom desempenho ou até mesmo sofrem perdas significativas;
  2. Dificuldade de superar o mercado: é necessário ter mais conhecimento, habilidades de análise aprofundada e muita pesquisa para identificar ações com desempenho superior;
  3. Tempo e esforço necessários: para ser um bom analista, é preciso acompanhar notícias, relatórios financeiros, tendências de mercado e outras informações relevantes; e
  4. Falta de diversificação adequada: o cuidado com a escolha das ações precisa ser muito maior porque, se todas as suas escolhas de ações apresentarem um mau desempenho, sua carteira pode sofrer perdas significativas.

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