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O que é rebalanceamento da carteira e como fazer

Uma carteira desequilibrada pode comprometer os objetivos financeiros de curto e médio prazo. Entenda!

Balança pesando moedas e relógios. Foto: Adobe Stock
Não planejar os prazos dos investimentos pode levar a complicações financeiras. Foto: Adobe Stock

Por Marília Almeida

Imagine que você tem uma carteira diversificada de aplicações financeiras quando começa a pandemia da covid-19 ou uma crise econômica como a de 2008. Certamente, os ativos que a compõem vão balançar, e muito. Por algum tempo, os preços podem subir, ou cair, mais de 10%. Resultado: como houve mudança relevantes de valores, a porção de renda variável pode ficar proporcionalmente maior, ou menor, do que você havia previamente definido em sua carteira.

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E qual é o problema de uma carteira desbalanceada? Caso os ativos se mantenham com valores diferentes por um determinado período, podem comprometer os objetivos financeiros de curto e médio prazo. Isso pode ocorrer seja por conta do risco adicional que a carteira passa a oferecer, que se torna diferente do perfil de risco do investidor, ou pela diminuição da expectativa de retorno, o que acontece caso a carteira tenha se tornado mais conservadora.

Veja abaixo o que é rebalanceamento de carteira e como e quando fazer:

O que é rebalanceamento da carteira?

O rebalanceamento de uma carteira de investimentos é um processo de ajuste periódico das alocações de cada ativo cujo objetivo é restaurar suas proporções de valores originais.

Imagine, por exemplo, que sua carteira seja composta por 70% de investimentos em renda fixa e 30% de investimentos em renda variável. Em um dado momento, as ações da bolsa se valorizam. Consequentemente, o aumento de valor desses ativos fazem com que a nova composição da carteira seja dividida entre 60% de ativos de renda fixa e 40% de aplicações em renda variável. Resultado: o investidor está correndo mais riscos do que o esperado. O cenário inverso também pode acontecer.

“É necessário rebalancear a carteira quando passamos a correr mais risco do que ficamos confortáveis, o que coloca nossos objetivos em perigo; ou menos risco do que poderíamos, o que fará com que não consigamos atingir nosso objetivo de retorno”, diz Luís Moran, head de pesquisa do escritório de assessoria de investimentos EQI.

Como fazer o rebalanceamento da carteira?

O rebalanceamento da carteira é feito vendendo ou comprando ativos com o intuito de manter o equilíbrio da carteira. Ou seja, reduzir riscos ou maximizar o retorno esperado.

Se o valor da renda variável aumentou, é necessário comprar mais ativos de renda fixa ou vender ativos de renda variável como forma de realizar o rebalanceamento.

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Algumas corretoras oferecem aos clientes um serviço de rebalanceamento da carteira periódico e automatizado. Basta o investidor definir, por exemplo, que caso o valor dos ativos se valorizem ou desvalorizem mais de 10%, ele gostaria de ser notificado para que possa reequilibrar suas alocações.

Outra forma de realizar o rebalanceamento das aplicações é buscar o auxílio de um assessor de investimentos da instituição financeira onde tem conta.

Qual deve ser a periodicidade do rebalanceamento da carteira?

O investidor pode optar por revisar a sua carteira de investimentos todo mês ou apenas uma vez por ano, como forma de verificar se está desbalanceada e precisa se equilibrada novamente.

Caso a carteira tenha um risco mais elevado, é indicado revisá-la com mais frequência, enquanto se for mais conservadora talvez não exija um monitoramento tão frequente.

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“Todo mundo precisa revisar periodicamente a carteira de forma a verificar se ela ainda está atendendo seus objetivos. Caso contrário, o investidor pode estar correndo risco sem obter o retorno adequado. Ele precisa ser corretamente remunerado pelo risco conforme o objetivo e retorno esperado. Caso contrário, não vai conseguir atingir esses objetivos”, diz Moran.

Mudei meus objetivos. Preciso rebalancear meus investimentos?

Segundo Moran, da EQI, o perfil de risco do investidor muda pouco ao longo da vida. Contudo, cada investidor passa por fases de vida diferentes, que têm impacto sobre seus objetivos e riscos que pode correr. Ambos influenciam as alocações da carteira de investimentos e podem exigir um rebalanceamento.

“Um jovem no início da vida profissional pode correr mais risco porque tem mais tempo para se recuperar de perdas, especialmente quando pensamos na aposentadoria. e vice versa”.

Como montar a carteira de investimentos

A porção de renda fixa e variável que o investidor precisa ter na carteira vai depender do seu objetivo financeiro, diz Fábio Gallo, professor de finanças da PUC-SP. “É possível até mesmo segmentá-la conforme o objetivo financeiro. Dessa forma, é possível verificar, de maneira mais simples, se o balanceamento da carteira está condizente com a meta”.

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O que irá guiar a definição dos porcentuais de alocação de cada tipo de ativos vai depender do prazo e importância do investimento. “A aposentadoria, por exemplo, é um objetivo de longo prazo muito importante. Portanto, seu grau de risco precisa ser baixo: o investidor pode ter, no máximo, 20% da carteira em renda variável”.

Objetivos com prazos curtos também exigem que a carteira seja mais conservadora. Contudo, objetivos de médio prazo não tão importantes, como a eventual compra de um bem ou realização de uma viagem, permitem que o investidor corra mais riscos. Nestes casos, a parcela de renda variável da carteira pode ser maior”, conclui Gallo.

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