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Pulverização de investimentos ou diversificação? Veja as diferenças!

Sempre vale a pena diversificar? Confira as dicas dos especialistas para diversificar sua carteira da maneira correta

Diversificação de investimentos. Foto: Unsplash
Diversificação de investimentos. Foto: Unsplash

Por Marília Almeida

Você provavelmente já conhece o clássico conselho de finanças de que não se deve colocar todos os ovos em uma mesma cesta. Mas será que vale a pena comprar dez CDBs ou ações, ou colocar dinheiro em cinco fundos de investimentos de gestoras diferentes? Afinal, você está diversificando ou apenas pulverizando seus investimentos?

Muitos investidores confundem o conceito com pulverização de investimentos, aponta Arthur Mello, sócio do multifamily office Vita. “Ao pulverizar investimentos você está apenas minimizando o risco de crédito. Mas diversificar é mais do que isso”, pontua.

Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV-Cef), concorda. “Além de não obter os benefícios da diversificação, quem compra tudo picadinho tem muito mais trabalho para gerir a carteira de aplicações e declarar o Imposto de Renda, por exemplo”.

Veja abaixo as dicas dos especialistas para diversificar da maneira correta:

1. Reserva de emergência não deve ser diversificada

Ainda não tem uma reserva de emergência? Então você não deveria nem estar pensando em diversificar investimentos.

A reserva para gastos imprevistos deve ser concentrada em investimentos de baixo risco, ter alta liquidez e ser indexada ao CDI. Ainda que o investidor possa escolher entre CDBs de liquidez diária, fundos Tesouro Selic com taxa zero e investir diretamente no Tesouro Selic, é recomendado optar pela alternativa na qual se sinta mais confortável, porque a diferença entre elas será mínima.

Aqui, o mais simples de se fazer para cada investidor com certeza será a decisão mais acertada, sem considerar aplicações de renda variável como reserva de emergência.

2. Investir em produtos diferentes de uma mesma classe de ativos não é diversificar

Colocar um pouco de dinheiro em diversos CDBs ou diversas ações, não significa que você está diversificando investimentos. Ao fazer isso, o que o investidor faz é minimizar a possibilidade de calote do emissor das aplicações: se um banco ou empresa quebrar, e não conseguir pagar os rendimentos da aplicação, isso não afetará os outros títulos.

Mas a diversificação vai além desse risco: ela também visa proteger contra solavancos de ciclos econômicos. Por exemplo, atualmente, com a taxa básica de juros a 13,75% ao ano, é natural que a renda fixa registre maiores rendimentos, enquanto a renda variável sofra mais.

Por isso é necessário ter tanto a renda fixa como a renda variável na carteira de investimentos: quando uma classe de ativos vai mal, a outra pode compensar a baixa da rentabilidade. Como resultado, o portfólio irá gerar uma renda mais estável e maiores rendimentos ao longo dos anos.

3. Atenção a fundos multimercado, que podem se enquadrar em classes diferentes

Investir em um fundo multimercado e um fundo de ações não significa necessariamente que você está diversificando. Como fundos multimercados é uma categoria ampla, com diversas estratégias, alguns produtos podem ser aproximar mais da renda variável, enquanto outros se assemelham a fundos de renda fixa.

Ou seja, se um fundo multimercado se aproxima das características de um fundo de ações, é provável que em momentos de baixa do mercado acionário ele se comporte de forma similar.

“A diversificação não se trata apenas de minimizar riscos de crédito e obter mais rentabilidade, mas também evitar que todos os investimentos registrem prejuízo ao mesmo tempo”, ressalta Mello.

+ Diversidade é um tema importante para você? E diversificação?

“Em grandes crises, como a de 2008 e a da covid-19, é esperado que diferentes produtos de uma classe de ativos correlacionada registre prejuízos, independente de quem está gerindo os produtos”, completa.

4. Tem pouco dinheiro? Você provavelmente terá uma maior aversão a perdas

O mercado financeiro evoluiu muito, por isso, hoje é possível encontrar bons fundos com aplicações mínimas bem baixas, diz Mello, da Vita. “Você não precisa juntar muito dinheiro para investir em um ETF de ações ou títulos do Tesouro. Bons fundos multimercado são oferecidos com investimento mínimo inicial de R$ 10 mil, enquanto bons fundos de crédito podem ser encontrados a partir de R$ 5 mil”.

Mas é necessário diversificar com calma. Não é recomendado, por exemplo, partir para ativos de maior risco. “Já fez a reserva de emergência? Então você pode começar a aplicar em títulos pós-fixados, indexados à inflação, prefixados e fundos de crédito. Depois, pode ir colocando dinheiro em fundos multimercado e ações”, diz o sócio da Vita.

Isso porque quem tem menos capital tende a ser mais avesso a perdas, completa Yoshinaga. “Se a ação desvaloriza pode demorar um tempo para recuperar seu preço. Quem tem menos dinheiro não terá paciência ou fôlego para aguardar o ciclo. Investimentos com características de longo prazo, como a renda variável, estão sujeitos a essa oscilação”.

5. Considere taxas e tributos na hora de montar sua carteira

Ter pouco dinheiro em vários fundos pode significar menos ganhos do que se todo o dinheiro fosse usado para acessar um bom fundo com aplicação inicial maior, onde potencialmente é possível ter maiores ganhos, pontua a coordenadora do FGV-Cef.

Quer ter diversas ações, mas tem pouco dinheiro? Talvez seja melhor você adquirir um ETF, aponta Yoshinaga. “Como o fundo segue um índice de referência, é possível garantir uma diversificação maior do que se você comprasse 20 ações ou colocasse o montante em diversos fundos”.

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