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Como montar uma carteira de investimentos?

Bancos, corretoras e casas de análise costumam oferecer carteiras de investimentos. Mas será que servem para todo mundo?

Carteira de investimentos. Foto: Markus Spiske/Unsplash
Carteira de investimentos. Foto: Markus Spiske/Unsplash

Por Marília Almeida

Bancos, corretoras e casas de análise costumam sugerir carteiras de investimentos. Geralmente elas são representadas com um gráfico de pizza, e contêm o porcentual do que se deve ter em renda fixa, variável e outras modalidades de aplicações. A base para montá-las é o perfil de risco do investidor.

Mas será que essa carteira serve para todo mundo? Afinal, como montar uma carteira de investimentos?

Uma carteira pré-montada deve servir apenas como um balizador inicial na montagem da carteira de investimentos, aponta Claudia Yoshinaga, coordenadora do Centro de Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Cef). “Ela não irá necessariamente considerar todas as características de cada investidor. Portanto, eventualmente será necessário fazer mudanças para que funcione bem para cada perfil”.

Veja abaixo o que você deve considerar ao montar a sua carteira de investimentos:

Considere a reserva de emergência

Sim, não há como escapar. O primeiro passo para montar uma carteira de investimentos é formar a sua reserva de emergência.

Aqui, não tem segredo e nem diversificação: todo o montante deve ser aplicado em investimentos com liquidez imediata, segurança (a exemplo de títulos públicos) e que ofereçam a maior rentabilidade possível.

O que pode mudar é apenas o valor que precisa ser acumulado, segundo Gustavo Cerbasi, sócio da plataforma de planejamento financeiro Super Rico.

“O valor necessário para a reserva de emergência pode variar de dois meses a mais de um ano do valor equivalente à renda familiar. Fatores como empregabilidade e flexibilidade do orçamento influenciam nesta conta”.

Pessoas com muita estabilidade no emprego, a exemplo de servidores públicos, vão precisar ter uma reserva menor. Quem tem maior flexibilidade no orçamento, que não está comprometido com o pagamento de financiamentos, dívidas, também pode juntar um valor menor.

Por outro lado, quanto mais engessado o orçamento e menor a empregabilidade do investidor, maior terá de ser a sua reserva de emergência. Ter dependentes financeiros também aumenta o valor.

+ Onde investir reserva de emergência: Tesouro, CDB, fundo, LCIs, conta remunerada ou ETF?

Garanta uma renda futura

Completada a reserva emergência, o próximo passo da carteira de investimentos é garantir uma renda para a aposentadoria. Ela terá como base em estimativas de renda e estilo de vida que o investidor deseja ter durante o período de inatividade do mercado de trabalho.

Esta carteira pode incluir ações que pagam dividendos, imóveis e até um negócio próprio que renda lucros. “O importante é que as aplicações possam, transformar, ao longo do tempo, uma carteira de valor em uma carteira que gere renda”, diz Cerbasi.

Atente-se aos seus objetivos financeiros

Já tem uma reserva de emergência adequada às suas necessidades e investe regularmente para a aposentadoria, mas tem outros recursos para investir? Então é hora de considerar seus objetivos financeiros de curto, médio e longo prazo.

Para Yoshinaga, é válido pensar em uma carteira de investimentos para cada objetivo ou uma que inclua todos eles. “A teoria econômica clássica aponta que devemos pensar na carteira como um todo. Mas uma das ideias de finanças comportamentais é a lógica de separar o dinheiro em gavetinhas, e investir de acordo com cada propósito”.

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O único alerta para quem usa essa visão fragmentada da carteira é tomar o cuidado de equilibrar cada objetivo no orçamento, diz a professora da FGV. “Não faz sentido ter uma fatia do bolo grande para as férias e esquecer de despesas básicas”.

Para objetivos mais curtos, as aplicações devem ser mais conservadoras e oferecer maior liquidez. Já para objetivos mais longos será possível investir em ações e outras aplicações de renda variável. Ou seja, essa parte da carteira será um mix de aplicações de renda fixa, renda variável e aplicações que protegem contra a inflação.

Considere o valor dos investimentos

Quem tem mais patrimônio tende a ser mais propenso ao risco do que quem tem R$ 10 mil, por exemplo.

Não à toa existe a figura do investidor qualificado no mercado brasileiro: aqueles que têm mais de R$ 1 milhão para investir. Os produtos financeiros voltados para eles são mais sofisticados e arriscados. Isso porque há fôlego para suportar perdas maiores ou o tempo de espera para maturação dos investimentos, que pode levar anos.

Observe a idade do investidor

Quanto mais jovem for o investidor, maior pode ser o porcentual de ações e outros produtos de renda variável em sua carteira de investimentos, e vice-versa. O conselho vale especialmente para objetivos de longo prazo, como a aposentadoria.

Isso porque, em prazos longos, as oscilações recorrentes do mercado financeiro tendem a ser minimizadas. Portanto, é possível ter uma maior rentabilidade minimizando riscos.

Não ignore o perfil de risco

Existem diversas características que definem a propensão ao risco que cada investidor tem. Isso faz com que mesmo quem seja jovem e tenha muito dinheiro possa ter uma grande aversão ao risco, pontua Yoshinaga, da FGV.

“Contudo, é necessário lembrar que ninguém corre risco porque gosta, mas para ter uma rentabilidade maior no futuro”.

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A saída é, portanto, equilibrar os porcentuais da carteira de acordo com a característica. Um investidor conservador terá a maior parte da sua carteira alocada em renda fixa, enquanto investidores arrojados terão a maior parte dos recursos alocados na renda variável. “É necessário buscar uma maior rentabilidade, Contudo, ela não precisa tirar o sono de ninguém”, conclui a professora da FGV.

Fique de olho nas mudanças

Idade, objetivos financeiros, perfil de risco, valor da renda e do patrimônio, além do tamanho necessário para a reserva de emergência, mudam com o tempo. Portanto, o balanceamento da carteira, para que ela se mantenha alinhada às necessidades do investidor, é essencial.

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Não vale olhar todo dia, e nem aplicar e esquecer. “Se o portfólio vai ser revisado a cada semestre ou uma vez por ano não importa. O que interessa é que esse acompanhamento seja sistemático”, conclui Yoshinaga.

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