Organizar as contas

Não estou conseguindo pagar o financiamento: o que fazer?

Renegociação da dívida, empréstimos e portabilidade e, em último caso, a venda do bem evitam a inadimplência e a tomada do bem pelo banco

Mulher olhando assustada para uma folha contas e endividamento. Foto: Adobe Stock
O endividamento é um problemas cônicos decorrentes das taxas de juros elevadas. Foto: Adobe Stock

Por Marília Almeida

Com a alta da inflação e dos juros, o orçamento de muitos brasileiros ficou mais apertado nos últimos anos. Como resultado, 44% da população adulta do país está endividada. 

Para quem tem financiamento de imóvel ou carro, e mesmo linhas de empréstimo que tenham esses bens como garantia, pode ser um desafio continuar a honrar com o pagamento do compromisso agora.

Renegociação com o banco, portabilidade, empréstimos com taxas baixas, uso do FGTS e até a venda do bem: vale tudo para solucionar a situação antes que o atraso no pagamento aconteça.

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Ainda que os bancos flexibilizem mais as condições da dívida durante a inadimplência, é necessário refletir se vale a pena ter essa ‘mancha’ no score de crédito, diz Patrícia Camillo, gerente da Serasa e especialista em finanças.

“A pontuação de crédito pode diminuir e impedir a compra de um novo bem no futuro, além de piorar eventuais saídas para a situação e acarretar na tomada do bem, momento no qual ele vai a leilão e pode perder muito valor”.

Veja abaixo as saídas para continuar honrando as prestações do financiamento e evitar a inadimplência e a tomada do bem pelo banco:

Renegociar a dívida com o banco

Mesmo sem ainda estar inadimplente é possível entrar em contato com o banco e abrir o jogo sobre a situação financeira. “Para o banco, não é interessante que o cliente fique inadimplente”, diz Camilo. Seja pelo internet banking, telefone ou presencialmente, vale uma conversa franca com um gerente da conta.

Geralmente os bancos podem oferecer reduções na taxa de juro cobrada no financiamento, alongar as parcelas do crédito ou permitir que o cliente fique alguns meses sem pagar a parcela e esse saldo seja diluído no restante do valor a pagar.

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As negociações não avançaram? É possível tentar transferir a dívida para outro banco que esteja disposto a diminuir os juros cobrados ou alongar o prazo do pagamento. “Cada banco tem um apetite ao risco e para renegociar”, aponta Camilo.

Contudo, no caso de imóveis, a portabilidade pode ser complexa e envolver custos adicionais, decorrentes de uma nova avaliação do imóvel feita pelo novo banco, e novos documentos necessários para transferir o bem ao novo credor.

Buscar outro empréstimo com taxas baixas

Caso o aperto do orçamento dependa de mudanças de hábitos e contenção de gastos, pode demorar ao menos um mês para que o ganho de fôlego se reflita no orçamento.

Se o aperto for também resultado de um mês ruim, no caso de quem tenha renda variável, pode fazer sentido tomar um empréstimo para honrar os compromissos até que o orçamento se equilibre novamente.

Contudo, é necessário ter consciência de que a situação precisa ser temporária. Geralmente, os empréstimos têm taxas mais caras, com exceção do consignado, que é descontado diretamente do salário, aponta a gerente do Serasa.

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Utilizar recursos do FGTS

Para quem é um trabalhador com carteira assinada e está financiando um imóvel, é possível utilizar recursos acumulados no FGTS não apenas para amortizar prestações, mas pagar apenas 20% do valor de cada parcela por até um ano.

Essa opção estará disponível, naturalmente, para quem tiver recursos suficientes acumulados no fundo. Quanto maior a quantidade de recursos, maior o tempo em que será possível pagar apenas 20% do valor.

A alternativa não é a mais rentável. Afinal, diferente da amortização, nela não será possível pagar menos juros, ainda que haja a garantia de que os valores serão pagos durante o período em que for utilizada. 

Mas, em um momento de aperto, pode ajudar muito a recuperar o fôlego financeiro, de forma que seja possível continuar honrando esse compromisso financeiro. Essa opção pode ser usada a cada dois anos.

Vender o bem

Todas as outras opções não deram certo? Antes de se enroscar mais, a saída pode ser vender o imóvel ou carro de forma a conseguir pagar o restante da dívida.

“Neste caso, talvez o mutuário consiga recuperar parte do dinheiro e investir. É um primeiro passo para adquirir um outro bem no futuro”, diz Camilo, da Serasa.

A decisão é difícil, pois há um aspecto psicológico envolvido, ressalta. “Contudo, como já se esgotaram as alternativas, é necessário encarar a decisão e recomeçar para que não aconteça de novo”.

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