Tipos de investimentos

Como investir no agronegócio, quais as opções e como começar

Confira todas as alternativas para se investir no agronegócio por meio da Bolsa

Agronegócio. Foto: Pixabay.
Em 2022, o agronegócio correspondeu a 25% do PIB brasileiro Foto: Pixabay.

Por João Paulo dos Santos

O agronegócio tem importante participação na economia brasileira. Em 2022, ele respondeu a 25% do PIB do Brasil. Em paralelo, também está o crescimento do investimento no setor, que tem cada vez mais opções para os investidores.

No total, 1,6 milhão de investidores no país aplicam um total de R$ 411 bilhões de recursos no setor agrícola. O número de pessoas físicas que investem em LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e Fiagro (Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais) cresceu 95%, enquanto o volume de dinheiro investido aumentou 79%, respectivamente em 2022.

O que tem levado essas pessoas a aplicarem mais no segmento e como fazer isso é o que mostramos a seguir.

Como investir no agronegócio brasileiro pela Bolsa

Para aproximar o produtor do investidor, a bolsa de valores traz diversos tipos de investimentos que possibilitam o fomento ao agronegócio. Conheça eles:

Cédula do Produtor Rural (CPR)

As Cédulas de Produto Rural (CPRs) são títulos de renda fixa que podem ser emitidos por produtores rurais ou suas associações, incluindo cooperativas. Elas representam a promessa de entrega futura de um produto agropecuário.

Durante o período de aplicação, o investidor é remunerado com juros sobre o capital, que são isentos de Imposto de Renda (IR) e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Além da CPR física e financeira, regulamentadas em 1994 e 2001, o investimento ganhou novas modalidades recentemente: a CPR Digital (feita de forma eletrônica) e a CPR Verde (financia ações de preservação nas propriedades rurais).

Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA)

Outro ativo de renda fixa é o Certificado de Recebíveis do Agronegócio (CRA). Muito semelhante ao CPR, os CRAs, no entanto, são emitidos por securitizadoras, que utilizam como garantia os empréstimos para a produção, comercialização, beneficiamento, industrialização ou aquisição de insumos e maquinários.

+ CRI e CRA: saiba o que são e quando investir

Letra do Crédito do Agronegócio (LCA)

Completando a família da renda fixa, a LCA é, como o próprio nome já diz, uma captação de recursos destinada a empreendimentos do setor do agronegócio. As LCAs são títulos emitidos por bancos lastreados em operações de crédito do setor.

+ LC, LCA e LCI: o que são, como funcionam e como investir nas letras de renda fixa

Fiagro

Os fundos de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais (Fiagro), foram inspirado nos Fundos Imobiliários (FIIs) e adaptado para a realidade rural, o Fiagro pode investir em uma variedade de ativos, como: títulos de crédito ou valores mobiliários da cadeia agro, direitos creditórios do agronegócio até cotas de fundos de investimentos que apliquem mais de 50% de seu patrimônio nesses ativos.

+ Como funciona o Fiagro? Entenda o fundo de investimento do Agronegócio

Ações de empresas do agronegócio

Já na seara de ativos de renda variável, uma opção são ações de empresas do setor de agronegócio negociadas na bolsa de valores. Dentre elas há diversos segmentos como, que lidam com cana-de-açúcar, soja ou outra commodity do setor.

Alguns exemplos são: JBS (JBSS3), Raízen (RAIZ4), Jalles Machado (JALL3), Marfrig (MRFG3) e muito mais!

Commodities no Mercado Futuro

Outra alternativa de renda variável é a possibilidade de se investir em commodities do agronegócio através do mercado futuro. Atualmente, há 10 tipos de commodities com contratos disponíveis para negociação na B3: café arábica 4/5 e 6/7, etanol hidratado, açúcar cristal, etanol anidro, boi gordo, petróleo, milho, soja e ouro.

+ Como investir em commodities? Aprenda a aplicar na bolsa

Derivativos

Por fim, também há a opção de se investir em produtos do agronegócio através de contratos de derivativos. Eles são produtos de investimento que derivam de outros ativos – sejam eles físicos, como café e soja, por exemplo, ou financeiros, como dólar, índices e ações. 

+ Derivativos: o que são, para que servem e como investir

Aprender a investir no agronegócio

A B3, a bolsa do Brasil, com o apoio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), lançou uma trilha de educação financeira especialmente voltada para o financiamento do agronegócio.

O conteúdo gratuito busca aproximar produtores rurais, agrotechs e empresas do agro dos produtos e oportunidades nos mercados financeiro e de capitais. Clique para conferir a trilha.

A trilha foi dividida em 7 módulos com 38 vídeos e 3 ebooks, totalizando 8 horas de conteúdo. Dentre os temas abordados, o público poderá aprender sobre ferramentas, estratégias e produtos financeiros disponíveis, as diferentes fontes de financiamento e captação para o setor, além de como fazer a gestão de risco e a proteção de preço para seu negócio. 

O curso apresenta quem são os agentes de mercado, o que são e como funcionam os contratos de commodities, como funcionam as operações de hedge com derivativos e os produtos disponíveis para financiar o setor. O agronegócio é um dos setores mais importantes da economia nacional e vem trazendo crescentes oportunidades de captação de recursos e investimento.

“A educação financeira é uma base importante para o desenvolvimento social e econômico do Brasil. Por meio do lançamento dessa iniciativa, a B3 se conecta diretamente com aqueles que são responsáveis por movimentar um dos setores mais relevantes para o PIB do nosso país”, afirma Gilson Finkelsztain, CEO da B3.

Foco no agronegócio brasileiro

O lançamento da trilha é mais uma das iniciativas da B3 para impulsionar o agronegócio, conectando o setor e os investidores a produtos e serviços. Hoje, a bolsa do Brasil oferece um ambiente para listagem das companhias do agronegócio, para captação de recursos via ofertas de ações (IPOs e follow-ons); registro de produtos que auxiliam os produtores rurais e toda a cadeia no financiamento da produção agrícola, com a CPR, a CPR Verde, o CRA e a LCA; além dos contratos futuros e operações de hedge para seguro de preços de milho, boi, café e soja. 

Nesse cenário, a trilha também contemplará as ferramentas de captação para o agronegócio e as oportunidades para empreendedores do setor disponíveis no mercado. Haverá um módulo, por exemplo, dedicado à  Cédula do Produto Rural (CPR), considerada atualmente o principal mecanismo de financiamento privado para o agro.

“Com este movimento crescente de aproximar a educação financeira do agronegócio esperamos beneficiar todo o setor. De um lado, gerando mais conhecimento para melhorar a captação de recursos e a gestão de riscos para a cadeia do agronegócio e, na outra ponta, criando oportunidades para que os pequenos e grandes investidores possam participar do crescimento do setor”, explica Gilson Finkelsztain.

“O desenvolvimento do Mercado de Capitais tem promovido a sua expansão para além dos grandes centros urbanos, com geração de benefícios para todo o país. À CVM, órgão regulador deste Mercado, cabe apresentar oportunidades que o segmento oferece à sociedade em geral. É importante que, de um lado, o agronegócio conheça e se reconheça dentro do Mercado de Capitais; e, por outro lado, o Mercado de Capitais adote uma linguagem descomplicada para acomodar o aumento da importância do agro dentro do nosso segmento”, destaca João Pedro Nascimento, Presidente da CVM. 

Venha conhecer mais sobre as alternativas de investimentos no agronegócio. Acesse a trilha de conhecimento do Hub de Educação da B3 de forma gratuita e fique por dentro!

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