Debêntures

Como ficam os investidores da Light após o pedido de recuperação judicial?

Mesmo antes de pedir recuperação judicial a Light já havia suspendido o pagamento do rendimento de seus títulos de dívida a investidores

Light. Foto: Light/Divulgação
Light. Foto: Light/Divulgação

Por Marília Almeida

A concessionária de energia Light pediu recuperação judicial na sexta-feira, 12/05, e teve o pedido acatado pela Justiça nesta segunda-feira, 15/05. E agora, como ficam os cerca de 30 mil investidores das debêntures da companhia, e os 13 mil investidores pessoas físicas de suas ações?

Mesmo antes de pedir recuperação judicial a Light, que tem dívidas de R$ 11 bilhões, já havia suspendido o pagamento do rendimento de seus títulos de dívida a seus investidores.

Agora, assim como ocorreu com a Americanas, os pagamentos serão congelados até a empresa apresentar, em 60 dias, o seu plano de recuperação judicial. É o plano que irá ditar quais investidores terão prioridade no pagamento, e se haverá algum desconto no pagamento em decorrência da frágil situação financeira da companhia. Ele terá de ser aprovado pelos credores.

+ Falência: quais as principais consequências para companhias e investidores

O pedido de recuperação judicial da Light surpreendeu o mercado, pois uma concessionária pública não poderia realizá-lo. Contudo, a Light achou um meio de acessar a proteção por meio de sua holding, que foi quem fez o pedido à Justiça. Dessa forma, o processo acabou por incluir também a sua subsidiária do Rio de Janeiro.

Uma das razões para a Light ter pedido recuperação judicial foi o fracasso no combate a ligações ilegais de energia na região metropolitana do Rio de Janeiro, sua única concessão. Consequentemente, a empresa não consegue atingir as metas de qualidade definidas pela agência reguladora do mercado de energia elétrica e pode perder a concessão, que vence em 2026.

Para completar o cenário de fragilidade financeira da empresa, o aumento dos juros no país decisões fiscais desfavoráveis provocaram o aumento da alavancagem do negócio.

Como ficam as debêntures da Light?

Na recuperação judicial, se a garantia das debêntures da concessionária recair sobre ativos da companhia que forem essenciais ao negócio, o pagamento dos rendimentos do título poderá ser suspenso, salvo se houver autorização judicial.

Veja abaixo como funciona cada tipo de garantia, segundo classificação da Anbima:

  • Garantia real – os bens e direitos garantidos pela empresa na emissão não podem ser comprometidos. Portanto só podem ser negociados com aprovação dos debenturistas
  • Garantia flutuante – assegura o privilégio geral sobre o ativo da empresa emissora, mas não impede que ela negocie os bens vinculados à emissão sem autorização prévia dos debenturistas
  • Quirografária – emissões sem garantia ou preferência ao investidor em caso de liquidação da companhia
  • Subordinada – emissões sem garantia ao investidor. Neste caso, se houver liquidação da companhia, há preferência de pagamento aos debenturistas em relação aos acionistas

Esta é a ordem de prioridade de pagamento das garantias das debêntures, segundo a lei: garantia real, garantia flutuante (que recai sobre todo o ativo da companhia), quirografária (sem preferência como a flutuante), e subordinada (abaixo da quirografária, estando somente à frente do capital dos acionistas).

O que acontece com as ações da Light?

Uma ação de empresa em recuperação judicial não deixa de ser listada na B3: apenas deixa de fazer parte de índices. Portanto, as ações da Light seguem podendo ser negociadas normalmente, como é o exemplo da Oi e da Americanas, que está em RJ e continua com seus papéis disponíveis para investidores interessados.

A ação da companhia foi excluída de nove índices após o encerramento do pregão desta segunda-feira. Sua participação foi redistribuída proporcionalmente entre os demais ativos já a partir do pregão desta terça-feira, 16/05. Os ativos da companhia, negociados sob o ticker LIGT3, integrava o IBRA, IEEX, IGCT, IGCX, IGNM, ISEE, ITAG, SMLL e UTIL.

O procedimento está previsto no Manual de Definições e Procedimentos dos Índices da B3. A ação passará a ter suas informações publicadas num segmento especial denominado “Recuperação Judicial” no Boletim Diário de Informações.

Desde que o pedido de recuperação judicial foi anunciado, o valor da ação, que estava cotada a R$ 4,67, caiu para R$ 3,86.

Para saber ainda mais sobre investimentos educação financeira, não deixe de visitar o Hub de Educação da B3.

Sobre nós

O Bora Investir é um site de educação financeira idealizado pela B3, a Bolsa do Brasil. Além de notícias sobre o mercado financeiro, também traz conteúdos para quem deseja aprender como funcionam as diversas modalidades de investimentos disponíveis no mercado atualmente.

Feitas por uma redação composta por especialistas em finanças, as matérias do Bora Investir te conduzem a um aprendizado sólido e confiável. O site também conta com artigos feitos por parceiros experientes de outras instituições financeiras, com conteúdos que ampliam os conhecimentos e contribuem para a formação financeira de todos os brasileiros.

Últimas notícias