ETFs

ETFs de criptomoedas valorizam até 86% no 3º trimestre; confira o ranking no período e no ano

Fundos de DeFi, Ethereum e Solana dominam o ranking de altas entre ETFs, mas a maioria ainda acumula perdas em 2026

Os ETFs de criptomoedas lideraram os melhores desempenho do terceiro trimestre de 2026. Entre os dez fundos de índice com as maiores altas entre julho e setembro todos estão ligados a criptoativos, com ganhos entre 53,5% e 86,61%, segundo levantamento da Elos Ayta Consultoria.  

O DEFI11, da Hashdex, liderou o ranking com alta de 86,61%. No ranking, figuram ainda cinco ETFs que replicam o desempenho do Ethereum, com ganhos entre 53,5% e 70,01%. São estes XETH11, ETHE11, QETH11, EETH11 e ETHY11. 

A lista também inclui ETFs que replicam a criptomoeda Solana, ativos Web3 e DeFi (finanças descentralizadas). 

Para Felipe Paletta, analista da Paletta Research, o movimento dos ETFs de criptomoedas reflete uma inversão ao cenário de aversão ao risco registrado no começo do ano. “A gente vê parte do desempenho que foi muito negativo das criptomoedas nos últimos trimestres sendo revertido agora e, principalmente, puxado pelo movimento do Ethereum”, afirma. 

Já em relação aos ETFs de DeFi, Paletta destaca que os ativos capturam de forma alavancada o comportamento do Ethereum. “A criptomoeda Ethereum teve um desempenho de quase 70% no terceiro trimestre, revertendo parcialmente grandes prejuízos do começo do ano, o que impulsionou o movimento dos ETFs de finanças descentralizadas”, aponta.  

O analista também cita a preocupação com inflação global que tem levado as criptomoedas a serem vistas como proteção deste cenário, principalmente após variações no ouro.  

Fábio Murad, consultor de investimentos da Wiser Asset, avalia que os ganhos no Ethereum estão associados à recuperação da criptomoeda e às expectativas de crescimento das aplicações de contratos inteligentes, tokenização e serviços financeiros em blockchain. Já no caso da Solana, ele avalia que a alta reflete o interesse do investidor pela expansão da rede, conhecida pela velocidade das transações e custos reduzidos. 

ETFCódigo3º trimestre2026
Defi Hash DEFI11 86,61% 13,78% 
Trend Eth XETH11 70,01% -15,03% 
Hashdex Eth ETHE11 69,65% -15,86% 
Qr Ether QETH11 66,67% -15,07% 
Bptevaethe EETH11 65,80% -17,23% 
Solana Hash SOLH11 63,92% -9,94% 
Qr Cme Cf QSOL11 62,03% -12,10% 
Smart Hash WEB311 61,96% -13,87% 
Etf Qdfi QDFI11 59,49% 4,56% 
Etf BV Ethy ETHY11 53,50% -20,14% 
Fonte: Elos Ayta Consultoria 

No ano, criptomoedas têm perdas 

Mesmo com a disparada trimestral, a maioria dos ETFs de criptomoedas está no vermelho no acumulado de 2026. O ETHY11 lidera as perdas com queda de 20,14% no ano, seguido do EETH11 com baixa de 17,23%. Apenas os ETFs de DeFi têm desempenho positivo, com o DEFI11 e o QDFI11 apresentando alta de 13,78% e 4,56%, respectivamente.  

“A valorização do terceiro trimestre representou uma recuperação de perdas anteriores. Um ativo que caiu 50% precisa subir 100% para voltar ao preço inicial”, explica Murad. Mas ele acrescenta que por ser fundo com exposição a ativos internacionais sente impacto da variação do dólar frente ao real, o que influencia nos resultados.  

Para o 4º trimestre, a expectativa de Paletta é que este movimento continue, principalmente até a definição das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos. “Caso a gente observe algum ajuste na curva de juros americana, algum alívio do movimento inflacionário, eventualmente essa onda positiva que a gente viu no terceiro trimestre pode arrefecer”, avalia.  

Na visão de Murad, os ETFs de DeFi podem continuar atraindo investidores, mas depois das altas expressivas aumenta o risco de realização de lucros. O especialista acredita que o Ethereum mantém potencial de valorização com o crescimento da tokenização e o Solana deve seguir se beneficiando da expansão da rede, embora apresente elevada volatilidade.  

“Dificilmente teremos uma repetição generalizada das valorizações extraordinárias do terceiro trimestre”, afirma. 

China, terras raras e nuclear no vermelho 

Na outra ponta, ETFs de terras raras, China, energia nuclear e Argentina concentraram as maiores perdas do terceiro trimestre. O RARA11, de terras raras, teve a maior queda, de 28,06%. Na sequência aparecem TECX11 (-27,47%), NUCL11 (-10,83%), PKIN11 (-10,15%) e SILK11 (-9,89%). 

Leonardo Maranhão, analista e head de ETFs do Hub do Investidor, explica que os ETFs chineses passaram por realização de lucros e correção em alguns segmentos, especialmente teses focadas em tecnologia e IA, após períodos de forte valorização. “Esse ajuste foi intensificado pela desaceleração econômica e fragilidade do consumo e da contínua não melhora da relação EUA-China”, destaca.  

Paletta liga a queda destes ETFs ao cenário global. Para o analista, o enfraquecimento do PIB global e o aumento de inflação no mundo são ruins para a China, que depende muito de exportação e ainda tem dificuldades para impulsionar o crescimento da atividade econômica e o consumo no mercado interno. 

Sobre terras raras, Maranhão lembra que o setor teve forte valorização em 2025 com as tensões comerciais. “Esse ano, o setor passou por uma acomodação das avaliações e realização de lucros”, diz.  

O NUCL11 segue a mesma lógica. Na visão de Maranhão foram três anos de forte valorização e as empresas ligadas à energia nuclear e ao urânio passaram por um movimento de realização de lucros. 

Já no caso de ETFs de imóveis e small caps americanas, os especialistas destacam o impacto dos juros nos EUA, por se tratarem de setores sensíveis. E para o ETF que replica o desempenho da Argentina, eles apontam que novas incertezas econômicas, aumento do risco país e confiança dos investidores nas reformas contribuíram no desempenho. 

ETFCódigo3º trimestre2026
Investrara11 RARA11 -28,06% -29,30% 
B Index Tecx TECX11 -27,47% -7,70% 
Investo Nucl NUCL11 -10,83% -21,82% 
B Index Pkin PKIN11 -10,15% -8,56% 
It Now China SILK11 -9,89% -3,54% 
Etf BV Pipe PIPE11 -8,12% -5,81% 
Investoarge ARGE11 -7,89% -11,06% 
Investo Chip CHIP11 -7,05% 57,74% 
Investo Alug ALUG11 -6,37% -3,58% 
Fonte: Elos Ayta Consultoria 

A exceção do CHIP11 

No acumulado do ano, boa parte dos ETFs com piores desempenhos no terceiro trimestre também acumulam perdas. A exceção é o CHIP11, de semicondutores, que caiu 7,05% no trimestre, mas acumula alta de 57,74% em 2026. O SVAL11 também está positivo no ano, com ganho de 5,72%. 

Murad destaca que o bom desempenho do CHIP11 ocorre pela exposição a uma indústria diretamente beneficiada pelos investimentos globais das empresas em inteligência artificial, data centers e capacidade computacional.  

Já Maranhão vê a queda trimestral como pontual, um movimento de correção após forte valorização, mas destaca que os fundamentos destes ETFs ainda são favoráveis.  

Para o quarto trimestre, no entanto, o analista do Hub do Investidor acredita que fatores geopolíticos, como a relação EUA e China, além do setor de IA, que impacta empresas techs, semicondutores, energia nuclear e terras raras, devem ser relevantes no desempenho destes fundos de índice.  

Outras oportunidades 

Fora dos ETFs presentes nos rankings de altas e quedas, Maranhão cita os ETFs de ações brasileiros e de renda fixa atrelados ao IPCA como oportunidades, principalmente após as eleições. “Um cenário de maior confiança e fechamento da curva de juros tende a favorecer a valorização dos títulos IPCA+ e aumentar o otimismo com a bolsa brasileira, enquanto sinais de deterioração fiscal podem provocar o movimento contrário”, afirma. 

Já Murad cita ainda ETFs globais diversificados e de dividendos, até mesmo com estratégias de venda coberta de opções. Por outro lado, alerta que fundos muito concentrados em tecnologia, criptomoedas ou setores que já apresentaram valorizações extraordinárias podem sofrer realização de lucros. “A diversificação será mais importante do que simplesmente replicar os ETFs que mais subiram”, diz.  

Quer analisar todos os seus investimentos em um só lugar, em uma plataforma intuitiva? Baixe o APP B3