ETFs

Minerais críticos chegam à B3: entenda a proposta dos ETFs e o potencial do Brasil no setor

ETF RARA11 começou a ser negociado no fim de junho na bolsa e promete abrir caminho para outros ativos ligados às terras raras

Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
O primeiro ETF (Exchange Traded Fund) de minerais críticos começou a ser negociado na bolsa brasileira no fim do mês passado, em um momento em que esses ativos ganham cada vez mais valor estratégico nas transações internacionais. O RARA11, da Investo, estreou na B3 no fim de junho como o primeiro ativo destinado à classe de minerais críticos na bolsa brasileira. O ETF replica o VanEck Rare Earth/Strategic Metals ETF (REMX), negociado na bolsa de Nova York. 

Na esteira do RARA11, outros dois ETFs com foco em terras raras/minerais críticos passarão a ser negociados na bolsa a partir da segunda quinzena de julho: o EART39 e o CHPX39, ambos da Global X. O primeiro replicará o índice Solactive Rare Earth and Critical Materials Index, composto por empresas globais ligadas à cadeia de extração e refino dos minerais críticos, enquanto o segundo, apesar de não ser diretamente relacionado às terras raras, estará atrelado ao Global X AI Semiconductor & Quantum Index, que agrupa companhias cruciais para o ramo, ligadas ao desenvolvimento de tecnologia, inteligência artificial e chips.

Os novos ETFs almejam ampliar a oferta dentro de uma área considerada promissora para investimento, em particular por conta da posição estratégica do Brasil dentro do setor. 

Entre riscos globais e perspectivas de valorização

A corrida pelos minerais críticos tem ganhado cada vez mais tração, não somente pelo seu uso crucial em indústrias do setor de tecnologia, mas também como uma ferramenta de barganha nas trocas comerciais globais. Esse último fator, porém, é uma faca de dois gumes para o investidor: os choques externos são um dos principais riscos associados ao investimento no ramo.

Por outro lado, o fomento ao setor por meio de investimentos e parcerias e, principalmente, a urgência apresentada pela transição energética podem representar um ganho para aqueles que decidirem investir em minerais críticos. 

A Fitch Ratings, conforme relatório divulgado no mês passado, projeta uma alta no curto prazo nos preços de minerais críticos como cobre, alumínio e lítio, impulsionados pela demanda e por preocupações relacionadas a eventuais novas disrupções, como o impacto da Guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Hormuz por meses, o que afetou as cadeias logísticas do minério de ferro e níquel.

Relevância do Brasil dentro do ramo de minerais

Os minerais críticos são um grupo de elementos considerados estratégicos para o desenvolvimento das cadeias de produção de setores como tecnologia, baterias, chips e mesmo para a indústria automobilística. Essa pauta ganhou força, sobretudo, no ano passado, quando a China, principal fornecedora mundial de terras raras, restringiu o envio de remessas após a escalada da guerra comercial com os Estados Unidos. 

Nesse contexto, o Brasil surge com a promessa de se tornar um dos grandes players do ramo, sendo detentor da segunda maior reserva de terras raras, incluindo grandes jazidas de nióbio, lítio e grafite, mas ainda com um potencial considerado subutilizado. 

O governo brasileiro tem a meta de ampliar para cerca de 12% a participação do país na produção mundial até 2050, ante os 8% atuais, contudo, o Brasil segue com uma limitação na capacidade de extração e refino das terras raras, muito pela falta de investimento em expertise na área.

“A China, por exemplo, conseguiu desenvolver uma tecnologia de ponta em extração e refino. Já os Estados Unidos estão evitando depender da China e buscam uma solução aqui na América do Sul, só que o Brasil ainda tem uma tecnologia muito embrionária, apesar de ter reservas fantásticas”, avalia Pedro Galdi, analista de investimento da plataforma AGF.

Para reverter esse quadro, Galdi aponta a necessidade de investimentos em estudos e tecnologias ligadas ao setor, somada à formação de parcerias internacionais por meio de joint ventures, a fim de ampliar a cooperação entre players nacionais e estrangeiros do setor.

Um exemplo desta estratégia é a mineradora Serra Verde, que atua no norte do estado de Goiás e que, recentemente, passou por um processo de fusão com a companhia americana USA Rare Earth, num movimento para unir conhecimentos dentro do setor e também mitigar a dependência americana em relação ao fornecimento chinês.

O país também tem buscado se posicionar como um polo de fornecimento dos minerais críticos e uma alternativa segura à China em meio às disputas comerciais de Pequim com parceiros ocidentais, como Estados Unidos e Europa. A região do Vale do Jequitinhonha desponta como uma importante área de extração de lítio e tem atraído investimentos de empresas internacionais. Recentemente, a União Europeia (UE) também manifestou interesse em firmar um acordo com o Brasil voltado à cooperação no setor.

“O Brasil tem tudo para surfar nesse investimento, mas ele precisa acontecer, somado às parcerias estratégicas”, pondera o analista.

Quer analisar todos os seus investimentos em um só lugar, em uma plataforma intuitiva? Baixe o APP B3