Quase 18% de dividend yield em seis meses: veja as maiores pagadoras de dividendos em 2026 – até aqui
Construtora surpreende na liderança, mas seguradoras e elétricas seguem como os pilares dos dividendos
Mesmo com expectativa de um ano de seca nos proventos, algumas companhias foram generosas ao remunerar os seus acionistas no 1º semestre de 2026. Levantamento da Economatica para o Bora Investir mostra que pelo menos 11 ações da bolsa de valores apresentaram um dividend yield (retorno em dividendos) superior a 6%, média tida como padrão mínimo para boas pagadoras. O estudo considerou empresas com boa liquidez de negociação, presentes nas carteiras dos índices Ibovespa, IDIV e Small Caps.
A liderança ficou com a incorporadora Moura Dubeux (MDNE3), que teve um retorno em proventos de 17,87% no primeiro semestre, após desembolsar R$ 4,16 por ação para os investidores.
Integrando o pódio se encontram também PetzCobasi (AUAU3) e Log Commercial Properties (LOGG3), com dividend yield de 17,08% e 13,32%, respectivamente.
A lista de maiores pagadoras do semestre inclui um leque diverso de companhias, algumas integram setores perenes e outras fortaleceram as suas distribuições por causa de eventos não recorrentes.
Breno Falseti, sócio e gestor da Rubik Capital, destaca que em um ambiente de juros ainda elevados – no patamar de 14,25% atualmente- é fundamental identificar a origem dos proventos das empresas da lista, que se dividem entre lucros recorrentes, venda de ativos e eventos societários pontuais. Veja ranking abaixo:
Maiores pagadoras de dividendos do 1º semestre
| Ação | Dividend yield no 1º semestre | Dividendo por ação 1º semestre | Dividend yield projetado próximo 12 meses |
| Moura Dubeux (MDNE3) | 17,87% | R$ 4,16 | 14,22% |
| PetzCobazi (AUAU3) | 17,08% | R$ 0,74 | 22,88% |
| Log (LOGG3) | 13,32% | R$ 3,22 | 11,62% |
| Petrorecôncavo (RECV3) | 12,06% | R$ 1,36 | 13,67% |
| Armac (ARML3) | 9,03% | R$ 0,40 | 13,76% |
| CPFL (CPLE3) | 8,67% | R$ 1,06 | 7,08% |
| BB Seguridade (BBSE3) | 7,17% | R$ 2,59 | 6,62% |
| CPFL (CPFE3) | 7,00% | R$ 3,73 | 8,33% |
| Lavvi (LAVV3) | 6,40% | R$ 1,02 | 8,91% |
| Allos (ALOS3) | 6,18% | R$ 1,75 | 6,25% |
| Cemig (CMIG4) | 6,13% | R$ 0,69 | 6,32% |
*DY projetado para os próximos 12 meses tem como premissa que a empresa vai continuar entregando o mesmo lucro ou maior do último ano e mantendo a mesma política de remuneração aos acionistas
A maior pagadora do semestre
No caso da Moura Dubeux (MDNE3), o maior dividend yield do ranking, os especialistas consultados pelo Bora Investir, destacam que se trata de um caso genuíno de bons fundamentos. A construtora registrou o seu melhor momento operacional na história, com lucro recorde de R$ 155,5 milhões no primeiro trimestre, margem líquida de 24,8% e retorno sobre o patrimônio de 27,2%, indicadores tidos como excepcionais para o setor de incorporação.
Artur Horta, head de análise da GTF Capital, explica que a Moura Dubeux trabalha com um modelo de condomínio em que o cliente financia a obra a preço de custo, reduzindo a necessidade de capital próprio e protegendo a empresa do repasse de inflação de custos.
“Com alavancagem de apenas 4% do patrimônio e margens saudáveis, ela consegue crescer e distribuir proventos generosamente”, afirma Horta.
Falseti acrescenta que a ação MDNE3 avançou 30,57% no acumulado de 2026, portanto o dividend yield elevado não é fruto do preço do papel em queda e sim de uma distribuição robusta efetiva de proventos.
Bruno Oliveira, analista do Vida de Acionista, destaca ainda alguns fatores que proporcionam maior previsibilidade ao investidor, mesmo se tratando de uma empresa do segmento de construção civil que é mais cíclico. “O planejamento de novos empreendimentos em parcelas protege a empresa porque preserva o fluxo de caixa e traz mais estabilidade ao acionista”, diz. Contudo, faz a ressalva que o investidor deve considerar o dividend yield elevado de Moura Dubeux como algo não recorrente.
Horta acrescenta que um vetor de crescimento que pode reforçar a capacidade de distribuição da incorporadora no futuro é a entrada da Moura Dubeux no segmento Minha Casa, Minha Vida por meio de uma parceria com a Direcional (DIRR3). “Um mercado que tem proporcionado excelentes retornos para as construtoras”, afirma o analista.
Outros destaques
Os especialistas destacam que no ranking algumas companhias entregaram proventos elevados por conta dos seus bons fundamentos, muitas delas são tradicionalmente conhecidas como boas pagadoras.
É o caso da BB Seguridade (BBSE3), uma conhecida vaca leiteira da bolsa, que registrou um dividend yield de 7,17% no primeiro semestre, remunerando os acionistas com R$ 2,59 por ação.
Falseti destaca que a seguradora pagou proventos sobre o maior lucro de sua história, de R$ 9,1 bilhões em 2025, com payout (parcela do lucro destinada a proventos) de 96%.
“BB Seguridade é uma empresa anti-Brasil, no sentido de saber lidar com a volatilidade macroeconômica, com fortíssima geração de caixa e modelo asset-light”, destaca Oliveira, do Vida de Acionista.
Outra empresa conhecida pelos seus sólidos fundamentos é a CPFL Energia (CPFE3), com dividend yield de 7% no primeiro semestre. A elétrica distribuiu R$ 4,3 bilhões sobre o lucro estável de R$ 5,7 bilhões.
A lista traz também a Copel (CPLE3), que após a sua privatização, conseguiu melhorar a sua estrutura de capital, reduzindo o seu endividamento e alavancagem e colocando em prática uma nova política de proventos, de pagar no mínimo 75% do seu lucro. “Vale lembrar que o comportamento da cotação ajudou a construir um dividend yield mais agradável, diferente do caso da Moura Dubeux”, comenta Oliveira.
Os especialistas destacam também a empresa de galpões logísticos Log (LOGG3), terceira colocada da lista, que teve um dividend yield de 13,32%, com pagamentos de R$ 3,22 por ação. Segundo Horta, a empresa está em ciclo de venda de ativos, o que gera recursos extraordinários e aumenta a distribuição de proventos.
Armadilhas dos dividendos
Os analistas também citam companhias cujos dividendos podem ser considerados armadilhas, dado que as distribuições foram fruto de fatores atípicos que podem não se repetir.
Um destes casos é PetzCobasi (AUAU3), que distribuiu R$ 0,74 por ação por conta do pagamento de uma parcela fruto de reorganização societária entre a Petz e a Cobasi.
“Foi um dividendo não operacional. Os proventos recorrentes da companhia representam um dividend yield inferior a 1%”, explica Falseti.
Segundo os especialistas consultados pelo Bora Investir, a Petz convive com margens de lucro pressionadas e múltiplos elevados. E não há expectativa de novas distribuições elevadas nessa magnitude. “Se o dividendo fosse com base no resultado da empresa, teríamos menos de R$ 0,05 por ação”, diz Oliveira.
Falseti, da Rubik Capital, cita também a Armac (ARML3), com dividend yield de 9,03%. O gestor aponta que a companhia distribuiu cerca de R$ 140 milhões no semestre, quase o dobro do lucro de R$ 73,8 milhões apurado em 2025. “A queda do lucro foi de 58%, com endividamento em alta e ação recuando quase 30% em 2026, o que infla artificialmente o dividend yield”, diz. Para o especialista, um payout acima do lucro e com balanço pressionado não pode ser considerado saudável e nem sustentável.
Quem vai continuar remunerando bem o acionista?
Para a segunda metade do ano, os analistas já têm mapeadas as ações que devem continuar enchendo o bolso dos investidores. A BB Seguridade é unanimidade, com dividend yield projetado de 10% para os próximos 12 meses.
Oliveira destaca que a seguradora já anunciou proventos de cerca de R$ 2 por ação referentes ao primeiro semestre, equivalente a um dividend yield de 5% apenas neste único pagamento.
Já Falseti acredita que mesmo com eventual queda dos juros, que pode reduzir o resultado financeiro da seguradora, a BB Seguridade continuará pagando entre 90% e 95% do seu lucro nos próximos 12 meses.
No setor elétrico, Horta, da GTF Capital, cita Copel, Cemig e CPFL com potencial de entregar um dividend yield de 9% nos próximos 12 meses.
Falseti é mais conservador para a Copel e espera um retorno em dividendos entre 5% e 6%, com potencial de superar este patamar com distribuições extraordinárias. Para a CPFL projeta yield entre 8% e 9%.
Entre as ações do ranking, os analistas ainda estão confiantes de que a Moura Dubeux possa manter dividendos elevados, entre 10% e 15% para os próximos 12 meses, sustentados pela forte demanda, crescimento operacional e margens de lucro elevadas.