As 10 ações do Ibovespa B3 que mais subiram na primeira metade de 2026; confira o ranking
Com salto de até 42%, confira o que as ações que lideraram o Ibovespa no 1º semestre têm em comum
O Ibovespa B3 experimentou um primeiro semestre volátil, mas encerrou o período com alta de 6,76% aos 172.024 pontos. Foram vários vetores externos que influenciaram no desempenho do índice, entre eles, o conflito entre Estados Unidos e Irã e o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz.
Embora o principal índice da bolsa brasileira teve ganhos moderados, não ocorreu o mesmo com as ações que o integram, que saltaram mais de 40% na primeira metade do ano. Outras derreteram quase pela metade de janeiro até junho.
Breno Falseti, sócio e gestor da Rubik Capital, lembra que o barril de petróleo se sustentou próximo aos US$ 100 no semestre e isso teve um efeito duplo na bolsa de valores.
De um lado, empresas produtoras de petróleo foram beneficiadas, mas na contramão isso prolongou o ambiente de juros restritivos e a inflação pressionada.
O resultado foi que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) conduziu o ciclo de corte de juros com cautela, com a Selic recuando de 15% para 14,25%. “Esse patamar de juros comprimiu o resultado de companhias endividadas e dependentes do consumo doméstico”, explica Falseti.
A dispersão nos resultados foi notória a nível setorial. O gestor da Rubik destaca que as maiores altas se concentram em commodities ou teses com gatilhos relevantes, envolvendo privatização, leilões de energia ou novos campos de produção. Já entre as quedas aparecem companhias alavancadas e negócios sensíveis aos juros e à renda. Confira abaixo as maiores altas do semestre no Ibovespa, segundo levantamento da RocketTrader para o Bora Investir.
Ações com as maiores altas no 1º semestre
| Empresa | Código | Variação no semestre (%) | Fechamento (R$/ação) |
| Usiminas | USIM5 | 42,02 | R$ 8,45 |
| Copasa | CSMG3 | 38,51 | R$ 59,93 |
| Eneva | ENEV3 | 32,41 | R$ 26,72 |
| Petrobras | PETR3 | 31,84 | R$ 41,78 |
| Petrobras | PETR4 | 26,44 | R$ 37,80 |
| Prio | PRIO3 | 25,91 | R$ 52,15 |
| Ultrapar | UGPA3 | 24,69 | R$ 26,06 |
| Copel | CPLE3 | 24,46 | R$ 15,02 |
| Caixa Seguridade | CXSE3 | 23,42 | R$ 19,71 |
| Assaí | ASAI3 | 21,66 | R$ 8,74 |
As campeãs do Ibovespa no 1° semestre
A maior alta do semestre foi da siderúrgica Usiminas (USIM5), que valorizou 42,02% no período. Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor, comenta que a tese da companhia ganhou força com a melhora na dinâmica do mercado doméstico de aço. Influenciaram também medidas antidumping contra importações e reajustes de preços.
Por ser a siderúrgica mais alavancada operacionalmente a preços internos do setor, o impacto positivo foi amplificado, avalia Simão. A elevação de recomendação pelo Goldman Sachs funcionou como catalisador adicional.
Na segunda posição no ranking semestral, figura a Copasa (CSMG3), com alta de 38,51% na primeira metade do ano. O principal gatilho da valorização foi a privatização da companhia, concluída com a entrada da Equatorial como acionista de referência. “Isso transformou estruturalmente a tese da empresa. O mercado demorou a acreditar que o processo sairia do papel, mas o investidor que se antecipou colheu mais de 120% de valorização”, comenta João Debom, sócio da Alude Capital. O potencial de dividendos vem dos ganhos de eficiência e da universalização do saneamento em Minas Gerais.
Completando o pódio está a Eneva (ENEV3), que saltou 32,41%, mas acumula alta superior a 90% nos últimos 12 meses. Simão, do Hub do Investidor, explica que o principal catalisador foi a vitória no Leilão de Reserva de Capacidade, que elevou seu portfólio a mais de 10 GW contratados, o que proporciona visibilidade de caixa para os próximos dez anos.
No entanto, Simão faz a ressalva que se trata de uma tese de crescimento e não de renda.
Ainda entre as maiores altas, destaque para as petroleiras com Petrobras (PETR3; PETR4) avançando 31,84% e 26,44%, respectivamente, impulsionadas principalmente pela alta do petróleo brent, o que favoreceu um lucro robusto, geração de caixa forte e dividendos de dois dígitos.
As ações da Prio (PRIO3) também surfaram nessa onda, avançando 25,91%, mas com a tese mais voltada para o crescimento. Falseti, da Rubik, destaca que o início de produção no campo de Wahoo e a integração de Peregrino colocaram a companhia em trajetória para praticamente dobrar a sua produção, com efeito direto sobre a geração de caixa.
O segundo semestre traz continuidade?
Na visão dos especialistas consultados pelo Bora Investir, o cenário para a segunda metade do ano é de cautela e maior seletividade. Um dos motivos é que o petróleo já recuou com a desescalada de conflitos no Oriente Médio e analistas já projetam a commodity se acomodando no patamar de US$ 70 em 2026.
“O segundo semestre tende a ser mais volátil por conta de juros americanos, Selic, quadro fiscal e eleições. Há espaço para valorização em casos específicos, mas parte relevante do movimento já foi precificada”, avalia Jayme Simão, do Hub do Investidor.
Para Falseti, as assimetrias mais favoráveis seguem em Prio, em fase de expansão de produção, com geração de caixa crescente mesmo em cenários de petróleo mais baixo. E também na Copasa, que inicia agora a captura dos ganhos de eficiência da gestão privada, processo que tende a se estender por anos.
Na Petrobras, o gestor aponta que o segundo semestre deve ser dominado pela dinâmica eleitoral, respondendo menos ao barril e mais aos cenários para a política de preços da estatal. Na Usiminas, parte da melhora já está nos preços, segundo Falseti, a continuidade depende da implementação efetiva das medidas antidumping.
Quem pode surpreender no segundo semestre
Fora do TOP5, algumas companhias podem valorizar e se destacar na segunda metade do ano, segundo os especialistas. Uma delas é a Copel (CPLE3) que surge como tese complementar às elétricas privatizadas, com perfil de risco mais controlado e dividendos consistentes.
Simão cita também bancos e seguradoras que tendem a ganhar tração em um ambiente de maior aversão ao risco, combinando resiliência de resultado e distribuição de proventos, atributos valorizados em ano eleitoral.
O sócio-fundador do Hub do Investidor destaca também os segmentos de varejo e consumo doméstico, além das small caps (ações com menor valor de mercado) que podem surpreender caso o ciclo de corte de juros ganhe consistência, por serem setores alavancados e que sofrem mais com aperto monetário.
As maiores perdas do semestre
Na contramão do índice, algumas ações chegaram a recuar quase 50%. É o caso da CSN (CSNA3) que fechou o semestre com baixa de 48,32%. Boa parte das empresas que enfrentaram forte queda na bolsa sentiram seus balanços pressionados pelos juros altos.
Confira abaixo as maiores baixas do semestre no Ibovespa, segundo levantamento da RocketTrader para o Bora Investir.
Maiores quedas do Ibovespa no 1º semestre
| Empresa | Código | Variação no semestre (%) | Fechamento (R$/ação) |
| CSN | CSNA3 | -48,32 | R$ 4,62 |
| Magazine Luiza | MGLU3 | -47,16 | R$ 4,68 |
| Minerva | BEEF3 | -35,08 | R$ 3,71 |
| MRV | MRVE3 | -32,22 | R$ 5,28 |
| Vivara | VIVA3 | -31,17 | R$ 22,88 |
| Totvs | TOTS3 | -31,02 | R$ 28,70 |
| Hapvida | HAPV3 | -30,69 | R$ 10,21 |
| Cosan | CSAN3 | -30,45 | R$ 3,70 |
| Azzas | AZZA3 | -28,93 | R$ 17,88 |
| Cogna | COGN3 | -28,45 | R$ 2,25 |
Na CSN pesou a dívida líquida acima de R$ 41 bilhões e a alavancagem em torno de 3,5 vezes, com margens de lucro pressionadas por aço importado e minério mais fraco, observa Simão. “A tese ficou binária, dependente da execução de plano de venda de ativos para desalavancar”.
A segunda maior baixa do semestre foi da Magazine Luiza (MGLU3), com tombo de 47,16%. Falseti afirma que a companhia sofre com juros altos que amplificam suas despesas financeiras sobre um balanço já alavancado. “Existe uma competição acirrada no comércio eletrônico e também impacta o consumidor endividado”, diz o gestor.
Ainda entre as três maiores perdas está a Minerva (BEEF3), com queda de 35,08%, impactada pela virada do ciclo pecuário no Brasil, que encareceu o preço do gado. Simão cita também a restrição da cota chinesa que diminuiu o destino marginal das exportações e o frete mais caro que comprimiu os ganhos. “A conversão de caixa e a alavancagem elevada seguem como o ponto mais vulnerável da tese”, aponta o sócio-fundador do Hub do Investidor.
É possível virar o jogo?
Os especialistas estão otimistas, mas são seletivos. Eles enxergam as ações da MRV (MRVE3) e Vivara (VIVA3) como as mais bem posicionadas para uma recuperação. Falseti destaca que são operações saudáveis, penalizadas pelo cenário macro e decisões pontuais de gestão.
Já a retomada de ações como CSN, Magazine Luiza e Minerva dependem de eventos específicos, como venda de ativos, corte relevante dos juros e menor competição no e-commerce, além de normalização do ciclo pecuário. “Em todos os casos, o preço atual já reflete boa parte do pessimismo, mas o mercado segue exigindo provas concretas de melhora”, afirma o gestor da Rubik Capital.