ETFs

Os ETFs que dispararam no 1º semestre: chips, semicondutores e proteção cambial lideram; confira

No segundo semestre, atratividade deve migrar para o mercado local

A indústria de fundos de índice (ETFs), listados na bolsa brasileira, teve um desempenho muito condizente com o retorno dos principais ativos que se destacaram no mercado global no primeiro semestre de 2026. A rentabilidade foi generosa para fundos ligados a semicondutores, chips, tecnologia e ativos internacionais, principalmente para quem tinha proteção cambial.

Levantamento da Economatica para o Bora Investir apresenta os 10 ETFs mais rentáveis do semestre. Veja abaixo:

OS ETFs que mais valorizaram no 1º semestre 

Nome do ETFCódigo Retorno no semestre Volume médio diário negociado no semestre (em milhares) 
Investo Chip CHIP11 69,71% 3.230 
Buena Vista V Fundo de Índice QQQQ11 31,49% 84 
B Index Tecx TECX11 27,26% 206 
Trend Us Tec UTEC11 18,54% 2.054 
Investo Ustk USTK11 17,91% 645 
BB Etf Boi G BBOI11 15,38% 243 
Safraibovest SPUB11 15,26% 47 
BTG Sphedge SPBZ11 14,02% 782 
It Now SP BR SPXR11 13,68% 14.772 
Trend SP Brl SPXH11 13,47% 623 
Fonte: Economatica

Semicondutores e tecnologia na liderança

O ETF que mais valorizou no semestre foi o CHIP11, da gestora Investo, que entregou um retorno de 69,71%. Leonardo Maranhão, analista de ETFs do Hub do Investidor, destaca que este fundo de índice investe em empresas ligadas a semicondutores, uma indústria que está em forte expansão diante da evolução da computação em nuvem, IA e datacenters na economia global. “A composição do CHIP11 é 80% em empresas dos EUA e 10% em Taiwan, reforçando a concentração dos EUA nessa indústria”, explica.

Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, detalha que o setor foi favorecido por resultados corporativos acima das expectativas, em nomes como Dell, SK Hynix e Samsung, reforçando a percepção de que a demanda por memória, chips de alto desempenho e infraestrutura para data centers segue em expansão acelerada.

“O caso emblemático foi a Micron, que ultrapassou pela primeira vez US$ 1 trilhão em valor de mercado. Quando o mercado entende que o gargalo da IA é físico, feito de chip, memória e energia, quem fabrica o gargalo vira o ativo mais disputado do planeta”, afirma Trevisan.

Nas primeiras posições do ranking estavam presentes também ETFs ligados a tecnologia: QQQQ11 (+31,49%), TECX11 (+27,26%), UTEC11 (+18,54%) e USTK11 (+17,91%).

Para Trevisan, se trata da mesma tese de investimento em quatro embalagens diferentes. O especialista comenta que o UTEC11 e o USTK11 replicam o mesmo índice de tecnologia americana ampla, com Nvidia, Microsoft, Apple e Broadcom entre os maiores pesos. Já o TECX11 adiciona a perna global do setor e o QQQQ11 é a versão high beta (com maior volatilidade) do Nasdaq 100.

Giulio Chinellato, analista do Grupo Mide, chama atenção para um detalhe que passa despercebido: os fundos são dolarizados, mas o dólar caiu frente ao real no semestre. “A alta no exterior foi ainda maior do que o retorno em reais mostra. Quando um ETF de chip quase dobra de valor mesmo com o câmbio jogando contra, dá para medir o tamanho do movimento”, avalia.

Proteção cambial ganhou força no semestre

Outros ativos que também figuram no ranking de maiores rentabilidades são os ETFs SPBZ11, SPXR11 e SPXH11, com retornos semestrais entre 13% e 14%. Estes três fundos seguem o retorno do S&P500 mas apresentam proteção cambial.

“O IVVB11, que segue o mesmo S&P 500 mas sem proteção cambial, rendeu só 2,70% no mesmo período. É o mesmo índice, com quase 11 pontos de diferença, exatamente o efeito do dólar em queda”, aponta Chinellato. Segundo o analista, quem estava com hedge ficou com o ganho da bolsa americana, já quem não estava, viu o câmbio comer boa parte do resultado.

Para Trevisan, estes ETFs se beneficiam com a bolsa americana em dólar, mas o carrego do CDI (principal indexador da renda fixa), sem sofrer a variação do câmbio. “No semestre, isso significou uns 8% do S&P mais um CDI que, com a Selic ainda em patamar elevado, adicionou cerca de 6 a 7 pontos enquanto o dólar caía frente ao real”, explica.

Para o especialista, foi o “semestre perfeito” para proteção cambial, com bolsa americana forte, juro brasileiro alto e real valorizado.

Estatais e agro também integram o ranking

Menos populares, ETFs que replicam o desempenho de estatais e do boi gordo também integraram a lista de maiores ganhos. O SPUB11 acumulou alta de 15,26% no semestre. Maranhão explica que o fundo investe em empresas como Banco do Brasil, BB Seguridade, Caixa Seguridade, Cemig, Petrobras e Copasa.

“Exceto a Petrobras, são empresas de setores com alta estabilidade e previsibilidade como bancos, seguradoras, saneamento e elétricas. E a Petrobras se beneficia com a alta do petróleo, resultado da crise geopolítica no Irã”, aponta o analista do Hub do Investidor.

Já o BBOI11, que saltou 15,38%, foi a surpresa da lista, demonstrando que ETFs não estão apenas relacionados ao movimento da bolsa de valores. “A arroba atingiu R$ 365 em São Paulo, maior nível desde 1997 em termos reais. Foram 1,4 milhão de toneladas embarcadas no acumulado do ano, alta de 15% em volume e 35% em valor, com a China respondendo por cerca de 45% das exportações”, aponta Trevisan, da Gravus Capital.

Quem vai se destacar no segundo semestre?

Para os especialistas consultados pelo Bora Investir, os ativos de tecnologia seguem com fundamentos estruturais, mas após forte valorização, o valuation esticado pede cautela. “Depois de subir 70% em seis meses, o setor pode estar caro, com concentração enorme em poucos nomes e sensibilidade alta a qualquer decepção do resultado ou de capex (investimentos)”, pontua Trevisan e reforça que tecnologia é posição para dimensionar na carteira, mas não perseguir.

Chinellato tem uma visão semelhante e construtiva para o setor, mas fica pé atrás com concentrar as apostas em um único tema, tais como semicondutores puros.

Já em relação ao hedge cambial, a perspectiva dos especialistas é positiva. Trevisan cita que o dólar voltou a se valorizar contra o real pelo segundo mês consecutivo, fechando junho cotado a R$ 5,16. “Se o dólar global seguir se recuperando, a versão sem hedge volta a competir, mas ter proteção cambial continua interessante pelo carrego”, comenta.

Os especialistas também projetam um cenário promissor para a bolsa brasileira e ETFs ligados a esta na segunda metade do ano, dado que o mercado local está descontado com a Selic em ciclo de queda. “Se o juro doméstico continuar cedendo, isso favorece exatamente o que ficou para trás: small caps, consumo, o Ibovespa cheio”, diz Trevisan.

Chinellato concorda e aponta que o segundo semestre tende a premiar mais ativos brasileiros do que tecnologia dolarizada. Para os especialistas, o segredo é estar bem diversificado.

Volume não é sinônimo de rentabilidade

O estudo da Economatica também traz o ranking dos 10 ETFs mais negociados no primeiro semestre de 2026. O BOVA11, que replica o Ibovespa, lidera com folga, negociando 836.051 mil por dia. Seguido do ETF que replica small caps, SMAL11, além de teses relacionadas ao Ibovespa, S&P 500, ouro e criptomoedas.

OS ETFs mais negociados no 1º semestre

Nome do ETF Código Retorno no semestre Volume médio diário de negociação (em milhares)Volume total negociado no semestre (em milhares)
Ishares Bova Ci BOVA11 6,99% 836.051 101.998.251 
Ishares Smal Ci SMAL11 -3,98% 290.922 35.492.441 
It Now Ibov BOVV11 7,01% 113.884 13.893.839 
Ishares S&P 500 IVVB11 2,70% 60.675 7.402.381 
Trend Ouro GOLD11 -13,12% 56.392 6.879.770 
Hashdex Nci HASH11 -40,49% 25.334 3.090.803 
Trend Nasdaq NASD11 12,09% 16.441 2.005.796 
It Now Idiv DIVO11 7,17% 14.833 1.809.621 
It Now SP BR SPXR11 13,68% 14.772 1.802.243 
Hashdex Btcn BITH11 -37,76% 14.100 1.720.212 
Fonte: Economatica 

Três dos dez ETFs mais negociados registraram perdas no período. “Volume alto e retorno alto são coisas diferentes e a lista prova isso”, observa Trevisan.

Para Chinellato, do Mide, os mais negociados reúnem alguns fatores. O primeiro é tradição e liquidez, presente nos ETFs que replicam o índice Ibovespa. Já outros fundos, mostram sua utilidade como ativos de alocação e diversificação de carteiras, como IVVB11, BOVV11 e DIVO11.

Há também ETFs que representam a procura diante da volatilidade, como os fundos de ouro e cripto, GOLD11, HASH11 e BITH11.

“O ouro fez o caminho de ida e volta, disputado como proteção no auge da tensão entre EUA e Irã e depois em queda de 6,61% no semestre”, avalia Trevisan. Já as criptomoedas viveram um semestre muito duro com forte tombo do bitcoin, de mais de 30%. “Volume, nesses casos, é termômetro de dor, não de otimismo”, acrescenta.

Para Maranhão, o conjunto dos fundos mais negociados reforça a essência dos ETFs: “Isso reforça o caráter dos ETFs de serem ‘peças de construção’ de portfólios. Percebemos um fluxo ainda maior para bolsa brasileira, reflexo do crescimento que vem apresentando recentemente, o que acaba sendo natural também”, pontua.

Quer analisar todos os seus investimentos em um só lugar, em uma plataforma intuitiva? Baixe o APP B3