Metade do ano passou: como fazer um balanço das finanças até aqui
Balanço de meio do ano, com revisão da carteira de investimentos e mapeamento de dívidas, ajuda o investidor a reorganizar finanças e tomar decisões seguras
Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
O segundo semestre de 2026 já começou e, com ele, vêm os questionamentos acerca das decisões financeiras tomadas na primeira metade do ano. O momento atual, que funciona como um checkpoint para o investidor, é também uma chance de buscar novas oportunidades de investimento e recalcular eventuais desvios de rota que tenham resultado em perdas nas suas finanças.
Um balanço geral de meio do ano abre possibilidade para otimização de investimentos e novos planejamentos, ainda que isso dependa do perfil de cada investidor e dos seus objetivos de curto e longo prazo. Para isso, a busca por melhores projeções para os próximos meses deve ser acompanhada por uma atenção especial ao cenário macro. As projeções recentes feitas pelo Banco Central (BC) apontam para uma inflação levemente acima do esperado até o fim deste ano. Ao mesmo tempo, existe uma expectativa de novos cortes da taxa Selic, após a redução para 14,25% na última reunião do Copom, ocorrida em junho.
“Neste contexto, do ponto de vista das famílias, o principal é: inflação no orçamento, custo das dívidas e liquidez”, destaca Claudia Yoshinaga, Coordenadora do Centro de Estudos em Finanças da FGV (FGVcef), ao ressaltar que fatores como a inflação acima do teto, acumulada em 4,72% nos últimos 12 meses, mantém o poder de compra sob pressão ante a alta dos preços.
Yoshinaga cita que, apesar do corte na Selic, a taxa de juros segue operando em um patamar elevado, o que torna os investimentos conservadores uma opção mais atrativa ao investidor que ainda procura construir uma reserva de emergência ou prefere alternativas com maior liquidez e previsibilidade.
“Agora, quem já possui reserva, não possui dívidas elevadas e investe pensando no longo prazo pode, sim, assumir algum risco de forma planejada, com diversificação da carteira de investimentos. O erro é tentar ‘recuperar o atraso’ ao investir dinheiro necessário no curto prazo em ativos arriscados”, completa.
O balanço das finanças do meio do ano é um momento propício para quitar dívidas por meio de novas abordagens no planejamento financeiro. Nesse sentido, é importante separar as contas pendentes, levando em consideração fatores como o tipo de dívida (por exemplo, empréstimo pessoal, cartão de crédito), valor original, taxa de juros e se existe alguma garantia atrelada ao débito.
A professora e mestre em educação financeira, Cintia Senna, destaca a importância de entender as oportunidades de negociação disponíveis, a fim de mapear quais devem ser as prioridades.
“É necessário mapear o fluxo de caixa: quais são as entradas, os ganhos atuais, e as saídas, as necessidades do indivíduo. Assim, pode-se verificar qual é a margem existente para negociação das dívidas”, afirma.
Senna pontua que esse processo é importante também para identificar possíveis déficits no fluxo de caixa, o que revelaria um desequilíbrio financeiro anterior ao endividamento.
“Reduzir gastos, otimizar, fazer escolhas, talvez buscar novas fontes de renda, para, aí sim, negociar as dívidas, especialmente aquelas com bens em garantia, contas essenciais, e, por último, cartão e empréstimos, que, apesar dos juros elevados, não possuem implicação direta sobre bens e apresentam maior margem de negociação.”
O que ficar de olho depois do balanço
Os analistas destacam, que além das finanças pessoais, alguns fatores são importantes para ficar de olho no segundo semestre, como a Reforma Tributária e os desdobramentos das eleições de outubro.
Ou seja, ainda que o país mantenha os índices estáveis de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e o baixo desemprego, é preciso agir com cautela na hora de investir, devido à persistência dos juros altos, a despeito de uma eventual continuidade da redução da Selic.
“Resumindo: não é um cenário de paralisia, mas também não é o momento para euforia. Será um semestre para avançar com cautela”, diz Claudia Yoshinaga.