Em meio à incerteza global, títulos soberanos despontam como alternativa de baixo risco
Os títulos soberanos internacionais são títulos de dívida emitidos por governos estrangeiros
Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
Em um momento marcado por incertezas macroeconômicas e geopolíticas, o apetite por investimentos considerados de baixo risco ganha força. Nesse cenário, os títulos soberanos internacionais, títulos de dívida emitidos por governos estrangeiros, surgem como uma alternativa para investidores que buscam uma alternativa segura que combine rentabilidade e diversificação de portfólio.
Embora esses títulos não sejam negociados de forma direta na B3, eles ainda podem ser adquiridos por meio dos Exchange Traded Funds (ETFs) de renda fixa global ou por Brazilian Depositary Receipts (BDRs) de ETFs, que permitem o acesso às cotas de ETFs de renda fixa no exterior. Ambas as opções possibilitam ao investidor a aquisição dessa classe de ativos sem a necessidade de abertura de contas em corretoras internacionais.
Os ETFs de renda fixa são atrelados a índices de referência compostos principalmente por títulos públicos e, em alguns casos, a títulos privados emitidos por empresas estrangeiras. Já os BDRs de ETFs são valores mobiliários emitidos no Brasil que representam cotas de ETFs negociados internacionalmente. A emissão em território nacional ocorre por intermédio de uma instituição depositária, que age também como garantidora do lastro dos BDRs e assegura a correspondência entre os ativos do exterior e os BDRs negociados na B3.
As principais vantagens desse tipo de investimento incluem a diluição do risco, que ocorre por meio de uma ampla diversificação geográfica da carteira de investimentos, o custo relativamente baixo de investimento inicial e a possibilidade de proteção cambial (hedge cambial) incluída em alguns ETFs.
“Pensando na matemática de risco-retorno, claramente a compra em moeda pode proporcionar um retorno muito maior, mas é fato que terá volatilidade”, afirma Gabriel Simon, analista da Ajax Asset, que aponta também a maior liquidez e o menor spread dos ETFs e BDRs de ETFs em relação a outros investimentos, devido ao fato de serem negociados em bolsa e contarem com a atuação de market makers.
“Outra vantagem é em relação à tributação: os ETFs não sofrem a incidência do mecanismo conhecido como ‘come-cotas’ (antecipação do Imposto de Renda), que no longo prazo pode incomodar investidores, e também não há cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em resgates feitos em menos de 30 dias”, completou Simon.
Para Bruno Corano, economista da Corano Capital, pontua que a compra de títulos soberanos precisa levar em conta as diferentes expectativas do investidor e também os diferentes vencimentos.
“Esse tipo de investimento proporciona principalmente previsibilidade e as melhores opções. Só que, do mesmo jeito que ele proporciona previsibilidade, a depender do prazo de título, tem que ser ponderado o risco de uma alteração na curva de juros, que possa comprometer completamente o ganho”, afirmou.
Alguns exemplos de ETFs de renda fixa internacional são o USDB11, vinculado ao ETF Vanguard Total Bond Market (BND) e que possibilita o investimento numa ampla carteira de títulos de renda fixa dos Estados Unidos; e o BNDX11, atrelado ao ETF americano BNDX, que oferece majoritariamente títulos públicos mas também acesso a títulos corporativos.
No caso dos BDRs de ETFs, o investidor precisa adquirir a cota de um certificado que representa um ETF listado no exterior e que represente este tipo de ativo. Alguns exemplos são o BGOV39, atrelado ao fundo iShares U.S. Treasury Bond, e que permite a negociação de treasuries do governo americano; e o BIGO39, que replica o ETF IGOV (iShares International Treasury Bond ETF) e permite ao investidor brasileiro acessar uma carteira de títulos soberanos de economias desenvolvidas fora dos EUA, como Europa, Japão e Austrália.
+ Conheça as opções de ETFs e BDRs de ETFs disponíveis na B3
Como investir em títulos soberanos internacionais pela B3
Como citado anteriormente, a aquisição de títulos soberanos internacionais ocorre por meio da aquisição de ativos ligados a essa classe e que operam na Bolsa de Valores como ações ordinárias, e que também sofrem alterações sob o prisma de oferta e demanda.
Para adquirir os ETFs e BDRs de ETFs atrelados aos títulos de dívida internacionais é preciso somente uma conta em uma corretora nacional certificada pela B3. É através dessa conta que o investidor fará a compra e venda das cotas, por meio do Ticker, o código do ativo.
Por se tratar de uma transação feita no Brasil, todo o processo se dá em reais, ainda que o investidor esteja suscetível aos efeitos da variação cambial, à exceção de alguns ETFs específicos e alguns poucos BDRs de ETFs que possuem hedge cambial.