ETFs ganham espaço entre brasileiros: eles funcionam para qualquer tipo de investidor?
ETFs tiveram ‘boom’ nos últimos anos por fatores como diversificação e regime tributário
Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
Os ETFs (sigla para Exchange Traded Funds) têm conquistado cada vez mais espaço nas carteiras de investimentos dos brasileiros, por oferecerem praticidade e versatilidade, com a possibilidade de serem incluídos em diversos tipos de portfólio, além de contarem com um regime tributário diferenciado.
A popularidade dos ETFs pôde ser atestada em uma análise recente feita pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais, a Anbima, ao apontar que esses ativos atingiram uma captação líquida de R$ 23,2 bilhões em 2025, o maior montante registrado desde o início da série histórica, em 2004.
Somente no primeiro semestre de 2026, esse total chegou a R$ 32,5 bilhões. A categoria também atingiu um patrimônio total de R$ 116,6 bilhões, praticamente o triplo em relação a dois anos atrás.
Um dos motivos que explicam essa forte expansão dos últimos anos é o processo de “redescobrimento” dos ETFs por parte do investidor brasileiro, ao perceber a praticidade de se investir nessa modalidade diretamente do Brasil em comparação à abertura de contas no exterior e à necessidade de conversão cambial.
Cristiano Castro, diretor de desenvolvimento de negócios da gestora BlackRock, avalia que o sucesso do IVVB11, ETF atrelado ao índice S&P 500 (composto pelas 500 principais empresas dos Estados Unidos), que se tornou, em 2019, o maior em número de cotistas da B3, foi um marco essencial na percepção do investidor nacional.
“Na época, a conclusão que tivemos foi que as pessoas já tinham noção do mercado de renda variável local, além do gosto por ações individuais. Só que o IVVB11 tem o diferencial do acesso ao mercado internacional, sem a necessidade do investidor operar no exterior.”
O especialista destaca também a mudança de regime tributário em 2023, feita por intermédio da lei nº 14.754/2023, que, entre outras medidas, estabeleceu alíquotas para investimentos no exterior (offshore) e o chamado imposto “come-cotas”, que passou a incidir sobre algumas categorias de fundos de investimento.
Os ETFs ficaram de fora desse regime, o que possibilitou um fortalecimento dessa categoria frente a outros ativos afetados pelas novas regras.
ETFs funcionam para qualquer tipo de investidor?
Ao contrário de outras modalidades de investimento mais homogêneas, os ETFs apresentam uma ampla gama de opções, ao abarcar tanto alternativas de renda fixa, como aquelas vinculadas a títulos públicos, quanto ativos de renda variável, a exemplo dos que acompanham moedas internacionais e ações de empresas do exterior.
A recomendação, porém, é evitar decisões de tentativa e erro e estudar previamente os ativos desejados a fim de identificar se eles se adequarão ou não ao perfil de risco e aos objetivos do investidor.
“Se você não (quiser) investir para valer, você provavelmente não buscará informação sobre aquele investimento. Só que isso não permite uma evolução: a pessoa não saberá se aquele investimento funciona para ela, se se adequa aos objetivos que ela tem em mente”, diz Castro.
“Basicamente, esse indivíduo corre o risco de ser um investidor iniciante a vida inteira”, acrescenta.
Identificar se um ETF combina ou não com o perfil do investidor não é uma tarefa complexa. Por meio do site da B3, é possível encontrar uma lista dessa classe de ativos, além de dados como histórico de cotação, volume negociado e o índice de referência.
Como começar a investir em ETFs na B3?
É possível adquirir os mais diversos tipos de ETFs por meio da bolsa brasileira. Antes de começar a negociação, é necessário que o investidor possua uma conta em uma corretora credenciada.
Na plataforma da B3, a busca pelos ETFs se dá por intermédio do código do ativo na bolsa. Durante a negociação, o investidor poderá definir quantas cotas ele deseja adquirir.
A etapa prévia de pesquisa é fundamental para evitar possíveis erros na escolha. Analisar fatores como país de origem, regime de tributação e índice de referência (por exemplo, se o ETF em questão é atrelado a uma moeda, como o dólar, ou a uma carteira de empresas de determinado setor) é essencial para identificar oportunidades que se adequem ao perfil de cada investidor.
“O grande trunfo do ETF é que não é uma empresa, um ativo específico, mas vários que estão agrupados ali. Existe o benefício da diversificação, mas às vezes o investidor não se sente confortável com algum dos ativos presentes na carteira. Entender o que se está comprando é algo imprescindível”, afirma Castro.