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Confira 13 ações que pagaram dividendos acima da Selic, de 13,75%, no último ano

Especialistas alertam para observar se os dividendos são fruto de fundamentos sólidos ou eventos extraordinários

A Selic recuou para o patamar de 13,75% ao ano, mas ainda em dois dígitos, com um patamar considerado elevado para algumas ações entregarem uma rentabilidade semelhante ou superior à taxa básica de juros. Um levantamento da Elos Ayta Consultoria para o Bora Investir revelou que 13 ações conseguiram remunerar o investidor com um dividend yield (retorno em dividendos) acima da Selic atual. As ações possuem liquidez elevada de negociação porque integram os índices Ibovespa, IDIV (Índice de Dividendos) e Small Caps.  

O estudo levou como base os proventos distribuídos nos últimos 12 meses até o dia 21 de setembro. No topo da lista de maiores pagadoras se destacam a Riachuelo (RIAA3), com um dividend yield de 33,59%, seguida da Log Properties (LOGG3) que entregou dividendos de 30,37%. Na terceira posição está a JSL (JSLG3), com retorno em proventos de 29,87%. 

Ainda entre as cinco maiores pagadoras, destaque para Grendene (GRND3) e Petzcobasi (AUAU3) com dividend yield de 28,95% e 18,58%, respectivamente.  

Mesmo com um retorno em dividendos bastante elevado, boa parte das ações exigem uma análise criteriosa, segundo os especialistas consultados pela reportagem. Os analistas ouvidos pelo Bora Investir alertam que boa parte desses retornos foi fruto de eventos extraordinários e não de uma geração de caixa recorrente.  

“É importante que o investidor faça uma análise destas ações cruzando o dividend yield com fatores como geração de caixa, endividamento, payout (parcela do lucro destinada a proventos) e resultados das empresas, porque dividendo costuma estar atrelado ao lucro”, destaca Matheus Barsi, diretor e especialista da Barsi Investimentos.  

Breno Falseti, sócio e gestor da Rubik Capital, lembra ainda que um desses eventos foi a antecipação de distribuições antes da tributação de dividendos entrar em vigor, o que acabou inflando a janela de proventos do mercado nos últimos 12 meses.  

O levantamento da Elos Ayta traz ainda a mediana de dividend yield das ações nos últimos cinco anos. Uma métrica que traz uma visão mais realista de como as empresas remuneram os seus investidores, evitando uma visão distorcida por pagamentos extraordinários isolados. Isso é notório, por exemplo, na Riachuelo (RIAA3). A varejista de moda entregou um dividend yield de 33,59% nos últimos 12 meses, mas na mediana de cinco anos, o retorno em proventos foi de 2,15%. 

A Elos Ayta também traz uma projeção de retorno em dividendos para os próximos 12 meses, mas levando como premissa que a empresa vai manter a mesma política de distribuição de proventos dos últimos 12 meses no próximo ano. Assim como o seu lucro ser igual ou superior ao dos últimos 12 meses e que não se repitam proventos extraordinários no período projetado.

Veja abaixo as ações que pagam dividendos acima da Selic

Empresa Código na bolsa Dividend yield últimos 12 meses Mediana de dividend yield em cinco anos Dividend yield projetado próximos 12 meses 
Riachuelo RIAA3 33,59% 2,15% 46,56% 
Log Com Prop LOGG3 30,37% 3,57% 27,67% 
JSL JSLG3 29,87% 4,17% 28,88% 
Grendene GRND3 28,95% 10,28% 39,68% 
Petzcobasi AUAU3 18,58% 0,26% 17,73% 
Alpargatas ALPA4 18,39% 0,76% 13,62% 
Moura Dubeux MDNE3 16,86% 0% 18,86% 
Vulcabras VULC3 16,16% 15,50% 23,61% 
Lavvi LAVV3 15,94% 12,93% 22,30% 
Cury S/A CURY3 14,97% 8,19% 17,19% 
Banco BMG BMGB4 13,92% 13,92% 8,87% 
BBSeguridade BBSE3 13,90% 11,56% 11,49% 
Bradespar BRAP4 13,80% 13,09% 11,27% 
Fonte: Elos Ayta Consultoria

(*) o DY projetado se realizara se a empresa manter a politica de distribuição de dividendos dos últimos 12 meses nos próximos 12 meses, o lucro dos próximos 12 meses seja igual ou superior ao dos últimos 12 meses ate junho de 2026 e não existam dividendos extraordinários informados nos últimos 12 meses que não venham a se realizar nos 12 meses seguintes

As cinco maiores pagadoras 

A Riachuelo se consolidou como a maior pagadora da lista mas, segundo os especialistas, seu dividend yield de mais de 30% surgiu de um único anúncio, em dezembro de 2025, de R$ 1,49 bilhão em proventos.   

Falseti, da Rubik Capital, explica que o pagamento representou mais de 12 vezes tudo o que a companhia tinha distribuído entre 2023 e meados de 2025. O provento foi financiado pela venda do Midway Mall, por R$ 1,61 bilhão, aprovado na corrida para preservar a isenção tributária dos dividendos. “Foi fruto da monetização de um ativo imobiliário e não do resultado do varejo de moda”, pontua o gestor.  

Apesar de a Log ter experimentado uma época em que queria ser mais consistente no pagamento de proventos, seu dividend yield foi fruto da reciclagem de ativos, com a venda de galpões maduros e a devolução do ganho ao acionista, como os R$ 278,5 milhões (R$ 3,19 por ação) aprovados em dezembro. “Os dividendos elevados dependem do ritmo e do preço das vendas, não só do aluguel de galpões”, observa Jayme Simão, sócio-fundador do Hub do Investidor.  

Na JSL, a distribuição de proventos aconteceu graças a reservas acumuladas antes da mudança tributária, explica Simão. Foram R$ 1,48 por ação em dividendos e R$ 0,42 em juros sobre capital próprio. Isso fez com o que o dividend yield disparasse de 4,54% em 2025 para 29,87% nos últimos 12 meses. “O dividendo é reflexo de lucros passados e não da geração de caixa recorrente”, avalia o analista do Hub do Investidor.  

Já Barsi alerta para um fator importante, a JSL é uma empresa que precisa de muito caixa para financiar suas operações e quando distribui tudo isso em dividendos pode impactar negativamente seus projetos.  

No caso da fabricante de calçados Grendene, a empresa já se destacou como boa pagadora de proventos no passado e, na avaliação dos especialistas, possui um balanço forte e fundamentos sólidos. No entanto, Falseti afirma que o pico de dividend yield de 28,95% foi impulsionado por R$ 980 milhões em dividendos extraordinários aprovados em 24 de dezembro, novamente na janela fiscal.  

“É uma companhia que pode continuar distribuindo dividendos elevados, mas não da maneira que fizeram até aqui, porque se tratou de um acúmulo de caixa”, acrescenta Matheus Barsi.  

Em relação a PetzCobasi, Simão aponta que o dividend yield veio da fusão das companhias e não do lucro. Ele lembra que os acionistas da Petz receberam R$ 320,8 milhões em caixa (R$ 0,71 por ação) como parte da relação de troca com a Cobasi.  

Já Falseti reforça que desde então, a distribuição ordinária de proventos, recuou para R$ 0,03 por ação, porque a administração preferiu reinvestir o caixa.  

Dividendos perenes e com fundamentos sólidos 

Nem todas as companhias da lista entregaram proventos elevados por conta de eventos extraordinários, algumas são queridinhas dos investidores que buscam renda passiva e se destacam pelos seus bons fundamentos.  

Os especialistas consultados pelo Bora Investir citam a BB Seguridade (BBSE3) que possui um negócio de baixo capital intensivo, forte geração de caixa e um payout (parcela do lucro destinada a proventos) superior a 80%, sustentado por um lucro recorrente.  

Outra companhia reconhecida pela sua solidez é a holding Bradespar (BRAP4), que acaba recebendo e repassando aos investidores os proventos da Vale (VALE3), em consequência também possui uma forte dependência do minério de ferro.  

Ainda entre as perenes, Simão destaca Cury e Vulcabras. “Essas empresas combinam lucro crescente com payout elevado”, observa.  

Falseti pontua, contudo, que a lucratividade e geração de caixa de Cury e Lavvi estão condicionadas ao ciclo imobiliário. “São empresas resilientes a esses ciclos, mas não imunes a ele”, diz.  

O gestor da Rubik cita também o banco BMG (BMGB4), que atualmente entrega dividendos de 13,92%, mesmo patamar do que a sua mediana histórica de cinco anos. “Isso reflete a rentabilidade do crédito consignado”, defende.  

Nem tudo que reluz é ouro 

Diante de tantos eventos extraordinários que impulsionaram o pagamento dos proventos, os especialistas consultados pelo Bora Investir alertam sobre alguns riscos que devem estar no radar do investidor.  

Uma das dicas é não enxergar o dividend yield do passado como garantia de retorno em dividendos do futuro. Falseti alerta que muitas vezes se uma ação teve forte queda nos últimos 12 meses, o retorno em dividendos elevados pode não ter saído do caixa e sim influenciado pelo preço do ativo. Afinal, cotação em queda deixa o dividend yield maior.  

Outro fator importante a ser observado, segundo os especialistas, é se a empresa distribuiu reservas líquidas, se carrega dívidas elevadas em um cenário de juros altos, ou se teve mudanças na política de dividendos no estatuto. O gestor da Rubik cita a Vulcabras, que recentemente alterou sua política de dividendos mínimos, de 25% do lucro para 1%, um ponto de alerta para os acionistas. 

Além disso, Simão, do Hub Investidor, lembra sobre a tributação de 10% nos dividendos pagos acima de R$ 50 mil mensais, que deve reduzir o incentivo das empresas a distribuírem proventos extraordinários nos próximos meses. 

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