Warren Buffett: a história e os rumos da Berkshire Hathaway, avaliada em US$ 1 trilhão
Megainvestidor de 96 anos anunciou saída do cargo de presidente do conselho da Berkshire Hathaway e passa a função a seu filho Howard Buffett, enquanto Greg Abel segue como CEO
Na última semana, o megainvestidor Warren Buffett anunciou sua saída do cargo de presidente do conselho da Berkshire Hathaway, holding americana que esteve sob sua liderança desde 1965, quando ele adquiriu o controle acionário. Em 1970, Buffett passou a ocupar, simultaneamente, as funções de presidente do conselho e também de CEO (tendo ocupado essa última até o fim do ano passado, quando passou o bastão para Greg Abel).
Quando Buffett assumiu a gestão dos negócios, a empresa, então sediada em Massachusetts, era focada no setor têxtil e enfrentava problemas financeiros devido, entre outros fatores, à queda de preços e à migração de fábricas para os estados do Sul dos Estados Unidos.
Em 1962, quando Buffett adquiriu pela primeira vez uma ação da Berkshire Hathaway, os papéis custavam em torno de US$ 7,50. A estratégia do magnata à época se deu por meio da compra de ações da empresa, que estavam em baixa diante do contexto econômico da companhia.
Seu plano original era acumular as ações e depois esperar por uma oferta pública de aquisição para revender os papéis à companhia a fim de angariar lucros com a diferença entre a compra das ações por um preço baixo e a revenda à Berkshire Hathaway, que, naquele momento, estava usando um capital gerado a partir da venda de fábricas deficitárias para recomprar seus próprios papéis no mercado.
A mudança de planos veio após uma proposta feita pelo então CEO Seabury Stanton, que se ofereceu para comprar os papéis de Buffett pelo valor de US$ 11,50 cada. Na proposta oficial, porém, realizada via carta, o valor atestado era de US$ 11,375. Sentindo-se enganado, Buffett decidiu, então, comprar mais ações até adquirir uma participação majoritária e assumir o controle da companhia por meio de sua sociedade de negócios.
De uma empresa decadente a um negócio de US$ 1 trilhão
À frente da Berkshire Hathaway, Warren Buffett decidiu mudar os rumos da empresa por meio da diversificação dos negócios, ao deixar o setor têxtil de lado para focar no ramo de seguros.
A empresa eliminou por completo suas atividades dentro do setor têxtil em 1985, após diversas tentativas do magnata de reerguer esse ramo. Segundo Buffett, essas tentativas de investir num setor considerado condenado, ao invés de ter direcionado esses esforços para outros investimentos, teriam custado um total de US$ 200 bilhões ao considerar as oportunidades perdidas.
Por esse motivo, em diversos momentos, Buffett ponderou que ter adquirido a Berkshire Hathaway teria sido talvez o principal erro de sua carreira, ainda que tenha pagado barato para assumir a presidência da companhia.
Hoje, contudo, aos 96 anos, o magnata deixa um negócio avaliado em mais de US$ 1 trilhão, que também foi o grande responsável por catapultá-lo à lista dos 10 homens mais ricos do mundo, com um patrimônio total estimado em mais de US$ 140 bilhões, segundo fontes como a Forbes e o Bloomberg Billionaires Index.
Os negócios e a filosofia de Buffett
Para além de seu negócio principal, Warren Buffett também investiu em diversas outras companhias ao longo de sua carreira, o que inclui, por exemplo, Apple, American Express, Coca-Cola e o Bank of America (BofA).
Antes mesmo de se dedicar à gestão empresarial, o investidor havia fundado, aos 25 anos, em 1956, a Buffett Partnership Ltd., uma sociedade de investimentos organizada em conjunto com familiares e conhecidos mais próximos.
Com um capital inicial de US$ 105.100, a parceria foi o primeiro degrau para Buffett ascender à posição que conquistou nas décadas seguintes dentro do mundo dos negócios. Em 1962, a Buffett Partnership Ltd já administrava cerca de US$ 7 milhões em ativos.
A sociedade perdurou até 1969, quando Buffett optou por encerrar suas atividades após dificuldades para encontrar o que considerava como bons negócios, sobretudo em um momento marcado por especulações em Wall Street.
Por conta de seu faro para os negócios, algo cimentado muito cedo em sua trajetória (em particular pela influência do pai de Warren Buffett, um corretor de ações e congressista americano), Buffett ganhou o apelido de “oráculo de Omaha”, pois suas decisões referentes a negócios e investimentos passaram a ser acompanhadas de perto pelos agentes do mercado.
Isso se deu, sobretudo, pela filosofia de investimento focada em ganhos no longo prazo, com prioridade para investimentos em negócios sólidos e com potencial de expansão ao longo dos anos.
Warren Buffett também se destaca por ser um defensor de longa data da taxação sobre os super-ricos, na intenção de se obter uma maior equidade dentro do sistema tributário. A defesa de Buffett em ele próprio pagar mais taxas para aliviar as classes média e média-baixa serviu de inspiração para uma proposta política conhecida como “Regra de Buffett”.
A sucessão na Berkshire Hathaway
A sucessão de Warren Buffett fica a cargo de seu filho do meio, Howard Buffett, de 71 anos, escolhido pelo Conselho de Administração da Berkshire Hathaway. A decisão por um afastamento de Warren do comando da companhia e a própria escolha de Howard fazem parte de um plano de longa data de sucessão. Em 2011, Warren Buffett já havia sinalizado que gostaria que Howard assumisse o negócio algum dia.
Agora, Warren Buffett seguirá sendo membro do conselho do conglomerado, mas agora na função de presidente emérito, um cargo honorário que visa homenagear o legado do magnata além de mantê-lo numa posição importante dentro do colegiado. Nessa fase de transição, Howard contará com o auxílio do atual CEO da Berkshire Hathaway, Greg Abel, que assumiu o cargo no início deste ano após Warren Buffett ter deixado esse posto.
Como novo presidente, Howard Buffett ficará à frente do Conselho de Administração e terá um papel crucial na preservação dos valores e da cultura da empresa. A expectativa é que ele mantenha o grau de autonomia gerencial das subsidiárias dentro da companhia. Abel, por sua vez, segue a cargo das operações diárias e da alocação de capital.