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Ouro mantém espaço na carteira de investimentos mesmo após queda

Metal segue sendo referência de investimento de proteção do portfólio, apesar de estar suscetível às oscilações do mercado

Vitor Guedes, especial para o Bora Investir
Historicamente reconhecido como um investimento de proteção, propício para momentos de crise, o ouro tem mostrado resiliência ante os períodos de incerteza global e volatilidade de mercados, e, apesar das variações, ainda segue como um ativo que chama a atenção do investidor.

Após uma máxima histórica em janeiro de 2026, quando rompeu o patamar de US$ 5 mil por onça-troy, a commodity viu sua cotação cair em cerca de 25%, pressionada sobretudo pelos juros nos Estados Unidos e a consequente alta do dólar. Atualmente, a cotação do ouro tem se mantido em torno de US$ 4 mil por onça-troy. 

O ouro desempenha ainda uma função importante como hedge, sendo um ativo de proteção de portfólio, com possibilidade de valorização e maior resiliência frente a cenários adversos e choques econômicos. 

Cenário atual do ouro

Recentemente, o ouro voltou a apresentar uma reação nos mercados, especialmente após a decisão do Federal Reserve (Fed), na última semana, de manter inalterada a taxa de juros americana, vigente entre 3,5% e 3,75% desde o fim de 2025. A commodity, porém, ainda sofre com as flutuações de preços devido à alta inflação persistente nos EUA e por conta das incertezas globais no que tange à guerra no Oriente Médio.

Essa variação de preços não significa necessariamente que o ativo perdeu atratividade no mercado. O ouro possui atributos inerentes que o tornam um investimento sólido, como alta liquidez e capacidade de preservar o poder de compra do investidor, mesmo em momentos mais adversos.

Mauriciano Cavalcante, especialista da Corretora Ourominas, explica que, por esse conjunto de elementos, o ouro se torna um investimento atrativo em momentos de inflação elevada, instabilidade cambial e volatilidade nos mercados financeiros, ao funcionar como ferramenta de proteção (hedge) e diversificação da carteira. 

“Diferentemente de ações, imóveis ou títulos de renda fixa, ele não produz renda recorrente, dividendos ou juros. Sua função mais importante é ajudar a preservar patrimônio e equilibrar a carteira em períodos de maior instabilidade. Por isso, costuma fazer mais sentido dentro de uma estratégia de longo prazo do que como uma aposta de curto prazo.” 

Riscos associados

Ainda que seja um mecanismo importante de proteção patrimonial, a cotação do ouro está sujeita à dinâmica de oferta e demanda, com variação influenciada por choques externos.

Isso não quer dizer que ele não seja um investimento seguro em momentos de turbulência econômica. Ele representa, de fato, um ativo que visa à redução de riscos e exposição da carteira, mas isso não o torna blindado contra oscilações no curto prazo.

“O principal risco é acreditar que o ouro sempre sobe em momentos de crise. O metal também passa por correções, pode apresentar volatilidade e permanecer algum tempo em níveis inferiores aos preços de compra”, afirma Mauriciano Cavalcante.

O especialista menciona que concentrar os investimentos somente em ouro é também um erro. Esse movimento torna o portfólio menos diversificado e mais dependente da valorização do metal, o que nem sempre acontece, apesar de seu caráter resiliente.

Isso fica mais explícito quando o investidor decide adquirir o metal físico, como barras de ouro. Nesse caso, deve-se levar em conta os custos de armazenamento e proteção, além de atenção à procedência do produto.

Ouro físico vs Fundos e ativos em Bolsa

A decisão de investir no metal físico ou em ETFs (Exchange Traded Funds), fundos ou contratos futuros dependerá, sobretudo, dos objetivos e do perfil de cada investidor. 

Para os que procuram praticidade, a aquisição de ETFs negociados em bolsa ou a participação em fundos representa uma alternativa dinâmica e simplificada em comparação à compra do ouro físico.

“Fundos e ETFs oferecem maior praticidade, liquidez e facilidade para ajustar a posição, sem que o investidor precise se preocupar diretamente com armazenamento ou segurança. Já o ouro físico proporciona a posse direta de um ativo tangível e pode ser mais adequado para quem busca uma reserva patrimonial de longo prazo. Nesse caso, é fundamental observar o certificado de origem, nota fiscal, pureza, condições de recompra e forma de custódia”, avalia Cavalcante.

“Nenhuma modalidade é necessariamente superior. A escolha depende do objetivo, do prazo e da necessidade de liquidez de cada investidor”, acrescenta.

Como investir em ouro por meio da B3?

A B3 oferece a possibilidade de investimento em ouro por meio de ETFs ligados ao ativo, como o GOLD11 e o GLDX11; além de BDRs de ETFs da classe, a exemplo do BIAU39, que replica o iShares Gold Trust (IAU), negociado em Nova York.

+ Conheça as opções de ETFs ou BDRs de ETFs

Outra alternativa são os contratos futuros atrelados ao metal, que possibilitam uma maior alavancagem ao investidor no longo prazo. Essa opção, porém, tende a apresentar maior volatilidade, sendo recomendada aos mais experientes e com maior disposição para assumir riscos.

É possível investir indiretamente em ouro mediante ETFs e BDRs de ETFs de empresas do setor de mineração. Apesar de atrelada à commodity, essa alternativa tende a se assemelhar mais ao mercado de ações, sendo influenciada pelo desempenho operacional das companhias e com maior vulnerabilidade a choques externos, mas também com possibilidade de rendimento por dividendos pagos pelas empresas. 

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