Fundos de Investimento

Maioria dos fundos de renda variável ficou abaixo do índice de referência em 2022

No Brasil, 60,6% dos fundo de ações e multimercados registraram desempenho inferior ao seu benchmarks

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Por Marília Almeida

A maioria (60,6%) dos fundos de renda variável com gestão ativa no Brasil teve um desempenho inferior ao seu índice de referência em 2022. Os chamados benchmarks norteiam o desempenho dos fundos com gestão passiva, caso dos ETFs, e fundos de gestão ativa buscam ultrapassá-los.

É o que conclui o Scorecard SPIVA da América Latina 2022, relatório publicado pela S&P Dow Jones Indices. Além do Brasil, o estudo também analisou os fundos no México e Chile.

No ano passado, 81,21% dos fundos large cap (que têm na carteira empresas com maior grau de capitalização) perderam para o seu benchmark (no caso de fundos de ações, o Ibovespa). Já entre os fundos fundos mid/small cap (que inclui papéis de empresas com baixa ou média capitalização) o porcentual foi de 50,40%.

Apenas os fundos de crédito privado, que investem em títulos de dívida de empresas, tiveram no ano passado um desempenho melhor do que a maioria: menos da metade ficou abaixo de seus índices de referência.

Gráfico com Percentual de fundos da América Latina

Em prazos maiores, a quantidades de fundos de gestão ativa que perdem para o índice de referência aumenta. Em 10 anos, 90% dos fundos de renda variável brasileiros perdem para o índice de referência, porcentual que fica em 80% entre os fundos de large cap e se aproxima de 90% nos mid e small caps.

O relatório mostra que benchmarks, no longo prazo, batem os fundos com gestão ativa, diz Henrique Castro, professor do Centro de Estudos em Finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Cef). “A maioria dos fundos perdem do benchmark em períodos mais longos não apenas no Brasil, mas no mundo”.

Contudo, Castro ressalta que, no curto prazo, em alguns anos os fundos de gestão ativa podem bater o benchmark. Foi o caso dos fundos de dívida no ano passado.

“A renda fixa está muito favorável ao investidor por conta da Selic elevada, e a oferta de debêntures, portanto, se destacou. Como os títulos públicos, os títulos privados pegam uma fatia dos investidores que saem da renda variável. E, por possuírem mais riscos, registram rentabilidade ainda maior do que a de títulos do Tesouro. Mas eventos como o da Americanas e da Light reforçam que existem riscos”.

México e Chile

A maioria dos gestores ativos de fundos de renda variável do México registraram um bom desempenho durante o ano e menos de um terço (28,89%) perdeu para o benchmark.

A maioria dos gestores ativos de fundos de renda variável teve um desempenho inferior ao S&P Chile BMI em todos os períodos estudados, mas a taxa de desempenho inferior foi especialmente elevada em períodos mais longos.

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