Renda fixa
Itaú Asset: Duration ou liquidez? A decisão que define o retorno real na renda fixa
Duration não é apenas uma medida de prazo. É a sensibilidade do preço de um ativo a variações na taxa de juros
Alexandre Frade, da Itaú Asset
Sênior Portfolio Manager de Estratégias Indexadas da Itaú Asset Management. Experiência de 10 anos em Fundos de Pensão, e 5 anos na BlackRock como Gestor Sênior de ETFs listados na América Latina. Desde 2018, trabalha na Itaú Asset com foco em mandatos Indexados e ETFs.
Toda carteira de renda fixa enfrenta, em algum momento, a mesma tensão fundamental: quanto prazo assumir e quanto deixar disponível.
Essa não é uma decisão técnica menor. É uma das escolhas de alocação mais consequentes que um investidor pode fazer, e ela muda de resposta dependendo do regime macroeconômico em que a economia se encontra.
Duration como fator de risco
Duration não é apenas uma medida de prazo. É a sensibilidade do preço de um ativo a variações na taxa de juros. Quanto maior a duration, maior o impacto de uma mudança nas expectativas de política monetária sobre o valor da carteira.
Em regimes de desinflação ou de afrouxamento monetário, duration é um fator de retorno poderoso. Os preços dos títulos longos sobem à medida que as taxas caem, gerando ganho de capital além dos juros contratados. Foi o que aconteceu em vários episódios de queda de Selic no Brasil e no ciclo de cortes globais que se seguiu à crise de 2008.
O problema aparece quando o cenário se inverte. Em ambientes de juros elevados por mais tempo, ou com incerteza fiscal que pressiona os prêmios de risco, carregar duration excessiva significa exposição a um fator que pode trabalhar contra a carteira.
O papel estratégico da posição pós-fixada
Nesse contexto, a posição pós-fixada deixa de ser apenas reserva de liquidez e passa a ser uma decisão ativa de alocação.
Quando a curva de juros está inclinada negativamente, ou seja, quando a taxa curta está acima das taxas longas, o investidor recebe mais por assumir menos risco de duration. Essa inversão não é trivial: ela sinaliza que o mercado precifica cortes futuros, mas o carrego de curto prazo ainda remunera bem.
Estar bem alocado no pós-fixado nesse cenário não é conservadorismo. É reconhecer onde o fator de retorno está mais eficiente dado o regime vigente.
A dimensão tributária como componente do retorno esperado
A análise de alocação raramente incorpora de forma rigorosa o impacto tributário no retorno líquido. Mas ela deveria.
A alíquota efetiva de IR, a incidência de come-cotas e o momento da tributação alteram o retorno composto de maneira significativa ao longo do tempo. Um instrumento que entrega CDI bruto com come-cotas semestral pode render menos, na prática, do que um estruturado com alíquota fixa de 15% e sem antecipação de imposto, mesmo que o rendimento bruto nominal seja idêntico.
Essa diferença não é detalhe operacional. É parte do cálculo de retorno esperado líquido, que é o único número que importa de verdade para o investidor.
CDIB11 como instrumento dessa lógica
É nesse cruzamento entre decisão de duration, posicionamento pós-fixado e eficiência tributária que o CDIB11 se encaixa como ferramenta de alocação.
O ETF combina exposição ao CDI com uma parcela de NTN-Bs longas, não para assumir risco de duration, mas para alcançar o prazo médio que garante tributação de 15% independente do horizonte de investimento do cotista. Sem come-cotas, sem IOF, sem DARF.
O resultado é uma posição pós-fixada com carrego próximo ao CDI e estrutura tributária de ativo longo, negociada em bolsa com liquidez intradiária.
Para o investidor que pensa a carteira de renda fixa com rigor, o CDIB11 não é um produto de caixa. É a forma mais eficiente de alocar no fator pós-fixado enquanto o regime macroeconômico justifica essa posição.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3