Renda fixa
Itaú Asset: Liquidez, tributação e retorno. A tríade que define a renda fixa eficiente
Retorno líquido, estrutura tributária e liquidez não são atributos independentes da renda fixa
Alexandre Frade, da Itaú Asset
Sênior Portfolio Manager de Estratégias Indexadas da Itaú Asset Management. Experiência de 10 anos em Fundos de Pensão, e 5 anos na BlackRock como Gestor Sênior de ETFs listados na América Latina. Desde 2018, trabalha na Itaú Asset com foco em mandatos Indexados e ETFs.
Quando um investidor avalia uma aplicação em renda fixa, a pergunta natural é: quanto rende? É uma pergunta legítima. Mas é incompleta.
O retorno bruto é apenas um dos três vetores que determinam a qualidade real de uma posição. Os outros dois, liquidez e estrutura tributária, costumam ser tratados como detalhes operacionais. Na prática, eles são variáveis de alocação com impacto direto sobre o patrimônio acumulado.
O primeiro vetor: retorno
O retorno de uma posição pós-fixada parece simples de medir. Se o instrumento entrega 100% do CDI, o cálculo é direto.
Mas o retorno relevante para a decisão de alocação não é o bruto. É o retorno líquido ajustado por todos os atritos que incidem sobre ele ao longo do tempo. Esse número raramente aparece no extrato.
O CDIB11, por exemplo, entrega rentabilidade próxima ao CDI. Mas a análise do seu retorno real começa exatamente aí, na pergunta sobre quanto desse CDI efetivamente chega ao investidor após a tributação.
O segundo vetor: tributação
A estrutura tributária da renda fixa brasileira é mais complexa do que parece. A alíquota de IR varia com o prazo de resgate, o come-cotas antecipa o imposto duas vezes por ano nos fundos tradicionais, e o IOF penaliza resgates em menos de 30 dias.
Cada um desses mecanismos corrói o retorno composto de maneira silenciosa. O investidor vê o rendimento acumulado, mas não vê o quanto foi transferido ao longo do caminho antes do resgate.
O CDIB11 foi estruturado para contornar esses três atritos simultaneamente. A combinação de instrumentos pós-fixados com NTN-Bs de prazo mais longo garante que o fundo alcance o prazo médio exigido para tributação de 15% independente do horizonte do investidor. Sem come-cotas. Sem IOF. Sem DARF.
O terceiro vetor: liquidez
Liquidez é frequentemente tratada como uma concessão. O investidor aceita menor retorno em troca de poder resgatar quando precisar.
Essa lógica faz sentido em parte. Mas ignora um aspecto relevante: liquidez intradiária em bolsa não é apenas conveniência operacional. É a capacidade de realocar rapidamente quando o regime macroeconômico muda.
Em um ambiente de incerteza fiscal ou de inflação acima do esperado, o investidor que consegue mover sua posição pós-fixada com agilidade tem uma vantagem estrutural sobre quem está preso em prazos de resgate. O CDIB11, negociado em bolsa como qualquer ação, oferece essa flexibilidade sem abrir mão da eficiência tributária.
A tríade como critério de avaliação
Retorno líquido, estrutura tributária e liquidez não são atributos independentes. Eles formam um sistema. Um instrumento que maximiza um dos três vetores às custas dos outros dois pode parecer atrativo na comparação superficial e decepcionar na prática.
A avaliação rigorosa de uma posição em renda fixa exige que os três sejam analisados em conjunto. Quando essa análise é feita com disciplina, os instrumentos que equilibram a tríade se destacam naturalmente, não como produtos, mas como consequências de um raciocínio bem construído.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3