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Itaú Asset: Diversificação de capital ou diversificação de risco? Repensando o modelo 60/40


Alexandre Frade, da Itaú Asset

Alexandre Frade, da Itaú Asset

Sênior Portfolio Manager de Estratégias Indexadas da Itaú Asset Management. Experiência de 10 anos em Fundos de Pensão, e 5 anos na BlackRock como Gestor Sênior de ETFs listados na América Latina. Desde 2018, trabalha na Itaú Asset com foco em mandatos Indexados e ETFs.


Uma discussão já antiga, mas em alta nas discussões de asset allocation, é a do portfólio 60/40. Tradicional alocação do mercado americano, aplicada aos mais variados perfis de risco (faz sentido isso?) e segmentos de clientes. A alocação de 60% da carteira em Equities e 40% em Renda Fixa fez e faz sucesso pela simplicidade filosófica e resultados muito bons em janelas longas.

O problema é que diversificação de capital não é o mesmo que diversificação de risco. A carteira 60/40 parece diversificada. Tem dois ativos com lógicas distintas, renda variável e renda fixa, prazos diferentes, emissores diferentes. No papel, é uma carteira equilibrada. Mas vamos analisar mais de perto?

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Uma carteira 60/40 tem algo como 90% do seu risco total concentrado na componente de ações. A renda fixa, por ter volatilidade muito menor do que a bolsa, contribui com menos de 10% do risco efetivo da carteira (dados da AQR para o mercado americano).

Na prática, o investidor que acredita ter uma carteira diversificada está, em quase toda a sua exposição real ao risco, alocado no fator crescimento econômico. Quando o crescimento desacelera ou o mercado entra em colapso, as duas classes caem simultaneamente e a diversificação que parecia existir desaparece exatamente quando mais era necessária.

E no que deveríamos focar então? Que tal mudar a perspectiva e, ao invés alocar capital, passar a alocar risco? Eu deveria olhar mais para fatores do que classes de ativos?

Em vez de definir quanto do patrimônio vai para cada classe, podemos definir quanto do risco total cada classe vai representar. Quando o risco é distribuído de forma mais equilibrada entre classes com comportamentos distintos, o portfólio se torna mais resistente a diferentes cenários econômicos sem necessariamente sacrificar retornos.

Mas o que então seriam diversificadores para o modelo 60/40?

Olhar Renda Fixa buscando fatores diferentes. Títulos atrelados a inflação protegem mais contra choques (IMAB11, B5P211 e IB5M11). Uma renda fixa 100% alocada em CDI, não me protege tanto em alguns cenários. Commodities têm uma dinâmica diferente de outras classes. Especialmente o ouro tende a ir bem quando outros ativos vão mal, e é justamente este comportamento que procuramos aqui (GLDI11).

Diversificação geográfica. Os ciclos econômicos globais estão ligados de diversas formas, mas a todo instante temos economias em diversos países mais ou menos aquecidas. Temos países que se beneficiam de petróleo alto, outros que sofrem, países que estão implementando reformas transformadoras, outros que não saem do lugar. Por que então manter 100% do capital apenas em um país? Mais de 60% do valor de mercado das empresas listadas no mundo está disponível na bolsa americana, por exemplo, e consigo comprar ETFs (SPXI11 e SPXR11) que me dão a exposição desejada, sem precisar abrir contas pelo mundo afora. O mesmo ocorre para dezenas de teses e ativos já disponíveis ao mercado brasileiro.

Não é sobre abandonar o 60/40. É sobre entender o que ele realmente representa em termos de risco, e decidir conscientemente se é isso que você quer.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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