Educação Financeira

Itaú Asset: Ciclo de juros americano muda de fase, e isso importa para quem tem renda fixa e dólar na carteira

Movimento sugere é uma transição de fase, e não um susto pontual


Alexandre Frade, da Itaú Asset

Alexandre Frade, da Itaú Asset

Sênior Portfolio Manager de Estratégias Indexadas da Itaú Asset Management. Experiência de 10 anos em Fundos de Pensão, e 5 anos na BlackRock como Gestor Sênior de ETFs listados na América Latina. Desde 2018, trabalha na Itaú Asset com foco em mandatos Indexados e ETFs.


Há momentos em que um ciclo de juros muda de direção sem que ninguém anuncie isso formalmente. O sinal costuma vir de um dado econômico aparentemente técnico que reorganiza, quase da noite para o dia, as apostas de todo o mercado. Foi mais ou menos isso que aconteceu no início de agosto, quando o relatório de emprego americano referente a julho veio bem mais fraco do que o esperado, com a geração de vagas surpreendendo para baixo depois de um período em que a narrativa dominante era de juros altos por mais tempo. O mercado reagiu rápido, elevando a probabilidade de que o Federal Reserve retome os cortes de juros já em setembro, e isso tem implicações que valem a pena entender com calma.

O que esse movimento sugere é uma transição de fase, e não um susto pontual. Gestoras internacionais já vinham chamando atenção, em seus relatórios de meio de ano, para o retorno da renda como fonte relevante de retorno de carteira, com preferência por títulos do Tesouro americano de prazos curtos e médios em vez de vencimentos muito longos. A leitura por trás disso é razoavelmente simples: com o ciclo de aperto monetário perto do fim, o prêmio de carregar duration mais curta tende a compensar melhor o investidor do que apostar em prazos longos, cujo comportamento fica mais sujeito a incertezas fiscais e inflacionárias que ainda não se resolveram por completo.

Um Federal Reserve mais inclinado a cortar juros também tende a pressionar o dólar, e é por isso que se projeta enfraquecimento da moeda americana ao longo dos próximos meses em algumas casas, mesmo mantendo uma visão construtiva para as ações globais. Para quem tem parte da carteira em ativos internacionais, esse é um bom momento para revisitar o motivo dessa exposição. Ela costuma fazer mais sentido como forma de diversificação geográfica e setorial, algo que um ETF como o SPXI11 entrega de maneira direta ao replicar o S&P 500, do que como uma aposta isolada na valorização do dólar frente ao real.

No book local, essa mudança de fase nos Estados Unidos reforça a importância de pensar a renda fixa em blocos com propósitos diferentes, combinando proteção contra inflação, como no IMAB11, com posições prefixadas, como no IRFM11, em vez de concentrar tudo num único vencimento ou indexador na expectativa de acertar o timing exato do ciclo. Ciclos de juros raramente se movem em linha reta, e carteiras construídas com essa premissa tendem a atravessar melhor tanto a fase de aperto quanto a de alívio que parece estar se desenhando agora.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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