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Professor Mira: Como ler resultados da temporada de balanços e encontrar boas ações
Temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 começou em 14 de julho
Professor Mira
Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira
A temporada de resultados do segundo trimestre de 2026 começou em 14 de julho, e nas próximas semanas algumas das maiores empresas da Bolsa vão abrir seus livros para o mercado.
Para quem investe em ações, esse é o momento do ano em que sai de cena a narrativa e entram os números. É também quando surgem algumas das melhores oportunidades de compra, mas também quando muitos investidores cometem seus piores erros, reagindo ao
O que está em jogo neste 2T26
Temos atualmente na bolsa brasileira uma combinação interessante: lucros corporativos em patamares históricos convivendo com valuations ainda descontados. Em paralelo, a inflação projetada caiu para 5,16% no último Boletim Focus, e o mercado começa a precificar um cenário de afrouxamento monetário no segundo semestre.
Quando juros começam a ceder e lucros seguem fortes, empresas com fundamentos sólidos tendem a ser reprecificadas para cima, mas, atente a essa expressão: ‘fundamentos sólidos’, pois é exatamente isso que o balanço vem confirmar ou desmentir.
Os indicadores que realmente importam
Um balanço trimestral carrega dezenas de números que são a fotografia exata da empresa, mas você, como investidor, não precisa se tornar um especialista para destrinchar todos esses números no detalhe. Existem alguns indicadores essenciais que se você entender bem, conseguirá avaliar a qualidade das empresas onde investe:
- Lucro por ação (LPA): é o lucro líquido dividido pelo número de ações e mostra quanto de lucro cada papel gerou no período. A pergunta certa não é se o número é alto ou baixo em termos absolutos, mas se está crescendo em relação a trimestres anteriores. Crescimento consistente de LPA é um dos sinais mais confiáveis de que a empresa está criando valor.
- P/L (Preço/Lucro): divide o preço da ação pelo lucro por ação e indica quantos anos levaria para o lucro pagar o preço que você pagou pela ação. Um P/L baixo pode significar oportunidade, mas também pode significar que o mercado já precificou problemas que você ainda não enxergou. P/L baixo sem contexto é armadilha.
- ROE (Retorno sobre o Patrimônio): mede a eficiência da empresa em gerar lucro com o capital que tem. Acima de 15% é considerado bom, acima de 20% é excelente. Uma empresa que cresce receita mas mantém ROE baixo está expandindo sem eficiência, e isso costuma cobrar seu preço no longo prazo.
- EBITDA e margem EBITDA: o EBITDA é o lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização e mostra a saúde da operação sem distorções financeiras. A margem EBITDA, que é o EBITDA dividido pela receita, indica quanto de cada real vendido vira lucro operacional. Margem crescente significa que a empresa está ficando mais eficiente, e margem caindo é sinal de alerta.
Como ler na prática, sem se afogar em números
Benjamin Graham, considerado o pai da análise fundamentalista, dizia que o investidor deve tratar cada balanço como um exame médico da empresa. Você não precisa entender todos os exames, mas precisa saber quais resultados importam para a saúde do paciente.
O primeiro passo é contextualizar qual é o setor e como está o cenário macroeconômico. Um banco em um ambiente de juros altos, por exemplo, tem dinâmica completamente diferente de uma varejista enfrentando inflação de alimentos.
Depois, olhe para três coisas em sequência: a receita cresceu? O lucro cresceu junto ou a margem foi comprimida? O endividamento está controlado? Se a resposta for sim para as três, você tem pelo menos um ponto de partida sólido. Se a receita cresceu mas o lucro caiu, algo está errado na operação e merece investigação.
Por fim, compare como a empresa está em relação a concorrentes do mesmo setor e em relação aos próprios trimestres anteriores. Surpresas positivas, quando a empresa supera as expectativas do mercado, costumam ser o gatilho mais forte para reprecificação.
Sinais de oportunidade e sinais de alerta
Uma boa oportunidade geralmente combina lucro crescendo de forma consistente, margens melhorando, ROE acima de 15%, endividamento controlado e fluxo de caixa positivo. Quando esses sinais estão alinhados e o preço ainda não reflete a melhora, você tem o que Benjamin Graham chamava de margem de segurança.
Os sinais de alerta são o espelho: crescimento desacelerando, margens pressionadas, endividamento subindo e fluxo de caixa negativo. Nenhuma dessas coisas, isoladamente, é motivo para vender, mas quando começam a se acumular, a tese de investimento precisa ser reavaliada.
Um erro muito comum é confundir barato com oportunidade: uma ação que caiu muito após um balanço ruim não está necessariamente barata, pode estar apenas refletindo uma deterioração real dos fundamentos.
Acompanhar os resultados te ajuda a tomar decisões
Você encontra os balanços no site de Relações com Investidores de cada empresa e no site da CVM e recomendo que você leia os balanços das empresas nas quais investe, compare com o trimestre anterior e tire suas próprias conclusões.
Tenha em mente que a temporada de resultados é uma janela de oportunidade, não uma obrigação de comprar ou vender, pois esta decisão precisa estar alinhada ao seu planejamento pessoal e às metas que definiram a entrada ou saída de determinado ativo em sua carteira.
O balanço é o momento em que a história que o mercado contou sobre si mesmo encontra os números que a empresa produziu de fato, e a distância entre os dois é, quase sempre, onde o dinheiro se faz ou se perde.
*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3