Derivativos

Professor Mira: O poder das opções para potencializar patrimônio

Opções são derivativos, ou seja, contratos cujo comportamento deriva de um ativo principal, uma ação, um índice, um ETF


Professor Mira

Professor Mira

Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira


Existe uma crença que circula há anos no mercado e que já custou caro para muita gente, inclusive para mim lá no início da minha trajetória quando ainda estava na fase de aprendizado autodidata: a de que opções são especulação pura, território de apostadores, mercado de cassino. 

Considero que não é difícil saber de onde vem essa ideia, pois quem começa a operar opções sem entender o que está fazendo costuma perder rápido e sair com a impressão de que o problema é a ferramenta, quando na verdade, o problema é a forma como cada um utiliza e o objetivos que motivaram a entrada na operação.

Opções são derivativos, ou seja, contratos cujo comportamento deriva de um ativo principal, uma ação, um índice, um ETF. Elas têm prazo, preço-alvo (o strike) e têm custo de entrada (o prêmio). 

Além disso, as opções têm três utilidades que nenhum outro instrumento da bolsa oferece com a mesma eficiência: proteger patrimônio, gerar renda e multiplicar exposição com pouco capital. E não se trata de escolher um ou outro, pois são três pilares distintos, para momentos e objetivos diferentes.

Primeiro pilar: proteção patrimonial

Imagine que você tem uma carteira de R$ 500 mil em ações e o mercado começa a dar sinais de turbulência. Você tem duas escolhas instintivas: ignorar e rezar, ou vender antes que caia além do aceitável. O problema com a segunda opção é que vender traz custos, imposto e, frequentemente, a frustração de ver o mercado se recuperar logo depois.

A opção de venda, chamada de put, oferece um terceiro caminho, pois funciona de forma análoga a um seguro de carro: você paga um prêmio para travar um preço mínimo de venda para as suas ações. Se o mercado desabar 20%, sua perda fica limitada. Você não precisa tomar nenhuma decisão na pior hora possível, que é exatamente quando o mercado está em queda e o instinto fala mais alto que a razão.

O prêmio pago pela put é o custo dessa proteção, exatamente como a mensalidade do seguro. Se o mercado não cair, você “perdeu” o prêmio, da mesma forma que quem paga seguro e não bate o carro. Mas ninguém considera o seguro um mal negócio por isso. 

Segundo pilar: geração de renda 

Esse é o pilar que mais surpreende quem está entrando no universo de opções e talvez seja o mais subutilizado por investidores que já têm ações em carteira.

A lógica é simples: se você tem ações de uma empresa de qualidade e não pretende vendê-las no curto prazo, você pode vender uma call, que é uma opção de compra dessas ações por um preço específico. 

Em troca, você recebe um prêmio imediatamente na conta. Esse valor é o que o mercado paga pelo direito de poder comprar suas ações no futuro. Se a ação não atingir o preço combinado até o vencimento, a opção vira pó, você fica com o prêmio e continua com as ações. 

Isso se chama venda coberta, e ela cria uma terceira fonte de renda sobre o mesmo ativo: a valorização da ação no tempo, os dividendos que a empresa distribui e o prêmio que você recebe pela call. Feita de forma consistente ao longo do tempo, essa estratégia tem potencial de dobrar o que você recebe em dividendos sem abrir mão das ações.

O ponto importante: o vendedor de uma opção assume uma obrigação, não apenas um direito. Se for exercido, terá que entregar as ações pelo preço combinado. Por isso a estratégia se chama “venda coberta”: você só vende o que já tem. Operar descoberto, sem ter o ativo em carteira, é extremamente arriscado, exige gestão mais rigorosa e eu não recomendo que você o faça sem ter conhecimento de mercado e muita experiência com opções. 

Terceiro pilar: multiplicar exposição com pouco capital

Esse é o pilar que mais atrai e, por isso, o que mais machuca quando mal compreendido. Uma call de ação pode custar alguns centavos, porque representa apenas a expectativa de que aquela ação chegue a um determinado preço até o vencimento. 

Se a ação se mover na direção esperada, um centavo pode se transformar em vinte, trinta, cinquenta centavos, pois o retorno percentual é explosivo. No exemplo prático: uma call comprada por R$ 0,06, com strike de R$ 13,86, pode valer R$ 0,64 se a ação chegar a R$ 14,50 no vencimento. Mais de dez vezes o capital em uma única operação.

Mas a mesma lógica funciona ao contrário. Se a ação não atingir o preço esperado, a opção vira pó e você perde 100% do que investiu nela. O que muda em relação à ação é que, com ações, uma queda de 20% representa 20% de perda. Com uma call mal posicionada, a perda pode ser total.

Isso não é cassino, é alavancagem, uma estratégia que exige gestão de risco rigorosa. Quem entra especulando em calls sem análise prévia do ativo, sem objetivo claro e sem controle de quanto está disposto a perder, está usando a ferramenta errada da forma errada e se expondo a um risco que pode comprometer seriamente suas finanças.

Acessibilidade que pouca gente conhece

Um aspecto prático que merece destaque: opções são mais acessíveis do que a maioria imagina. ETFs como o BOVA11, por exemplo, têm opções que podem ser negociadas por unidade, não em lote de cem como as ações. 

Isso significa que é possível comprar proteção, gerar renda ou se posicionar com vinte, trinta centavos de capital inicial. Esse nível de acesso tão facilitado possibilita que o iniciante passe bastante tempo operando com centavos até aprender de verdade e, somente depois disso, comece a usar valores maiores em suas estratégias.

O único detalhe operacional relevante é a corretagem: se uma opção custa R$ 0,30 e a taxa da corretora é R$ 5,00, a operação pode não fazer sentido, portanto, é essencial atentar à taxa de corretagem que irá pagar por operação, eliminando assim o atrito que tornaria pequenas operações inviáveis.

O que define o resultado

Entender o que é call e put é fácil, mas obter resultados consistentes demanda que você entenda três coisas antes de qualquer operação: qual é o objetivo, como está o cenário do ativo e qual é o risco máximo que está disposto a assumir.

Proteger, gerar renda ou multiplicar: cada um desses objetivos tem um caminho diferente dentro do universo de opções e confundir os três ou entrar sem definir qual está buscando é o atalho mais curto para o prejuízo. 

É possível lucrar na alta e na baixa da bolsa, e no meu canal de Youtube há vídeos gratuitos explicando em detalhes como você pode se beneficiar com o poder das opções. O fundamental é você compreender que a mesma opção, na mão certa e com o objetivo certo, protege patrimônio e gera renda com consistência, portanto, o que define o resultado não é a ferramenta, mas a forma como ela é utilizada.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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