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Professor Mira: Ibovespa em 180 mil pontos e dólar em queda. O que o investidor precisa entender deste momento

O recuo do dólar e a alta da Bolsa refletem uma melhora real na percepção de risco, mas o risco não deixa de existir


Professor Mira

Professor Mira

Investidor profissional, Analista CNPI-T (Apimec), mestrando em Economia, com MBAs em Gestão de Investimentos, Análise de Investimentos e Educação Financeira. Empresário, sócio do Clube FII e do Grana Capital, escritor best-seller e educador financeiro com cursos que já formaram mais de 50 mil alunos pelo mundo. Está nas redes sociais como @professormira


Nesta semana o Ibovespa B3 rompeu a barreira dos 180 mil pontos enquanto o dólar recuava para R$ 5,08. Para quem acompanha o mercado, a cena provoca uma euforia compreensível, mas se você está construindo patrimônio, precisa fazer uma pergunta mais fria: o que está sustentando esse movimento?

Quando os preços dos ativos de risco sobem de forma coordenada com a valorização do real, o mercado está dizendo que o prêmio de risco exigido para investir no Brasil começou a diminuir. Isso não é um evento isolado nem um golpe de sorte estatístico, mas também não é garantia de caminho livre. Entender os fundamentos por trás do número é o que vai garantir que você saiba aproveitar o ciclo e não se perder nele.

Os pilares que sustentam a alta do Ibovespa e o recuo do dólar

Para compreender o rali atual, o ponto de partida é o binômio inflação e juros. O IPCA-15 de julho registrou alta de apenas 0,06%, a menor leitura para o mês desde 2023, trazendo o acumulado de 12 meses para 4,52%. Esse dado é relevante porque sinaliza que a pressão sobre os preços está perdendo força, mesmo com o Boletim Focus de 03 de agosto ainda projetando o IPCA para o final de 2026 em 5,03%, ligeiramente acima do teto da meta. 

Quando a inflação dá sinais de arrefecimento, o mercado projeta que o Banco Central terá espaço para afrouxar a política monetária, e é essa expectativa que se traduz em apetite por risco.

O ambiente externo contribuiu na mesma direção: o PCE americano, indicador de inflação preferido do Federal Reserve, veio abaixo do esperado, reduzindo a aversão ao risco em escala global, e quando os Estados Unidos sinalizam que a inflação por lá está sob controle, o capital estrangeiro tende a buscar retornos maiores em mercados emergentes como o Brasil. 

É esse fluxo que ajuda a explicar a queda do dólar, mesmo num dia em que o recuo de aproximadamente 5% nos preços do petróleo limitou um rali ainda maior das nossas exportadoras de commodities.

O Copom e o início do ciclo de afrouxamento

O novo corte de 0,25 ponto percentual na Selic, decidido nesta semana pelo Copom, confirma que o Banco Central está validando a melhora dos indicadores recentes. A projeção do Focus para a taxa ao fim de 2026 recuou para 13,75%, sinalizando que o ciclo de cortes tem continuidade pela frente, ainda que gradual.

Para a Bolsa, juros menores têm efeito direto: reduzem o custo de capital das empresas e aumentam o valor presente dos lucros futuros, e a temporada de resultados que estamos atravessando reforça esse raciocínio, com números robustos especialmente no setor bancário, mostrando que as empresas brasileiras aprenderam a operar com eficiência mesmo sob juros altos. Com crédito mais barato pela frente, o foco se volta para a capacidade de crescimento dessas companhias.

Dito isso, não recomendo que você saia do seu planejamento por empolgação. Em períodos de transição de ciclo, a volatilidade tende a aumentar conforme as expectativas são ajustadas à realidade, então, o que esse momento pede é revisão de estratégia com prudência, não aceleração por impulso.

O horizonte além dos 180 mil pontos

Máximas históricas são marcos relevantes, mas você certamente sabe que o seu sucesso nos investimentos não vai ser medido por um ponto no gráfico, mas sim pela sua consistência na acumulação ao longo do tempo.

O mercado atual recompensa quem teve paciência para atravessar o ciclo de juros altos sem abandonar a estratégia, mas é exatamente nos momentos de euforia que essa paciência é testada, e o desafio é manter a disciplina para não se perder no oásis da euforia.

O recuo do dólar e a alta da Bolsa refletem uma melhora real na percepção de risco, e isso importa, mas uma coisa não muda: o risco nunca deixa de existir, ele apenas muda de forma.

O investidor que entende o que está por trás das máximas da bolsa está em posição melhor do que quem simplesmente vê a tela verde e age. Nos dois casos o mercado pode sorrir no curto prazo, mas só um deles tem plano para quando ele não sorrir.

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

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