Investir melhor

Yo Fordelone: O brasileiro está investindo mais, mas está ficando mais rico?

Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro, a parcela da população que possui investimentos financeiros passou de 31% em 2021 para 36% em 2025


Yolanda Fordelone

Yolanda Fordelone

Planejadora financeira com certificação CEA (Anbima), Yo Fordelone é formada em economia e jornalismo. Investidora qualificada, alcançou a sua independência financeira aos 36 anos. Em seu Instagram, ajuda outras pessoas a conseguirem mais tempo e liberdade.


Nunca se falou tanto sobre investimentos. O assunto ganhou espaço nas redes sociais, nos veículos de comunicação e nas conversas entre amigos. Bancos e corretoras disputam a atenção do público, enquanto aplicativos tornaram mais simples começar a investir com pouco dinheiro. Mas será que estamos apenas investindo mais ou realmente construindo riqueza?

Os dados indicam que houve avanço. Segundo o Raio X do Investidor Brasileiro, da ANBIMA, a parcela da população que possui investimentos financeiros passou de 31% em 2021 para 36% em 2025. É um sinal positivo de que o tema está alcançando mais pessoas, embora ainda exista um longo caminho até que investir faça parte da realidade da maioria dos brasileiros.

Parte desse movimento pode ser explicada pelo maior acesso à informação. Outra parte vem da própria experiência de vida. Como a educação financeira ainda não faz parte da formação escolar de maneira consistente, muita gente aprende na prática.

Essa é a minha teoria: as pessoas aprendem a importância de ter um dinheirinho guardado depois de enfrentar um imprevisto, perder renda ou perceber que a aposentadoria se aproxima sem que exista uma reserva suficiente.

Nesse sentido, o envelhecimento da população torna o planejamento financeiro cada vez mais relevante. Quanto mais percebemos que o tempo passa e que nem sempre poderemos contar com a mesma renda, maior tende a ser a preocupação em guardar dinheiro para o futuro.

Mas existe uma diferença importante entre poupar e enriquecer. Guardar dinheiro é o primeiro passo; fazer esse patrimônio preservar seu poder de compra é outro desafio.

Se os recursos ficam parados ou rendem menos do que a inflação, o saldo pode até permanecer intacto, mas será capaz de comprar menos no futuro. Investir, portanto, não é apenas acumular dinheiro: é buscar formas de fazê-lo crescer acima da perda do poder de compra, considerando os riscos e os objetivos de cada pessoa.

Há ainda um adversário menos evidente: a inflação do padrão de vida. À medida que a renda aumenta, é natural querer mais conforto. O problema começa quando o carro mais caro, as viagens frequentes, os restaurantes e outros luxos deixam de ser escolhas ocasionais e se transformam em despesas permanentes. Cada aumento de salário passa a financiar uma vida mais cara, sem necessariamente aumentar a capacidade de acumular patrimônio.

Não se trata de defender uma vida de privações. Dinheiro também serve para proporcionar experiências, conforto e liberdade no presente. A questão é decidir quanto queremos aproveitar agora e quanto precisamos preservar para ter escolhas no futuro.

Investir mais é um avanço, mas não é garantia de enriquecimento. A inflação já foi abordada em outras ocasiões nesta coluna, mas volto ao tema agora, pós-eleições, porque precisamos discutir a economia desses quatro anos. Muitos economistas já vêem risco relevante de alta dos preços por conta do petróleo e da dívida pública.

Se até o momento você ainda não se atentou a acompanhar seus investimentos usando como régua ganhar da inflação, sugiro que o faça a partir de agora.

A construção de patrimônio depende da combinação entre poupar regularmente, escolher investimentos adequados, proteger o poder de compra e evitar que todas as conquistas financeiras sejam absorvidas pelo consumo.

No fim, a pergunta talvez não seja apenas quanto dinheiro conseguimos guardar ou quanto nossa carteira rendeu neste ano. É se estamos construindo uma situação financeira melhor ao longo do tempo.

Daqui a dez anos, o dinheiro que você está guardando hoje vai comprar mais liberdade ou apenas financiar uma vida mais cara?

*As opiniões contidas nessa coluna não refletem necessariamente a opinião da B3

Quer analisar todos os seus investimentos em um só lugar, em uma plataforma intuitiva? Baixe o APP B3